Uncategorized

O Quebra-Nozes

Ontem, no Coliseu dos Recreios, assisti ao Bailado O Quebra-Nozes, interpretado pela companhia Moscow Classical Ballet.

Confesso que sou uma apaixonada por Ballet, arte que vou descobrindo a pouco e pouco. O meu compositor preferido é Pyotr Tchaikovski, autor de O Quebra-Nozes, pelo que a minha expectativa era grande. E não saiu furada. O bailado foi muito bonito, com figurinos elegantes, cenários vivos e coreografias fáceis de acompanhar que davam à história uma simplicidade artística e leve, ingredientes essenciais num belo conto de natal.

Talvez as duas únicas críticas que tenha a fazer são o facto de as sequências da luta entre Quebra-Nozes e os Rei dos Ratos e a da Valsa das Flores terem sido muito paradas. Para quem adora a música de Tchaikovski, a Valsa das Flores é o ponto alto desta representação. Vê-la apresentada de forma simplista e quase sem chama é altamente decepcionante.

De qualquer forma, e de maneira geral, o espectáculo foi muito bem conseguido, captando sempre a atenção do espectador e dançado com uma técnica que apenas os melhores se podem gabar de ter. Todavia, e sobretudo no início, os bailarinos não estavam convenientemente sincronizados. Ainda assim, gostei.

Nota: não posso deixar de mencionar que, para minha grande surpresa, o público de ontem foi generoso, bateu muitas palmas e não tirou fotografias (com flash) durante a apresentação. Nem sequer tossiu muito nos momentos silenciosos, inédito em Portugal…
Literatura Europeia · Uncategorized

Sissi

Desde que fui a Viena, em 1999, fiquei completamente fascinada pela cidade e pela História dos seus últimos anos de realeza. Principalmente pela Imperatriz Elizabeth da Baviera, mais conhecida por Sissi. Ora, foi essa paixão (e admiração) que me levou a ler este livro.

Escrito por Catalina de Habsburgo (uma descendente directa da família da Imperatriz), esta obra promete contar a atormentada vida de Sissi. O que, a meu ver, não aconteceu a 100%. Ou seja, a obra fala-nos efectivamente da monarca e dos seus episódios mais marcantes, contudo, dá sobretudo destaque às personalidades que fizeram parte da sua vida. Senão, vejamos: a narradora é uma rapariga húngara a quem a imperatriz dá guarida e transforma em leitora de húngaro particular. Ela conta-nos tudo através de cartas que envia à irmã, freira num convento. Todos os capítulos têm como título o nome de uma pessoa próxima de Sissi e relatam a sua relação com a imperatriz e a respectiva biografia. Portanto, ao longo do livro são-nos contadas as histórias das pessoas que conviveram com a monarca em vez da sua própria história de vida. O que é pena para quem procura saber mais sobre Sissi, e interessante para quem deseja conhecer o meio envolvente em que ela se movimentava.

Quanto à escrita propriamente dita, na minha opinião, não é nada de especial. Não sei se por culpa do tradutor ou da própria autora. Ajudava saber a língua de partida da tradução ou a língua original do livro.

Algo de que gostei bastante foi das fotografias que podemos encontrar no miolo. Imensas, de Sissi, dos seus familiares, amigos, pessoas importantes da época e até dos palácios que detinham em toda a Europa. Outro pró é a cronologia e uma descrição de todas as personagens no fim do livro. O Prólogo é da autoria de Rodolfo de Habsburgo, arquiduque da Áustria e pai da autora.

Para quem gosta de História europeia e se interessa pela monarquia em especial acho que não seria uma perda de tempo ler este livro. Apesar de tudo, dá-nos uma ideia geral de como era a vida monárquica e política no centro da Europa e desvenda os princípios que levaram à Primeira Guerra Mundial. Eu gostei. Mas, se quiserem um livro que se concentre mais especificamente na vida da Imperatriz Elizabeth aconselho a leitura de outra obra, como por exemplo, A Valsa Negra – Um retrato apaixonante da Imperatriz Sissi, de Ana María Moix ou (um dos meus preferidos sobre o tema) A Valsa Inacabada, de Catherine Clément.

Uncategorized

Inglourious Basterds

Na minha humilde opinião, este é o melhor filme de Quentin Tarantino e um dos melhores elencos de actores de sempre.

Como seria se a História fosse reescrita de maneira cómica e completamente surreal? É a esta pergunta que o novo filme de Tarantino tenta dar resposta. Inglourious Basterds é sobre um restrito número de soldados americanos, auto-intitulados Basterds e comandados por um Brad Pitt digno de Óscar secundário, que tenta chegar a Hitler matando o maior número de soldados nazis possível. A honra? Cortar-lhes o escalpe. O objectivo? Matar Hitler e acabar com a II Guerra Mundial, claro está.

O percurso até Hitler é uma deliciosa aventura que vai colar o espectador ao assento da cadeira de cinema, implorando para que o filme não acabe. Inúmeras situações entre alemães, ingleses, americanos e franceses procuram revelar as diferenças culturais de uma Europa retalhada (sendo as cenas do número três e a da Língua Italiana, seguramente a melhor do filme, disso exemplo) e as igualdades humanas e espirituais de personagens que poderiam ser consideradas uma mistura entre o típico filme de guerra americano com o tradicional filme noire.

As actuações dos actores são extraordinárias, começando por Brad Pitt e acabando em Diane Kruger (aqui surpreendemente mais mázinha e confiante do que nos papeis de loura burra e girl next door que geralmente lhe atribuem). Contudo, há um actor que não posso deixar de mencionar devido à sua maravilhosa performance que, para mim, é a melhor e a alma de todo o filme: Christoph Waltz.

Este (desconhecido) actor austríaco presenteia o público com uma representação incomparável e completamente imprevisível. Lembro-me de que na primeira cena consegue criar um tal ambiente de suspense que me deixou com as mãos coladas aos olhos, totalmente convencida de que ia fuzilar o pobre agricultor. Ora, não só não fuzilou, como conseguiu dar à cena o ambiente ambivalente de dúvida e certeza, transparecendo todo o cinismo, frieza e crueldade com que caracterizamos o típico soldado nazi. Já para não falar que ao longo do filme actua em três línguas diferentes, falando-as a todas na perfeição.

Quanto à direcção e ao argumento, direi apenas que Tarantino se superou. Mesmo que não tenham gostado dos seus filmes anteriores, aconselho-vos na mesma a verem este Inglourious Basterds, pois acho que terão uma bela surpresa. Só uma nota: não se esqueçam de que é um filme de Tarantino, logo tem cenas verdadeiramente violentas. O único contra.

Para rematar: NÃO DEIXEM DE VER INGLOURIOUS BASTERDS!
E bom cinema!