Literatura Britânica

O Monte dos Vendavais

Se há um clássico inglês por excelência, eu diria que é O Monte dos Vendavais (1847), de Emily Bronte. Como é que eu ainda não o tinha lido? Como?

As Irmãs Bronte ficaram conhecidas tanto pelas suas obras literárias, que se tornaram autênticos clássicos da literatura inglesa, como pelas suas vidas cedo ceifadas pela tuberculose. Anne, a mais nova, escreveu Agnes Grey (1847), A Inquilina de Willfell Hall (1848) e alguns poemas, morrendo em 1849 com 29 anos. Charlotte foi a que viveu mais tempo, 39 anos, e a que deixou um maior espólio, nomeadamente Jane Eyre (1847), Shirley (1849), Villette (1853), O Professor (1857) e poesia. Também foi ela quem encorajou Emily a publicar os seus poemas e, mais tarde, um trabalho em prosa: O Monte dos Vendavais, o único que nos deixou e talvez o mais famoso dos livros Bronte.

Esta história ocorre nas charnecas selvagens do Yorkshire, no final do séc. XVIII e início do séc. XIX. A nossa narradora participante, Nelly Dean, conta como Mr. Earnshaw, após uma viagem a Liverpool, decide levar para casa o órfão Heathcliff, para espanto da família, principalmente dos filhos Hindley e Catherine. Catherine recebe o rapaz de braços abertos e forma com ele um elo tão forte que os dois acabam por se apaixonar, porém, quando Mr. Earnshaw falece, Hindley regressa da faculdade para assumir as suas responsabilidades de senhor da casa e decide rechaçar e maltratar Heathcliff. Entretanto, Catherine faz amizade com os filhos da casa vizinha, os Linton, e acaba por casar com Edgar, um jovem rico e passivo. Devastado com a união, Heathcliff decide ir-se embora, voltando três anos depois, refinado, endinheirado e com um ardente desejo de vingança.

Esta introdução é apenas o prelúdio do que acabará por acontecer. As personagens  principais são muito emotivas e encontram-se ambientadas numa atmosfera agreste e obscura que marca o ritmo e favorece a essência gótica do romance. Os comportamentos repetem-se de uma geração para a outra, quase como se os mais novos imitassem os mais velhos por via de exemplo, parando quando o limite e o amor superam o cansaço da crueldade e da frieza. O final é o que se espera, uma conclusão satisfatória e racional que dá um sinal de esperança ao futuro dos que resistem e acabam por ficar.

Gostei muito deste livro. A escrita de Emily Bronte é magnífica e a sua original história de amor, obsessão, depressão e crueldade é das mais únicas e profundas que já li. É incrível pensar que três irmãs tão jovens marcaram tão fortemente a literatura como as Bronte. Os seus romances são hoje mundialmente aclamados e alvo de inúmeras adaptações cinematográficas e televisivas. Enquanto leitora, gostei tanto de Jane Eyre e O Monte dos Vendavais que me sinto encorajada a ler todos os livros das Bronte.

Literatura Britânica · Literatura Norte-Americana

O Terceiro Homem

Decidi ler este livro porque faz parte da minha coleção Biblioteca Visão. Foi a primeira vez que li Graham Greene e, seguramente, não será a última.

Originalmente, O Terceiro Homem (1963) foi pensado como guião para um filme de Carol Reed, “para ser visto e não lido”, como o próprio Greene admite no prefácio da obra. Contudo, devido ao êxito estrondoso da película (nomeada para vários Óscares e vencedora do Bafta para Melhor Filme Britânico e do Grande Prémio do Festival de Cannes 1949), o autor decidiu romanceá-la.

Nesta história, cuja acção decorre pouco após o final da II Guerra Mundial, Rollo Martins vai a Viena, cidade ocupada pelas quatro forças vitoriosas, para descortinar o que aconteceu ao amigo de infância Harry Lime, que morrera em circunstâncias suspeitas. Quando começa a investigar o caso, Martins descobre diversas incongruências e percebe que talvez o que acreditara até então não seja inteiramente verdade.

Num thriller noire à boa maneira hollywoodesca e com uma escrita desenfreada que apela a que o leitor continue a virar as páginas, Greene desenvolve a sua narrativa de suspense sem deixar nada de fora, nem mesmo um twist no final que eu, confesso, não esperava.

