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1001 livros para ler antes de morrer

Há uns anos, vi na Amazon um livro muito interessante para quem gosta de ler: Os 1001 Livros a Ler Antes de Morrer (2010). Claro que não passa da opinião subjetiva de um grupo de críticos internacionais que no-los deseja recomendar, porém para um leitor ávido não deixa de ser curioso verificar quais são os livros recomendados e/ou quantos  já leu.

O manual está dividido em períodos temporais, começando na Antiguidade com As Mil e Uma Noites (c. 850), e passando depois para os sécs. XIX, XX e XXI, onde termina com a obra The Children’s Book (2009), de A. S. Byatt. Os seus colaboradores provêm dos mais diversos ramos das Letras: Professores universitários de Línguas e Literaturas, editores de prestigiadas revistas literárias, escritores, editores, leitores universitários, jornalistas. As suas nacionalidades são igualmente variadas: americanos, ingleses, franceses, espanhóis, suecos, brasileiros, italianos, neo-zelandeses, alemães, portugueses. Creio que talvez façam falta latino-americanos, africanos e asiáticos, mas a verdade é que este guia revolve quase exclusivamente em redor da Literatura Ocidental.

Dos 1001 livros recomendados, seis são portugueses: Os Lusíadas (1572), de Luís de Camões, O Crime do Padre Amaro (1875), de Eça de Queirós, O Livro do Desassossego (1982), de Fernando Pessoa, Fado Alexandrino (1987), de António Lobo Antunes, O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984) e História do Cerco de Lisboa (1989), de José Saramago. É claro que estas escolhas são discutíveis, se tivesse sido eu a decidir, mudaria O Crime do Padre Amaro por Os Maias (1888) que me parece uma obra mais conhecida e significativa do legado de Eça de Queirós, no entanto, e tal como mencionei na introdução do artigo, estas escolhas são subjetivas.

Para finalizar, gostaria de referir que dos 1001 livros recomendados li 76 (7,6%). O número não parece nada de especial, todavia, para mim, é encorajador. Enquanto contava, reparei que tenho algumas das obras aconselhadas ainda por ler nas minhas estantes e, apesar da velha máxima: “Tanto para ler e tão pouco tempo”, a verdade é que tenho apenas 35 anos, o que significa que disponho de um longo caminho na leitura dos clássicos considerados vitais para quem quer ter uma cultura literária acima da média.

Evidentemente não vou apenas ler o que o guia sugere, contudo, de vez em quando, sabe bem marcarmos como lidos os clássicos que os entendidos consideram essenciais. Nem que seja por mero divertimento.

Fiódor Dostoiévski · Literatura Europeia · Uncategorized

Crime e Castigo

Aviso: Este texto contém spoilers.

Este foi o terceiro livro de Dostoievski que li, após Noites Brancas e O Jogador. Crime e Castigo é considerado uma das suas obras-primas e não é dificil perceber porquê.

De leitura obrigatória no 8º ano da escolaridade russa, Crime e Castigo (1866), de Fiodor Dostoievki, decorre na cidade de São Petersburgo e conta a história de Raskolnikov, um estudante pobre e desmotivado que penhora tudo o que possui a uma velha prestamista maldosa e mal encarada, de forma a conseguir subsistir. Raskolnikov sente tal aversão pela mulher que planeia assassiná-la com a “desculpa” de que está a fazer um favor à Humanidade e que as pessoas “extraordinárias” que cometem crimes, como ele, fazem-no por um bem maior e não devem, por isso, ser punidas. Quando finalmente se decide, Raskolnikov vai a casa da velha e mata-a com um machado. O que não espera é que a irmã desta apareça nesse preciso momento, passando pela porta que o jovem acidentalmente deixara aberta, o que fará com que ele a tenha de matar também.

Estes dois crimes pesarão na consciência de Raskolnikov ao longo do livro, e o jovem apenas confia o seu segredo a Sónia, uma prostituta de tenra idade que acaba de perder o pai alcoólico num acidente de carruagem e se vê obrigada a sustentar deste modo o resto da família. Contudo, e apesar de o chefe da polícia desconfiar sempre de que Raskolnikov é o autor do crime, e de Svidrigailov (vilão que acaba por se redimir) também o ter descoberto, o jovem estudante acaba por confessar o que fez e é punido com oito anos de trabalhos forçados na Sibéria. Sónia acompanha-o por vontade própria e espera que este cumpra a pena para poderem ficar juntos. No final, após um longo período sem ver a amada por motivo de doença, Raskolnikov senta-se a seu lado, poisa a cabeça no seu colo e chora desalmadamente, arrependendo-se assim do crime hediondo que cometeu.

