Literatura Europeia

A verdade sobre o caso Harry Quebert

Não costumo ler bestsellers. Não tenho nada contra eles, pelo contrário, já li vários, uns melhores, outros piores. Contudo, pela minha experiência, trata-se de livros com pouco conteúdo, excessivamente publicitados por grandes editoras que pretendem vender milhares de exemplares. Neste caso específico, o fenómeno de popularidade não foi tão elevado no nosso país como no resto do mundo ocidental. Talvez tenha sido por isso que o li.

A verdade sobre o caso Harry Quebert (2012) é  o segundo livro de Joel Dicker, um jovem escritor suíço que ganhou o prestigioso prémio Goncourt des Lycéens com esta obra. O protagonista é o jovem escritor Marcus Goldman (alter ego de Dicker), que, sem inspiração,   decide passar uns dias em casa do seu mentor, antigo professor universitário e escritor famoso Harry Quebert. Quando nesse preciso período de tempo o corpo de uma jovem adolescente é encontrado 33 anos após o seu bizarro desaparecimento, Harry transforma-se no principal suspeito. Marcus não acredita na acusação e decide fazer a sua própria investigação. O que conclui é absolutamente surpreendente e dá-lhe inspiração para escrever o seu livro.

A leitura de A verdade sobre o caso Harry Quebert é altamente viciante. Os capítulos são curtos e a escrita de Dicker é simples e clara, dando vontade de virar a página e ler só mais um bocadinho. Apesar de o autor ser suíço, a história é muito americana: a ação decorre no New Hampshire e todas as personagens são quase estereótipos que costumamos ver em filmes e séries sem, no entanto, caírem no lado caricatural. A narrativa está muito bem conseguida, anda para trás e para a frente no tempo sem nunca confundir o leitor, uma proeza de Dicker que, num livro tão longo, é capaz de manter a coerência e a linha de pensamento.

A minha única crítica tem a ver com a extensão do livro. É evidente que um enredo tão complexo e com tantos anos de intervalo tem de ser comprido, no entanto, creio que mais para o final da trama, o autor poderia ter rematado a história um pouco mais cedo e ter dado outro impacto ao desenlace. Foi demasiado quando pela segunda vez parecia ter-se encontrado o culpado que afinal não o era. Compreendo que o propósito seja criar mais suspense ao leitor, mas, após 500 páginas, já não tem tanta graça.

Gostei do livro, acho que é uma boa leitura para quem aprecia thrillers e policias (como eu). O final não é óbvio, não são deixadas pontas soltas, as personagens estão devidamente desenvolvidas, e a escrita de Dicker é clara e agradável, que é o que se pretende neste tipo de literatura. Recomendo.

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