Literatura Europeia

Scaramouche

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A Sextante Editora está a lançar uma coleção de livros de aventuras muito interessante. Já comprei três títulos: As Aventuras de Robin dos Bosques (1883), de Howard Pyle, Os Três Mosqueteiros (1844), de Alexandre Dumas, e Scaramouche (1921), de Rafael Sabatini. Comecei logo a ler este último porque fiquei retida numa situação em que tinha de esperar algum tempo e, em vez de estar no telefone, decidi mergulhar de cabeça neste romance passado durante a Revolução Francesa.

No início, nada sabia sobre a história e até cheguei a pensar que poderia ser sobre um amor proibido, no entanto, à medida que fui avançando, comecei a perceber que se tratava de uma narrativa sobre a maturação de um rapaz. André-Louis nasce no seio de uma família aristocrata, mas revolta-se contra a sua classe social quando o Marquês de La Tour mata o seu melhor amigo num duelo. A partir daí, a história transporta-nos para uma ficção baseada na realidade, e ensina-nos um pouco do que terá sido a Revolução que levou à queda da monarquia absolutista em França e à reorganização das suas classes sociais.

Gostei muito de Scaramouche. Está bem escrito, é divertido e tem um twist no final que eu não esperava. Quando terminei pensei imediatamente que daria um grande filme e, ao fazer uma pesquisa na rede, vi que em 1952 foi realizada uma película com Stewart Granger e Mel Ferrer. Ainda não a vi, mas, se for igual ao livro, promete!

Literatura Britânica · Literatura Europeia

Silas Marner

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Sempre quis ler este livro, não só porque a sua autora é George Eliot (de quem sempre ouvi falar na faculdade), mas também porque a capa é a imagem de um homem a pegar afectuosamente na mão de uma criança, o que, para uma recente mãe, é atractivo.

Silas Marner (1861) conta a história de Silas, um homem injustamente acusado de roubo, que decide mudar de cidade para começar uma vida nova. Trabalha como tecelão e consegue acumular uma pequena fortuna que conta todos os dias à noite, antes de se deitar. Certa vez, repara que foi roubado e cai numa grande depressão. Após um passeio solitário pelas redondezas, ao chegar a casa encontra uma criança de dois anos a dormir, sozinha, aos pés da sua lareira.

A história de Silas cruza-se com a de outras personagens igualmente importantes para o livro, mas ao expô-las aqui só complicariam o meu resumo. E é exatamente essa a única crítica que tenho a fazer à obra: é demasiado curta para um enredo tão cheio. Na minha opinião, o livro carece desenvolvimento. Acontece tudo demasiado depressa sem que o leitor tenha tempo de digerir o que acabou de suceder. Sem ser isso, creio que é um texto bastante bom, a escrita de Eliot é simples e agradável de ler, e a história é ternurenta com o final que eu secretamente desejava. Uma óptima opção para começar a mergulhar no trabalho desta escritora.

Literatura Britânica

Os Luminários

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Como gosto muito de clássicos dou por mim a ler escritores que fazem parte do cânone da literatura ocidental, seja portuguesa, americana, inglesa ou espanhola. Contudo, por vezes também me apetece ler autores mais contemporâneos. O problema é que não sou muito boa a julgar livros pela capa, e já me aconteceu comprar exemplares que não consigo passar do primeiro capítulo. Por isso, decidi estar atenta aos prémios de renome que galardoam obras saídas nesse ano. Um deles é o Man Booker Prize, de Inglaterra, que visa premiar o melhor livro escrito em língua inglesa. Foi assim que cheguei a este Os Luminários, vencedor no ano de 2013.

Eleanor Catton não me era uma escritora desconhecida. Li O Ensaio (2008) e devo dizer que não foi do meu agrado, mas resolvi dar-lhe outra oportunidade devido à críticas extremamente positivas que recebeu. Os Luminários (2013) tem 832 páginas e foi considerado o romance da Nova Zelândia, país originário de Catton e onde decorre a acção da obra. No século XIX, e em plena febre do ouro, o advogado Walter Moddy chega a Hokitika com a esperança de fazer fortuna. Em vez disso, dá por si a participar numa tensa “reunião” de doze homens locais num dos hotéis da cidade, onde se vê envolvido num mistério sobre a morte de um garimpeiro, o suicido mal sucedido de uma prostituta e o desaparecimento de um milionário. A partir daqui, Catton narra-nos a História dos pioneiros da Nova Zelândia, quem eram e como viviam, enquanto resolve o mistério acima referido. Para além disto (e como se fosse pouco), ainda dá ao seu romance uma aura mística ao atribuir a cada personagem um signo do zodíaco, fazendo-a comportar-se de acordo com as suas características.