Crime e Castigo é um daqueles clássicos que não nos sai da cabeça depois de o lermos. Dostoievski tem uma forma muito peculiar de expor a problemática da história, apresentando pontos de vista diferentes de modo a que o leitor consiga pensar por si sobre eles e chegar às suas próprias conclusões. Claro que neste caso estamos a falar de crime: será que pode ser cometido por um bem maior? Será que devemos ter compaixão do assassino? Será que compensa? Todas estas questões nos são apresentadas de vários prismas através das personagens que encontramos.

O que Dostoievski acha necessário mostrar é que um crime pesa sempre na consciência de quem o comete e acaba inevitavelmente por ser descoberto, sendo os seus efeitos trágicos tanto a nível psicológico como físico não só para o autor, como para as pessoas que o rodeiam. Creio que é por isso que os alunos russos de 14, 15 anos têm de estudar a obra na escola, para se aperceberem de que, afinal de contas, o crime não compensa. Recomendo vivamente.

P.S.: Eu já tive a felicidade de visitar a casa de Dostoievski em São Petersburgo. Podem ver as fotografias na secção Casa de Escritores.

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Livraria Lello

No Porto, há uma livraria onde se paga para entrar e onde as filas de visitantes chegam a ser tão grandes como em algumas das atrações da Disneylândia. É a Livraria Lello.

Fundada em 1906 pelos irmãos José Pinto Sousa Lello e António Lello, esta livraria com edifício proeminente juntou na sua inauguração a presença de personalidades como Guerra Junqueiro e José Leite de Vasconcelos. Projeto familiar que foi passando através das gerações da família Lello, o seu grande objetivo sempre foi ser um importante polo cultural da cidade do Porto, com galeria de arte e de tertúlia, para além de simples livraria.

No início do século XXI, o edifício de estilo neogótico e repleto de vitrais foi totalmente restaurado, recuperando a sua essência original. A decorá-lo encontram-se bustos dos mais ilustres escritores portugueses, Antero de Quental, Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco, Teófilo Braga, Tomás Ribeiro e Guerra Junqueiro; uma escadaria em madeira entalhada que dá acesso ao primeiro piso; e o teto elaborado em vitral com o símbolo da livraria, “Decus in Labore” (Formosura no Trabalho).

Reconhecida por muitos como uma das mais bonitas livrarias do mundo, acredita-se também que terá sido nela que a escritora J. K. Rowling se inspirou para criar a escola de Hogwarts da sua aclamada série, Harry Potter.

Estes e outros são os pontos de interesse que nos levam a aconselhar uma ida à Livraria Lello, que em 2016 foi visitada por um milhão de pessoas. Se puder dispensar algum tempo na fila e não se importar de pagar bilhete (que posteriormente poderá ser deduzido na compra de livros), verá uma livraria única no mundo.

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O Paraíso das Damas

O Paraíso das Damas (1883) (no original Au Bonheur des Dames) é uma obra do escritor francês Émile Zola, conhecido como o pai do naturalismo/ realismo. Zola cortou com o romantismo, ramo literário que se encontrava em vigor quando começou a escrever.

Este livro conta a história do nascimento daqueles que podem ser considerados os primeiros grandes armazéns de Paris, nomeados precisamente como o título do livro. A mega loja é um grande sucesso junto das mulheres parisienses, contudo, traz consigo enormes preocupações económicas aos pequenos e médios comerciantes da zona, tema que Zola explora na perfeição no seu texto. De que forma a vida quotidiana de Paris se altera com a “invenção” de um super estabelecimento que vende de tudo a preços muito mais convidativos, e como é que o público em geral a vê a recebe.

Para isso, Zola utiliza Denise, uma jovem da província órfã e responsável por dois irmãos mais novos que chega a Paris para viver com familiares e fica automaticamente encanta com os armazéns. É para lá que vai trabalhar, mesmo contra a vontade do tio, comerciante arruinado por eles. A vida de Denise muda por completo, tal como a de quase todos os que conhece.

Creio que Zola tentou fazer uma alegoria com o surgimento, em 1865, do Printemps, armazéns franceses por excelência que ainda hoje existem conservando a monumentalidade de então. A sua inauguração foi todo um acontecimento e as suas consequências precisamente aquelas que o escritor descreve em Au Bohneur des Dames. O próprio nome do livro me parece uma ironia engraçada, isto é, a cidade e a vida de Paris não se importam de mudar, desde que as mulheres possam ter um sítio onde satisfazer e comprar os seus caprichos. Também a inspiração para a personagem do Barão Hartmann não me parece um acaso se pensarmos no verdadeiro Barão Haussman, responsável pela abertura dos grandes boulevards parisienses e reconstrução da cidade.