Perfeito para ler em um ou dois dias, O Terceiro Homem é o romance ideal para os amantes de policiais ou para quem deseja simplesmente começar a ler a obra de Graham Greene. Recomendo. (E agora, ao filme!)

Literatura Norte-Americana

Circe

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Confesso que não estava nos meus planos ler este livro, porém quando o vi à venda na tabacaria do hotel em que fiquei hospedada este verão, decidi comprá-lo. Não sei se fiz bem…

Circe (2018), de Madeline Miller, foi um dos grandes eventos literários do ano, tendo sido nomeado para vários prémios, entre os quais o Women’s Prize For Fiction 2019, e tendo recebido inúmeras críticas altamente positivas na comunicação social. Nas redes sociais dedicadas à leitura, como o Booktube ou o Bookstagram, teve uma aceitação igualmente favorável. Estes foram os factores que me levaram a comprá-lo e a lê-lo.

A premissa do livro é simples: recontar a história de Circe através da ficção. A ninfa/deusa é fruto do casamento de Hélio com Perseis, acaba por ser rejeitada pelos pais e irmãos, e enviada para o exílio numa ilha onde desenvolve a sua feitiçaria através das ervas que encontra. Ao longo da história é visitada por diversas personagens (entre elas Ulisses, ou Odisseu, que vai a meio da sua Odisseia) que se relacionam com ela.

O exercício de narrar o mito de Circe parece-me bastante interessante, especialmente para dar a conhecer ao público um pouco da mitologia grega, no entanto creio que a narrativa de Madeline Miller ficou aquém das minhas expectativas. A sua escrita, a meu ver, é aborrecida e a forma como desenvolve as personagens é tão homogénea que todas elas parecem falar com a mesma voz, sem que nada as distinga em particular.

Não abandonei a leitura porque me custa fazê-lo. Prefiro ler a obra até ao fim para poder ter uma opinião válida sobre ela, todavia confesso que me custou chegar ao final, e que fiquei satisfeita quando o fiz.

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1001 livros para ler antes de morrer

Há uns anos, vi na Amazon um livro muito interessante para quem gosta de ler: Os 1001 Livros a Ler Antes de Morrer (2010). Claro que não passa da opinião subjetiva de um grupo de críticos internacionais que no-los deseja recomendar, porém para um leitor ávido não deixa de ser curioso verificar quais são os livros recomendados e/ou quantos  já leu.

O manual está dividido em períodos temporais, começando na Antiguidade com As Mil e Uma Noites (c. 850), e passando depois para os sécs. XIX, XX e XXI, onde termina com a obra The Children’s Book (2009), de A. S. Byatt. Os seus colaboradores provêm dos mais diversos ramos das Letras: Professores universitários de Línguas e Literaturas, editores de prestigiadas revistas literárias, escritores, editores, leitores universitários, jornalistas. As suas nacionalidades são igualmente variadas: americanos, ingleses, franceses, espanhóis, suecos, brasileiros, italianos, neo-zelandeses, alemães, portugueses. Creio que talvez façam falta latino-americanos, africanos e asiáticos, mas a verdade é que este guia revolve quase exclusivamente em redor da Literatura Ocidental.

Dos 1001 livros recomendados, seis são portugueses: Os Lusíadas (1572), de Luís de Camões, O Crime do Padre Amaro (1875), de Eça de Queirós, O Livro do Desassossego (1982), de Fernando Pessoa, Fado Alexandrino (1987), de António Lobo Antunes, O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984) e História do Cerco de Lisboa (1989), de José Saramago. É claro que estas escolhas são discutíveis, se tivesse sido eu a decidir, mudaria O Crime do Padre Amaro por Os Maias (1888) que me parece uma obra mais conhecida e significativa do legado de Eça de Queirós, no entanto, e tal como mencionei na introdução do artigo, estas escolhas são subjetivas.

Para finalizar, gostaria de referir que dos 1001 livros recomendados li 76 (7,6%). O número não parece nada de especial, todavia, para mim, é encorajador. Enquanto contava, reparei que tenho algumas das obras aconselhadas ainda por ler nas minhas estantes e, apesar da velha máxima: “Tanto para ler e tão pouco tempo”, a verdade é que tenho apenas 35 anos, o que significa que disponho de um longo caminho na leitura dos clássicos considerados vitais para quem quer ter uma cultura literária acima da média.

