Literatura Europeia · Literatura Juvenil

O Diário de Anne Frank

Devo confessar que só agora é que li este livro. E que pena não tê-lo feito mais cedo. Trata-se de um testemunho magnifico sobre as vitimas do Holocausto que não se encontravam nos campos de concentração, mas que tentavam fugir deles.

Anne dá-nos a imagem perfeita de como era viver com medo dos alemães, num anexo pobre, sem condições, com cada vez menos comida, e com pessoas desconhecidas que se revelaram ser difíceis de conviver. Também nos dá informações históricas como o facto de eles saberem o que se passava nos campos de concentração e de terem a consciência de que se fossem apanhados teriam o mesmo destino que os restantes judeus.
No meio deste testemunho surgem ainda as angústias e as aflições de uma adolescente que entra para o anexo aos 13 anos e que sai de lá para um campo de concentração, onde morre, aos 15.
O Diário de Anne Frank é um livro obrigatório para não se deixar cair no esquecimento aquele que foi um dos episódios mais horrendos da História da Humanidade. E, se por acaso forem a Amesterdão, não podem deixar de visitar a casa de Anne Frank, ou seja, o anexo onde Anne viveu com a familia, os Van Daan e o Sr. Dussel durante dois anos.
Uma história que vale a pena conhecer para não se tornar a repetir.
Literatura Europeia

Eu não tenho medo

Brincando com os amigos numa tarde de muito sol, Michele acaba por esbarrar numa casa abandonada que contem um segredo macabro. Está lá escondido um menino da sua idade, raptado por pessoas da aldeia e deixado a definhar num buraco escuro, sujo e frio, sem água, nem comida.
Este é o ponto de partida de Io non ho paura (Eu não tenho medo), um romance de 2001 da autoria do escritor italiano, premiado em 2007 com o prémio Strega, Niccolo Ammaniti. A acção da história decorre em 1978, numa cidade imaginária do Sul de Itália chamada Acqua Traverse. Tem como personagem principal Michele Amitrano, um rapaz pré-adolescente, curioso e destemido, que desafia os valores dos adultos sofridos e conformados, e tenta encontrar dentro de si o bom senso que lhes falta.
Muito bem escrito e com um ritmo fluente, Io non ho paura espelha a realidade complicada das gentes do sul italiano, que prezam a família acima de tudo, mas que sentem grandes dificuldades em entender-se, em falar sobre os seus sentimentos, e em pôr comida na mesa.
Com um desfecho inesperado mas bonito e ternurento, revelando, mais uma vez, que a força interior, o bom senso e o amor são os motores do ser humano, o livro encerra com um final meio aberto, meio fechado, permitindo várias interpretações ao leitor, mas deixando-o, ao mesmo tempo, com uma dica sobre o que provavelmente terá acontecido. Muito bonito.
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Ler é preciso… E muito.

Why should we bother reading a book? All children say this occasionally. Many of the 12 million adults in Britain with reading difficulties repeat it to themselves daily. But for the first time in the 500 years since Johannes Gutenberg democratised reading, many among our educated classes are also asking why, in a world of accelerating technology, increasing time poverty and diminishing attention spans, should they invest precious time sinking into a good book?
The beginnings of an answer lie in the same technology that has posed the question. Psychologists from Washington University used brain scans to see what happens inside our heads when we read stories. They found that “readers mentally simulate each new situation encountered in a narrative“. The brain weaves these situations together with experiences from its own life to create a new mental synthesis. Reading a book leaves us with new neural pathways.
The discovery that our brains are physically changed by the experience of reading is something many of us will understand instinctively, as we think back to the way an extraordinary book had a transformative effect on the way we viewed the world. This transformation only takes place when we lose ourselves in a book, abandoning the emotional and mental chatter of the real world. That’s why studies have found this kind of deep reading makes us more empathetic, or as Nicholas Carr puts it in his essay, The Dreams of Readers, “more alert to the inner lives of others”.
This is significant because recent scientific research has also found a dramatic fall in empathy among teenagers in advanced western cultures. We can’t yet be sure why this is happening, but the best hypothesis is that it is the result of their immersion in the internet and the quickfire virtual world it offers. So technology reveals that our brains are being changed by technology, and then offers a potential solution – the book.
Rationally, we know that reading is the foundation stone of all education, and therefore an essential underpinning of the knowledge economy. So reading is – or should be – an aspect of public policy. But perhaps even more significant is its emotional role as the starting point for individual voyages of personal development and pleasure. Books can open up emotional, imaginative and historical landscapes that equal and extend the corridors of the web. They can help create and reinforce our sense of self.
If reading were to decline significantly, it would change the very nature of our species. If we, in the future, are no longer wired for solitary reflection and creative thought, we will be diminished. But as a reader and a publisher, I am optimistic. Technology throws up as many solutions as it does challenges: for every door it closes, another opens. So the ability, offered by devices like e-readers, smartphones and tablets, to carry an entire library in your hand is an amazing opportunity. As publishers, we need to use every new piece of technology to embed long-form reading within our culture. We should concentrate on the message, not agonise over the medium. We should be agnostic on the platform, but evangelical about the content.
We must also get better at harnessing the ability of the internet to inform readers, and potential readers, about all the extraordinary new books that are published every year, and to renew their acquaintance with the best of Britain’s rich literary tradition. The research shows that if we stop reading, we will be different people: less intricate, less empathetic, less interesting. There can hardly be a better reason for fighting to protect the future of the book.
by Gail Rebuck (The Guardian)
Literatura Britânica · Literatura Juvenil