Gostei do livro. É uma história original que serve quase como documento histórico para descrever os tempos modernos que o final do século XIX trouxe à capital francesa. A partir do meio torna-se, quiçá, um pouco repetitivo, no entanto o seu contexto realista é suficiente para que se o leia.

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Leituras de Verão

 

Como é costume, este verão passei duas semanas fora, na praia. E, como é costume, levo sempre livros para ler. Este ano, decidi ser (demasiado) ambiciosa e por de parte cinco livros para levar. Não estava com muita fé de os ler a todos, mas… li!
O primeiro livro que comecei a ler quase não viu a luz do sol, pois foi quase todo lido em casa, só precisei do primeiro dia de férias para o terminar. Trata-se de O Jogo de Espelhos, de Agatha Christie. A autora, como já devem saber, é sempre uma das minhas companheiras de verão, se bem que este ano troquei o Poirot pela Miss Marple.
A seguir, apeteceu-me uma leitura um pouco mais “pesada” e escolhi o Animal Farm, de George Orwell. Como nunca tinha lido nada deste autor (o 1984 está na minha prateleira há alguns anos…) estava com um pouco de receio de ser demasiado lento e complicado para ser lido à beira-mar. Nada mais errado. Esta obra foi uma das grandes surpresas do ano e, consequentemente, umas das minhas leituras de verão preferidas.
Depois, para acalmar um pouco os ânimos, decidi pegar no maior livro que levei: The Lost Symbol, de Dan Brown. E foi passar do céu ao Inferno… Não gostei nada do livro. Pela primeira vez na vida saltei parágrafos porque estes não faziam falta nenhuma à história, e a vontade de lhe pegar era tanta que passei alguns dias sem ler. Regressei porque queria terminá-lo depressa para ver se o acabava e começava os outros que me faltavam. Enfim… um pesadelo.
Para ver se melhorava um pouco os meus dias, depois de uma experiência de leitura tão má e arrastada, decidi ler Wonder, de R. J. Palacio. Uma ótima decisão, pois fui ao céu outra vez. Que tesouro escondido! A escrita é fluida, muito interessante, a premissa é genial e a leitura é uma descoberta constante. Adorei este livro e acho que toda a gente o devia ler, principalmente os adolescentes.
Como término, tanto das férias, como da pilha que levei, e sentindo-me muito otimista por perceber que ia de certeza concluir o meu recto e ler todos os livros a que me propusera, peguei no que restava, Anne dos cabelos ruivos, de Lucy Maud Montgomery. Mais uma vez, não me enganei. Adorei ler este livro, não o consegui pousar. Claro que eu já conhecia a história por causa da série de desenhos animados que dava na televisão quando eu era pequena, mas foi um gosto revê-la e lembrar-me desses tempos passados.
E assim conclui as minhas leituras de verão. O balanço é muito positivo, não só porque consegui ler todos os livros que levei, como também descobri novos autores e apercebi-me de que não vale a pena insistir em géneros de que não gosto. Foram umas belas férias!
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Feira do Livro de Lisboa 2016

Este sábado, dia 28 de maio, fui à recém inaugurada Feira do Livro de Lisboa 2016. O dia estava bonito e a lista de autores para as sessões de autógrafos (o que verdadeiramente me interessava) era bastante apelativa. 
Fui em busca dos meus livros que queria ver autografados e recolhi três: O Vendedor de Passados, de José Eduardo Agualusa; A Nau de Ícaro, de Eduardo Lourenço; A verdade sobre o caso Harry Quebert, de Joel Dicker. Destes, ainda só li o primeiro. 
Nas sessões de autógrafos fico geralmente muito envergonhada e não consigo manter uma conversa decente com o escritor. Limito-me a cumprimentá-lo, a dizer que gostei muito do livro, caso o tenha lido, a dizer o meu nome, a agradecer, quiçá a tirar uma fotografia e a ir-me embora porque há mais gente na fila. Foi o que aconteceu desta vez. Os escritores foram muito simpáticos e amáveis, o Eduardo Lourenço comentou comigo o ambiente da feira e o Joel Dicker, ao ouvir-me cumprimentá-lo em francês, perguntou-me se eu falava a sua língua e fico contente quando lhe pedi o autógrafo em francês. 
Também aproveitei para comprar alguns livros a preço de saldo. Poucos, porque estou a tentar reduzir ao máximo a minha pilha de livros para ler. Foram eles;
Silas Marner, de George Eliot
A Pair of Blue Eyes, de Thomas Hardy
Rob Roy, de Sir Walter Scott (já o li mas não tinha a cópia do livro)
Peter Pan, de J. M. Barrie
A Arte da Guerra, de Sun Tzu
No próximo sábado voltarei à Feira do Livro para assinar outras obras.
Até já!