Evidentemente não vou apenas ler o que o guia sugere, contudo, de vez em quando, sabe bem marcarmos como lidos os clássicos que os entendidos consideram essenciais. Nem que seja por mero divertimento.

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Crime e Castigo

Aviso: Este texto contém spoilers.

Este foi o terceiro livro de Dostoievski que li, após Noites Brancas e O Jogador. Crime e Castigo é considerado uma das suas obras-primas e não é dificil perceber porquê.

De leitura obrigatória no 8º ano da escolaridade russa, Crime e Castigo (1866), de Fiodor Dostoievki, decorre na cidade de São Petersburgo e conta a história de Raskolnikov, um estudante pobre e desmotivado que penhora tudo o que possui a uma velha prestamista maldosa e mal encarada, de forma a conseguir subsistir. Raskolnikov sente tal aversão pela mulher que planeia assassiná-la com a “desculpa” de que está a fazer um favor à Humanidade e que as pessoas “extraordinárias” que cometem crimes, como ele, fazem-no por um bem maior e não devem, por isso, ser punidas. Quando finalmente se decide, Raskolnikov vai a casa da velha e mata-a com um machado. O que não espera é que a irmã desta apareça nesse preciso momento, passando pela porta que o jovem acidentalmente deixara aberta, o que fará com que ele a tenha de matar também.

Estes dois crimes pesarão na consciência de Raskolnikov ao longo do livro, e o jovem apenas confia o seu segredo a Sónia, uma prostituta de tenra idade que acaba de perder o pai alcoólico num acidente de carruagem e se vê obrigada a sustentar deste modo o resto da família. Contudo, e apesar de o chefe da polícia desconfiar sempre de que Raskolnikov é o autor do crime, e de Svidrigailov (vilão que acaba por se redimir) também o ter descoberto, o jovem estudante acaba por confessar o que fez e é punido com oito anos de trabalhos forçados na Sibéria. Sónia acompanha-o por vontade própria e espera que este cumpra a pena para poderem ficar juntos. No final, após um longo período sem ver a amada por motivo de doença, Raskolnikov senta-se a seu lado, poisa a cabeça no seu colo e chora desalmadamente, arrependendo-se assim do crime hediondo que cometeu.

Crime e Castigo é um daqueles clássicos que não nos sai da cabeça depois de o lermos. Dostoievski tem uma forma muito peculiar de expor a problemática da história, apresentando pontos de vista diferentes de modo a que o leitor consiga pensar por si sobre eles e chegar às suas próprias conclusões. Claro que neste caso estamos a falar de crime: será que pode ser cometido por um bem maior? Será que devemos ter compaixão do assassino? Será que compensa? Todas estas questões nos são apresentadas de vários prismas através das personagens que encontramos.

O que Dostoievski acha necessário mostrar é que um crime pesa sempre na consciência de quem o comete e acaba inevitavelmente por ser descoberto, sendo os seus efeitos trágicos tanto a nível psicológico como físico não só para o autor, como para as pessoas que o rodeiam. Creio que é por isso que os alunos russos de 14, 15 anos têm de estudar a obra na escola, para se aperceberem de que, afinal de contas, o crime não compensa. Recomendo vivamente.

P.S.: Eu já tive a felicidade de visitar a casa de Dostoievski em São Petersburgo. Podem ver as fotografias na secção Casa de Escritores.

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Livraria Lello

No Porto, há uma livraria onde se paga para entrar e onde as filas de visitantes chegam a ser tão grandes como em algumas das atrações da Disneylândia. É a Livraria Lello.

Fundada em 1906 pelos irmãos José Pinto Sousa Lello e António Lello, esta livraria com edifício proeminente juntou na sua inauguração a presença de personalidades como Guerra Junqueiro e José Leite de Vasconcelos. Projeto familiar que foi passando através das gerações da família Lello, o seu grande objetivo sempre foi ser um importante polo cultural da cidade do Porto, com galeria de arte e de tertúlia, para além de simples livraria.

No início do século XXI, o edifício de estilo neogótico e repleto de vitrais foi totalmente restaurado, recuperando a sua essência original. A decorá-lo encontram-se bustos dos mais ilustres escritores portugueses, Antero de Quental, Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco, Teófilo Braga, Tomás Ribeiro e Guerra Junqueiro; uma escadaria em madeira entalhada que dá acesso ao primeiro piso; e o teto elaborado em vitral com o símbolo da livraria, “Decus in Labore” (Formosura no Trabalho).