É uma história longa e cheia de camadas que exige um compromisso grande da parte do leitor, mas lê-se bem e com toda a compreensão. É acima de tudo um exercício estrutural magnífico que, de tão bem feito, nem parece existir. Foi uma bela surpresa. Não só gostei do mistério e do crime, como também aprendi muito sobre a Nova Zelândia. Recomendo.

Literatura Norte-Americana

A Letra Escarlate

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Eu adoro quando um livro me arrebata. Adoro. E estou sempre à procura de um que me tire o fôlego e seja um murro no estômago. A Letra Escarlate foi tudo isso e muito mais.

Nathaniel Hawthorne sempre quis ser escritor e foi com A Letra Escarlate (1850) que conseguiu entrar no panteão da posteridade. Hester Prynne surge à saída da prisão com um bebé nos braços e um “A” escarlate ao peito. Perguntam-lhe quem é o pai da sua filha, mas ela recusa-se a revelar, preferindo carregar o peso da responsabilidade sozinha. Entretanto, na multidão, um homem mais velho recém-chegado à colónia de Nova Inglaterra, onde decorre a acção, olha-a nos olhos e leva o dedo aos lábios pedindo-lhe silêncio…

Esta obra fala sobre a estigmatização social e a humilhação pública das personagens que cometem um crime aos olhos dos Puritanos, regentes da colónia segundo a Lei divina. Tudo o que seja pecado, tentação ou desvirtuamento é mal visto numa sociedade que não hesita em excluir e envergonhar os que não cumprem os costumes estabelecidos pela Igreja, neste caso, Anglicana. Nathaniel Hawthorne critica, assim, os cristãos radicais,  escusando-se numa narrativa ficcional a que chamou simplesmente de “Um Romance”.

Gostei muito, muito, muito deste livro. E Hester Prynne é a minha nova heroína feminina. A Letra Escarlate foi até agora foi um dos meus livros preferidos do ano e já é seguramente um dos preferidos de sempre. Recomendo vivamente.

Literatura Britânica · Literatura Europeia · Literatura Policial

Os Cadernos Secretos de Agatha Christie

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Sou uma fã incondicional de Agatha Christie. A primeira vez que li uma das suas obras foi no 11º ano, a nossa professora de Inglês quis testar o nível de Lingua escrita da turma e escolheu And There Were None (1939) para o fazer. O exercício consistia em lermos o livro e fazermos um teste com apenas quatro perguntas de interpretação. Na altura, as coisas não me correram muito bem, mas o bichinho da Rainha do Crime ficou e sigo-a desde então. É, de longe, a autora que mais leio.

Os livros de Agatha Christie não são difíceis de ler. A sua escrita é acessível e fácil de entender, o que permite ao leitor mergulhar na história, concentrar-se nos pormenores e deleitar-se com o ritmo do suspense. Este é um dos motivos que John Curran aponta para o sucesso da escritora, juntamente com a invenção de um detetive interessante e original que alcançou tanta fama que chegou mesmo a ultrapassar a da sua criadora. Nestes cadernos encontrados ao acaso numa das casas de Christie, Curran descortinou o seu método de trabalho, a forma como elabora as histórias, como escolhe as personagens e o género de crime que prefere aplicar. Reuniu tudo num livro a que chamou Os Cadernos Secretos de Agatha Christie (2009), uma obra mais consultiva do que propriamente para ler de fio a pavio onde o autor aborda quase todas as obras da Rainha do Crime.

Creio que este registo é muito curioso e intrigante para qualquer fã de Christie. Explica bem como a escritora pensava no delito e chegava ao assassino. Parece que entramos na sua mente e a vemos funcionar. Eu apenas aconselho a não lê-lo todo de seguida porque John Curran revela, por vezes, o final de algumas obras. A minha estratégia é ler o livro de Christie e consultar depois a obra de Curran. Desta forma, a leitura fica mais completa e enriquecida. E, como bónus, no final, estão publicados dois contos inéditos de Poirot. O que é que um fã quer mais?