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2015 em leituras

O ano de 2015 foi muito interessante no que aos livros diz respeito. Ao todo li 23 livros de diferentes géneros literários: clássicos, policiais, autobiografias, infantojuvenis, não ficção. Eis a lista completa por ordem cronológica de leitura:
Um Espião Perfeito, John le Carré
Contos de Washington Irving, Washington Irving
O amor nos tempos de cólera, Gabriel García Márquez
O assassinato de Roger Ackroyd, Agatha Christie
D. Quixote de La Mancha, Miguel de Cervantes
História da Beleza, Umberto Eco
A maravilhosa viagem de Nils Holgersson através da Suécia, Selma Lagerlof
O Sentido na Vida, Susan Wolf
Autobiografia de Agatha Christie
O misterioso caso de Styles, Agatha Christie
Go set a watchman, Harper Lee
O país que não resgatou os seus bancos, Marc-Pierre Dylan
Ausente na Primavera, Agatha Christie
O Adversário Secreto, Agatha Christie
A magia do império Disney, Ginha Nader
O retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde
A Túlipa Negra, Alexandre Dumas
A Mulher de Branco, Wilkie Collins
The Monogram Murders, Sophie Hannah

Flor de Mel, Alice Vieira

Os Interessantes, Meg Wolitzer

Noites Brancas, Fiodor Dostoievki
The Goldfinch, Donna Tart
Como devem ter reparado não fiz criticas sobre todos os livros que li, por falta de tempo ou de vontade, não sei. Espero ser mais rigorosa em 2016. 
Vamos aos factos:
A autora que mais li foi Agatha Christie. Sou uma grande fã e ainda não me desapontei com nenhuma das suas obras. Pelo contrário, a sua autobiografia foi um dos livros que mais gostei de ler, e o Ausente na Primavera foi uma agradável surpresa.
Na minha lista continuam a imperar os clássicos, aparecendo de vez em quando livros de não ficção e uma ou outra novidade. Os livros de que menos gostei foram, sem dúvida, O Sentido na Vida e Um Espião Perfeito. Os que mais gostei foram O assassinato de Roger Ackroyd, D. Quixote de La Mancha, Autobiografia de Agatha Christie, A magia do império Disney, O retrato de Dorian Gray e Noites Brancas. As maiores surpresas foram A História da Beleza, O país que não resgatou os seus bancos, Ausente na Primavera e The Monogram Murders. Os livros que não foram aqui mencionados revelaram-se leituras agradáveis.
Os meus desejos para 2016 são ultrapassar a fasquia dos 23 livros e tentar escrever uma crítica para cada uma das minhas leituras.Venha ele e boas leituras para todos!
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Balanço 2014

Feliz ano novo! Pois é, 2014 já lá vai e é altura de fazer balanços. Para mim, tratou-se de um ótimo ano, tanto em termos pessoais, como profissionais. Em relação aos livros também foi bastante mais positivo do que negativo.
Ao todo li 22 livros em 2014 (nada mau, apesar de nos meses de abril e dezembro não ter conseguido  ler tanto como gostaria por circunstâncias da vida). 
Eis a lista por ordem cronológica:
O Assassinato do Arquiduque, Sue Woolmans
Farenheit 451, Ray Bradbury
Persuasão, Jane Austen
Mary Poppins, P. L. Travers
Maus, Art Spiegelman
The Fault in Our Stars, John Green
A Princesa de Gelo, Camilla Lackberg
Drácula, Bram Stoker
O Corsário Negro, Emilio Salgari
A Mulher Que Decidiu Passar Um Ano na Cama, Sue Townsend
O Deus das Moscas, William Golding
O Ensaio, Elanor Catton
A Viagem dos Inocentes, Mark Twain
Nova Iorque, Brendan Behan
Ferrugem Americana, Philip Meyer
Werther, Goethe
– Cards on the Table, Agatha Christie
The Ocean At The End of the Lane, Neil Gaiman
Catch 22, Joseph Heller
13 Deadly Ghosts Stories, vários autores
O Voluntário de Auschwitz, Witold Pilecki
To Kill a Mockingbird, Harper Lee
Gostei da maioria dos livros que li. Aprendi com eles, diverti-me com eles, senti-me bem com eles. No entanto, houve uns que me marcaram mais do que outros. Os que menos gostei foram A Mulher Que Passou Um Ano Na Cama e The Ocean at the End of the Lane.
Os que mais gostei foram Dracula, Maus, O Deus das Moscas, Werther e To Kill a Mockingbird. Trataram-se de verdadeiros pontos altos do meu ano. Fizeram-me refletir sobre o mundo, sobre mim, sobre a vida, sobre o passado, presente, futuro… Deram-me uma valente ressaca literária e só queria dizer a todos para os lerem porque são maravilhosos. (Leiam-nos! Todos têm artigos no blogue)
Espero que 2015 me traga aventuras literárias tão boas como as de 2014. Espero também conseguir fazer artigos para todos os livros que leio (o que acabou por não acontecer no ano passado) de forma a poder partilhar convosco a minha opinião. 
Desejo-vos um excelente ano e boas leituras!
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13 Contos de Terror…