Reconhecida por muitos como uma das mais bonitas livrarias do mundo, acredita-se também que terá sido nela que a escritora J. K. Rowling se inspirou para criar a escola de Hogwarts da sua aclamada série, Harry Potter.

Estes e outros são os pontos de interesse que nos levam a aconselhar uma ida à Livraria Lello, que em 2016 foi visitada por um milhão de pessoas. Se puder dispensar algum tempo na fila e não se importar de pagar bilhete (que posteriormente poderá ser deduzido na compra de livros), verá uma livraria única no mundo.

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O Paraíso das Damas

O Paraíso das Damas (1883) (no original Au Bonheur des Dames) é uma obra do escritor francês Émile Zola, conhecido como o pai do naturalismo/ realismo. Zola cortou com o romantismo, ramo literário que se encontrava em vigor quando começou a escrever.

Este livro conta a história do nascimento daqueles que podem ser considerados os primeiros grandes armazéns de Paris, nomeados precisamente como o título do livro. A mega loja é um grande sucesso junto das mulheres parisienses, contudo, traz consigo enormes preocupações económicas aos pequenos e médios comerciantes da zona, tema que Zola explora na perfeição no seu texto. De que forma a vida quotidiana de Paris se altera com a “invenção” de um super estabelecimento que vende de tudo a preços muito mais convidativos, e como é que o público em geral a vê a recebe.

Para isso, Zola utiliza Denise, uma jovem da província órfã e responsável por dois irmãos mais novos que chega a Paris para viver com familiares e fica automaticamente encanta com os armazéns. É para lá que vai trabalhar, mesmo contra a vontade do tio, comerciante arruinado por eles. A vida de Denise muda por completo, tal como a de quase todos os que conhece.

Creio que Zola tentou fazer uma alegoria com o surgimento, em 1865, do Printemps, armazéns franceses por excelência que ainda hoje existem conservando a monumentalidade de então. A sua inauguração foi todo um acontecimento e as suas consequências precisamente aquelas que o escritor descreve em Au Bohneur des Dames. O próprio nome do livro me parece uma ironia engraçada, isto é, a cidade e a vida de Paris não se importam de mudar, desde que as mulheres possam ter um sítio onde satisfazer e comprar os seus caprichos. Também a inspiração para a personagem do Barão Hartmann não me parece um acaso se pensarmos no verdadeiro Barão Haussman, responsável pela abertura dos grandes boulevards parisienses e reconstrução da cidade.

Gostei do livro. É uma história original que serve quase como documento histórico para descrever os tempos modernos que o final do século XIX trouxe à capital francesa. A partir do meio torna-se, quiçá, um pouco repetitivo, no entanto o seu contexto realista é suficiente para que se o leia.

Bibliotecas do Mundo

Fundação Calouste Gulbenkian

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Sempre que vou ao estrangeiro visito os museus mais importantes da cidade onde estou. Em Paris, o Louvre, em Londres, o British Museum, em Madrid, o Prado, em Nova Iorque, o Met. Em Lisboa tenho alguma dificuldade em aconselhar a visita a um só museu. O de Arte Antiga? O Berardo? O do Chiado? Apesar de todos serem uma escolha acertada, na minha opinião, o museu Gulbenkian devia estar no topo da lista.

Inaugurado em 1969, esta jóia da cultura está situada no coração da capital, num edifício modernista da autoria dos arquitetos Alberto Pessoa, Pedro Cid e Ruy de Athouguia, rodeado por belos jardins projetados por António Viana Barreto com a colaboração do conhecido paisagista Gonçalo Ribeiro Telles.

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A sua impressionante coleção veio para Lisboa porque o seu dono, Calouste Sarkis Gulbenkian, industrial de origem arménia que fez fortuna a negociar petróleo, ficou admirado com a tranquilidade da cidade e conseguiu com que o governo da altura lhe concedesse todas as condições para expor os seus tesouros. Consigo trouxe peças dos artistas mais famosos e cotados a nível internacional, como Renoir, Manet, Monet, Degas, Rodin, Turner, Rubens, Rembrandt, entre outros, assim como artefactos de arte egípcia, árabe, chinesa e japonesa. Pelo meio, ainda podemos apreciar as ricas peças de mobiliário que decoravam o seu apartamento de Paris. O espólio do museu é impressionante, especialmente para a realidade portuguesa, pois não há nada que se lhe assemelhe em território nacional.