Literatura Europeia

A Insustentável Leveza do Ser

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Comprei este livro em 2011 por ser um clássico muito referido no meu curso da faculdade. No entanto ainda não o tinha lido. Sempre me pareceu um pouco pesado e filosófico e nunca me tinha apetecido pegar-lhe. Não sei porque o fiz agora, mas a verdade é que apesar de ser intrigante, a minha ideia inicial não estava muito longe da verdade…

A Insustentável Leveza do Ser (1984) é um romance existencialista que se foca em quatro personagens principais, Tomas, Tereza, Sabina e Franz. Tomas e Tereza são um casal, mas Sabina é uma das amantes de Tomas e Franz um amante de Sabina. Todos eles são checos e assistem à invasão de Praga por parte dos comunistas russos. As suas vidas, até aqui estabilizadas e com boas profissões, sofrem grandes tumultos e eles vêem-se obrigados a fugir da República Checa por não concordarem com os ideias sovietes, ou a ficar para terem de recomeçar tudo de novo. No meio destes acontecimentos, ainda têm de lidar com questões pessoais profundas que os afetam imensamente.

O mote desta obra é a história do próprio Milan Kundera que enquanto jovem estudante checo foi expulso da universidade por não concordar com a invasão do seu país. Mais tarde, teve de se exilar em Paris onde foi acolhido quando também lhe retiraram a nacionalidade checa. Aqui, Kundera recupera um pouco do que se passou em 1968 para retratar a vida do cidadão comum e refletir sobre esse tempo através de personagens ambíguas que tentam sobreviver como podem. Trata-se de um texto filosófico e pesado que por vezes vai por caminhos inesperados e difíceis, pelo que o leitor deve estar atento de modo a não perder o fio à meada. Seja como for, é uma leitura interessante que nos ensina um pouco sobre a História da Republica Checa enquanto nos mostra como a natureza humana lida com a adversidade e os fantasmas interiores.

Literatura Norte-Americana

Tolstoy and the Purple Chair

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Conheci a história de Nina Sankovitch há uns anos e fiquei completamente deliciada com ela. No entanto, não me atrevi a comprar o livro da autora até agora. Curiosamente, comecei a lê-lo no final de janeiro e, a meio da sua leitura, deu-se um acontecimento maravilhoso na minha vida: o nascimento do meu primeiro filho. Por isso, tal como os livros que Nina lê, esta obra ficará ligada à minha própria história para sempre.

Nina Sankovitch é uma pacata mulher americana que perdeu prematuramente a irmã mais velha para o cancro. Este acontecimento trágico afetou-a de tal modo que ela decidiu passar literalmente um ano inteiro a ler um livro por dia. Ia com frequência à biblioteca local levantar obras pouco extensas para poder cumprir a sua tarefa e, assim, lidar com o sofrimento que a perda de Anne-Marie lhe provocou. O resultado é Tolstoy and the Purple Chair (2011), uma linda ode aos livros e à leitura que estabelece uma intertextualidade curiosa com a própria existência da autora. Nesta obra, Nina narra-nos a sua vida através dos livros que mais a marcaram e ensinaram a lidar com a realidade contemporânea, nem sempre fácil de suportar. É um desabafo cândido e sincero de uma pessoa que adora livros e os vê como ferramentas importantes para lidar com a vida e aprender com ela.

Gostei muito deste livro. Trata-se de uma obra simples mas inocente e despretensiosa, cujo objetivo é apenas dizer que os livros nos marcam em várias alturas da nossa vida. Como já referi, este em particular esteve presente num momento muitíssimo importante da minha. Por isso mesmo nunca será esquecido.

Literatura Britânica

The Man Who Was Thursday

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Gosto muito da coleção Penguin English Library, tendo já comprado vários dos seus exemplares. Tratam-se de clássicos britânicos que qualquer amante da cultura inglesa gostaria de ler. Para além disso, as capas são artísticas, o tamanho é perfeito para ter nas mãos, a maior parte dos livros é leve e fácil de transportar e o papel é agradável ao tato. O (enorme) bónus é o facto de as lombadas serem muito coloridas e ficarem perfeitas numa estante. Por isso, quando vi esta obra de G. K. Chesterton e li a contracapa que dizia tratar-se de um livro de espiões, não hesitei e adquiri-a de imediato.

