As Crónicas de Fernão Lopes

Decidi ler mais um livro português neste meu mar de literatura estrangeira.
Lembro-me de na escola e na faculdade grande parte dos professores de História e Português aconselharem a leitura de As Crónicas de Fernão Lopes a todos os alunos. Percebo porquê. Trata-se do trabalho de um dos primeiros “jornalistas” com informação privilegiada junto de governantes e pessoas influentes, que punha no papel (num tempo em que o alfabetismo era raro) o que acontecia nos mais alto círculos reais.
Apesar de ter passado grande parte da vida a relatar o que testemunhava, Fernão Lopes chega-nos sobretudo como autor de três crónicas essenciais para melhor entendermos a nossa História: as de D. Pedro, D. Fernando e D. João I. Nestes documentos, o cronista do reino conta-nos o que ocorria na corte destes três reis, como viviam, com quem conviviam, como arranjavam os seus casamentos e, principalmente, como viveram os conturbados anos da crise de sucessão de 1383-85. O leitor fica a saber o que de importante se passava nos bastidores e como até nesse tempo a política e o poder já estavam desenvolvidos.
A escrita de Fernão Lopes é, claro está, datada, porém as edições contemporâneas das Crónicas estão adaptadas ao português atual, o que faz com que qualquer pessoas as consiga ler. Ultrapassada a barreira linguística, o leitor depara-se com uma escrita clara, descritiva e até opinativa, ficando assim a saber o que Fernão Lopes pensava dos episódios ocorridos.
Recomendo vivamente a leitura das Crónicas de Fernão Lopes para quem gosta de ler sobre a monarquia, para quem gosta de História, ou simplesmente para quem tem curiosidade sobre o passado do nosso país.