O Halloween foi há uma semana, contudo, quero falar-vos de um livro fantasmagórico…

13 Tales from the Dead of Night é uma obra composta por treze contos sobre fantasmas, organizada por Cecily Gayford. A estudiosa de literatura inglesa escolheu trabalhos de escritores famosos como Edith Wharton e Rudyard Kipling, e de outros menos conhecidos (pelo menos, para mim) como E. Nesbit e Ruth Rendell. Apesar de a temática ser a mesma, os contos são diversificados, passados em épocas distintas, e de diferentes tamanhos. 
Confesso que os melhores foram os primeiros e os últimos. O livro começa por prometer-nos histórias estranhas sobre acontecimentos sobrenaturais inexplicáveis, mas acaba por cair no aborrecimento com histórias confusas, um pouco mais difíceis de acompanhar e muito menos assustadoras. Após a superação do meio, volta ao brilhantismo inicial, deixando o leitor com sede de mais. 
Os meus contos preferidos foram, sem dúvida, The Clock, de W. F. Harvey, The Crown Derby Plate, de Marjorie Bowen, The Haunting of Shawley Rectory, de Ruth Rendell e The Phantom Rickshaw, de Rudyard Kipling. 
Apesar de apenas ter mencionado quatro, creio que todos os contos estão muito bem escritos e merecem ser lidos. A edição de capa dura da Profile Books está linda e convida-nos a sentarmo-nos no sofá para sermos assustados. Bons pesadelos…
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…e o que os miúdos leem hoje em dia.

Um dos grandes sucessos infantojuvenis da atualidade é, sem dúvida, a série Cherub, do autor britânico Robert Muchamore. Com cerca de duas dezenas de livros publicados, esta coleção provou que os meninos e meninas afinal também gostam de histórias de espiões à la 007.
O primeiro livro da coleção, e provavelmente o que conheceu mais êxito, é O Recruta. Aqui conhecemos o protagonista da série, James, e a forma de como ele vai parar à Cherub, uma organização secreta que em vez de alistar espiões adultos alicia crianças por serem agentes “menos óbvios”. A história está cheia de momentos de ação, e a sua narrativa é parecida à de um filme. Enquanto pretende cativar o público-alvo com cenas divertidas e episódios tumultuosos, deseja, ao mesmo tempo, mostrar-lhe um pouco do passado recente inglês e ajudá-lo a compreender como funciona o atual mundo da política e da grandes organizações mundiais.
De forma geral, compreendo que o livro seja cativante para os mais novos porque tem cenas engraçadas que os fazem rir e fala de um miúdo da idade deles que se torna espião ao serviço do seu país, uma fantasia interessante e íntima que faz sonhar qualquer adolescente. No entanto, enquanto leitora mais experiente, devo admitir que achei o livro violento, preconceituoso para com os mais gordinhos e com uma história pouco original. Os clichés sucedem-se e as cenas acontecem tão rapidamente e de maneira tão desconcertada que por vezes não percebemos como passámos de um episódio para outro. As personagens, à exceção de James, são vazias, sem história, e acrescentam pouco à obra.
Não creio que O Recruta seja um livro que encha a vida de um adolescente nem que, muito menos, o marque nessa fase tão importante. É apenas mais um passatempo, divertido e cativante, sem dúvida, mas com pouco conteúdo e não muito memorável. Resumindo: O Corsário Negro 1 – 0 O Recruta.