Para além da coleção do fundador, o museu acolhe igualmente uma mostra de arte moderna portuguesa, no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão, inaugurado em 1993. Neste edifício podemos encontrar esculturas e moldes da autoria de Leopoldo de Almeida (autor da escultura de Gulbenkian que se encontra nos jardins da fundação), quadros de Júlio Pomar, Almada Negreiros e Paula Rêgo, entre outros artistas.

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A fundação também disponibiliza ao público exposições de carácter temporário, duas livrarias, uma loja do museu, um restaurante, um café, uma biblioteca, um auditório ao ar livre e uma sala de concertos com vista para o jardim, casa da sua orquestra residente e hóspede de tantos músicos clássicos de renome internacional.

É por estas e por muitas outras razões que, na minha opinião, uma visita à Gulbenkian é obrigatória. E se tudo isto não bastasse, concluo com a nota de que o edifício sede, o museu e o parque foram classificados como Prémio Valmor 1975 e monumento nacional em 2010.

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Literatura Norte-Americana

Madame Chic

Estou grávida pela segunda vez, o que significa que os meus hábitos de leitura sofreram uma grande alteração. Durante cerca de dois meses e meio não consegui ler um único livro devido aos fortes enjoos que sofri, algo que eu já esperava pois também sucedeu aquando da minha primeira gestação.

Para sair deste impasse eu sabia que tinha de começar por algo não muito exigente, com um tema que me interessasse e com uma linguagem fácil. Foi por isso que decidi comprar a trilogia Lessons From Madame Chic, de Jennifer L. Scott, uma youtuber californiana que sigo há já alguns anos.

Lessons from Madame Chic, At Home with Madame Chic e Polish Your Poise With Madame Chic são livros de lifestyle com dicas preciosas sobre como governar uma casa e cuidar da família, enquanto cuidamos de nós próprias. Era justamente o que eu procurava, pois organizar o nosso tempo enquanto trabalhamos e temos bebés não é tarefa fácil.

Jennifer L. Scott escreveu a sua obra após passar seis meses em Paris num programa de intercâmbio entre alunos americanos e franceses. Ali ficou hospedada na casa da Famille Chic, onde, de certa forma, aprendeu os truques que agora revela nos seus livros. Foi uma experiência que lhe mudou radicalmente a vida e da qual gosta muito de falar. Pessoalmente, também sempre me senti atraída por temas sobre beleza, saúde, saber viver, alimentar a alma através das artes, limpeza e organização da casa, tentar ser a melhor mãe possível e andar apresentável e bonita no dia-a-dia. E estes livros foram o remédio para a minha demanda.

Agora já me sinto melhor e creio já conseguir ler a literatura clássica de que tanto gosto, contudo devo confessar que os três livros da Madame Chic foram perfeitos para eu ser capaz de sair desta travessia do deserto e me dedicar, por fim, à leitura.

Unknown

Literatura Portuguesa

D. Afonso Henriques

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Sou uma apaixonada por História e particularmente por famílias reais, por isso quando vi este livro na Bertrand (o primeiro de uma coleção da Temas e Debates de biografias escritas por vários autores sobre todos os monarcas de Portugal) soube de imediato que o queria ler.

D. Afonso Henriques (2007) foi escrito pelo conceituado historiador José Mattoso e narra a história de vida do primeiro rei de Portugal. Ficamos a saber sobre os seus pais, o seu entorno, a sua vida em geral, descendência, conquistas e governação. Tudo o que eu sabia sobre ele aprendi na escola, e o que este livro fez foi aprofundar o meu conhecimento não só de D. Afonso Henriques, mas de Portugal e do seu início. Apesar de ser um livro de História, não é maçudo nem aborrecido. José Mattoso escreve muito bem e o seu estilo explicativo é muito claro e tem um ótimo ritmo.

Gostei muito desta experiência literária. A princípio estava com receio de me perder na narração ou de não gostar ao ponto de desistir (algo que raramente faço), contudo a prosa interessante e o tema fascinante fizeram com que eu continuasse a querer saber sempre mais e mais. Não conseguirei completar a coleção porque esta deixou de ser editada, porém, estou a ponderar comprar a biografia de D. João, Mestre de Avis que sei que ainda se encontra à venda. A História dos nossos reis é a História de Portugal. Quão admirável é saber de onde viemos? Para mim, muito.