The Man Who Was Thursday (1908) passa-se em Londres num período em que a ameaça anarquista paira no ar e amedronta a população com o constante prenúncio terrorista. Syme, um homem que não acredita neste movimento, é abordado por um polícia que o convence a assistir a uma reunião anárquica (sob o pseudónimo de Thursday) e a tentar decifrar o que lá ocorre sob a chefia do temível Sunday. Nessa reunião, Syme acaba por descobrir que um dos objetivos do grupo é bombardear um encontro entre duas personalidades em França, e também se apercebe que, para além dele, todos os outros participantes são policias disfarçados, à exceção de Sunday.

Esta narrativa foi muitas vezes descrita como um thriller metafísico em que nada parece fazer sentido. O início é relativamente normal, mas a meio a história ganha contornos fantásticos que parecem não ter nexo. No final ficamos um pouco confusos e não percebemos bem o que acabámos de ler, quando nos damos conta de que o subtítulo do livro é O Pesadelo e nos apercebemos de que tudo não passa de um sonho decorrido numa realidade que não é a nossa. Se virmos a obra desta maneira ela acaba por ter alguma coerência. Pelo menos foi o que aconteceu comigo. De qualquer forma, é uma história estranha. Para quem espera um romance de espiões, desengane-se, este livro não o é. Para quem gosta de algo mais alternativo ao estilo de Alice no País das Maravilhas, acho que ficará maravilhado com Chesterton. Seja como for, até agora, foi o livro da Penguin English Library de que menos gostei. Não é mau, só não é para mim.

Bibliotecas do Mundo

Biblioteca Pública de Estocolmo

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A Biblioteca Pública de Estocolmo foi inaugurada no dia 31 de março de 1928. O seu arquitecto, Erik Gunnan Asplund, inspirou-se parcialmente no edifício francês Barrière de San Martin para criar um dos edifícios mais emblemáticos da cidade.

Para além da forma cilíndrica, a grande inovação que esta biblioteca trouxe foi o facto de os leitores não terem de pedir os livros que procuram aos funcionários, podendo retirá-los diretamente das prateleiras abertas. De um lado estão os livros em sueco, do outro os livros em línguas estrangeiras. As obras podem ser devolvidas em máquinas próprias que os recolhem automaticamente e emitem um comprovativo a dá-los como entregues.

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A Biblioteca Pública de Estocolmo possui mais de 2 milhões de livros, 2 milhões e meio de cassetes, CD e audiolivros. É um verdadeiro ponto de interesse da cidade, não só pelo seu desenho arrojado, como também pela vida que tem e pelo interessantíssimo conteúdo. Recomendo vivamente.

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Literatura Britânica

O Amante de Lady Chatterley

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Este livro foi pela primeira vez editado em 1928 e causou tanto espanto que acabou por ser censurado e proibido em Inglaterra. D. H. Lawrence quis escrever uma narrativa sobre sexo carnal não à moda do vulgaríssimo Marquês de Sade, mas num estilo erótico- realista que acabou por chocar muita gente num país ainda a recuperar dos ideais vitorianos. Hoje, é considerado uma obra-prima.

O Amante de Lady Chatterley (1928) conta a história de Connie, uma rapariga proveniente de uma família liberal, que desde cedo embarca em aventuras sexuais sem se importar com as convenções. Acaba por se apaixonar por Clifford, um aristocrata de categoria baixa ferido durante a guerra e confinado para sempre a uma cadeira de rodas. Connie não abandona o noivo, decidindo casar com ele e obter o título de Lady Chatterley, contudo, a vivência de ambos vai-se deteriorando e a intimidade inexistente começa a pesar na vida quotidiana da jovem. É neste momento de infelicidade que conhece Mellors, o guarda de caça do marido que também se revela uma pessoa frustrada e em busca de prazeres terrenos.

D. H. Lawrence soube construir uma premissa interessante e dar-lhe um toque de  vulgaridade inocente que pode ter chocado os seus contemporâneos mas que creio que hoje não choca ninguém. As relações sexuais que aparecem na obra são descritas recorrendo a metáforas e caricaturas, normalmente exultando simplesmente o corpo como algo de belo e de que não se deve ter vergonha. A própria relação entre Connie e Mellors dispara para mais do que o mero carnal fazendo com que o sexo não seja apenas uma atividade física entre pessoas frustradas, mas um passo para a comunhão profunda de existências. Apesar disto, creio que a história poderia ter beneficiado de um pouco mais de vontade afetuosa de Mellors e menos de tanta teoria política e existencialista. É um clássico importante, e, por isso, recomendo a sua leitura.