Um Cântico de Natal

Desde pequeninos que vamos tendo conhecimento, através da televisão, do cinema ou do chamado boca-a-boca, de histórias que se tornaram clássicos e que, por isso, todos acabamos por conhecer porque vão sendo passadas de geração em geração. O que por vezes não sabemos, é que muitas dessas histórias surgiram da imaginação de escritores dotados, com mais ou menos relevância na sua própria época, e cujos livros foram sendo reeditados ao longo dos tempos e adaptados a formatos mais modernos. É o caso de Um Cântico de Natal, de Charles Dickens.
O que eu já sabia sobre este conto, escrito em 1843, era que um velho rabugento chamado Scrooge (que mais tarde viria a emprestar o nome ao célebre Tio Patinhas [Scrooge McDuck, na versão original], também ele rabugento e somítico), não gostava do Natal e, como tal, receberia a visita de três espíritos do Natal, o do passado, o do presente e o do futuro. Contudo, depois de ler o livro fiquei a conhecer a história completa e a compreender o porquê da sua longevidade e do seu fascínio.
Um Cântico de Natal não é apenas um manifesto que nos diz que o Natal é uma época de amor, paz e harmonia e que, por isso, devemos olhar mais para os outros e tentar adoptar uma atitude fraterna para com eles. Com esta obra, Dickens diz-nos que nunca é tarde para mudar e que apesar de termos tido uma infância difícil e de a vida por vezes ser muito complicada graças aos seus obstáculos naturais que todos encontramos pelo caminho, podemos olhar para ela como algo de bom e dar à nossa família, aos nossos amigos e aos demais o amor e a amizade de que todos precisamos enquanto seres humanos.
Longe de ser um livro moralista ou puramente religioso, Um Cântico de Natal é apenas a visão de um homem sobre a natureza humana e sobre aquilo que mais nos une e nos deixa felizes: a amizade e o gosto pela vida que, segundo ele, apesar de tudo, vale a pena.
Literatura Europeia

História da Polónia

História da Polónia, de Adam Zamoyski, um professor de História nova-iorquino descendente de polacos, é um resumo construtivo e completo, sem ser exaustivo, sobre o passado de uma das nações mais interessantes da Europa.
Como povo com uma identidade social e cultural, a Polónia conheceu o seu ideário na idade média, sendo um dos poucos estados europeus, senão mesmo o único, a viver segundo um regime democrático, onde o parlamento (sejm) elegia o rei, em vez de se sujeitar a uma hereditariedade considerada divina. Como está localizada no centro do continente, com uma excelente fronteira para o Mar Báltico, a Polónia foi, desde sempre, invadida, conquistada e partilhada pelas nações vizinhas que viam naquela extensão de terra um óptimo local de passagem, de recrutamento de exércitos e de vias de comunicação. Não foi por acaso que este país foi o primeiro a ser invadido na II Guerra Mundial e o que, depois do conflito, ficou mais destruído. Ainda assim, a Polónia conseguiu sempre reerguer-se chegando mesmo a dar ao mundo uma das suas primeiras universidades, bibliotecas, constituição «democrática» (3 de Maio), e talentos do calibre de Frederic Chopin, Marie Curie, Nicolau Copérnico, Papa João Paulo II e nada mais, nada menos do que quatro prémios Nobel da Literatura: Henrik Sienkiewicz, Czeslaw Milosz, Wladislaw Reymont e Wislawa Szymborska.
Segundo Adam Zamoyski, esta nação nunca se extinguiu devido ao sentimento de identidade profundo que os polacos possuem. Ainda bem, pois após tudo o que passaram, também eles, ou sobretudo eles, têm direito à liberdade tão merecida.
Literatura Britânica

Winston Churchill

Nas últimas semanas, o jornal semanário Expresso tem editado a segunda série (bem mais interessante do que a primeira, devo dizer) de biografias de algumas das personagens mais famosas e influentes da História: Hemingway, Churchill, Picasso, Keynes, Dalai Lama e John Lennon. Apesar de querer ler todas, comecei por aquela que mais curiosidade me suscitou, a de Churchill.
Nunca soube verdadeiramente porque é que Churchill teve um papel preponderante não só na História britânica, como na mundial. Sabia apenas que tinha sido crucial para a vitória dos Aliados na II Grande Guerra.
Apesar de estas biografias serem um pouco básicas e concisas, revelam os factos mais importantes da vida destas pessoas, ajudando-nos a compreender a razão da sua relevância. Aprendi que Churchill foi um homem teimoso que fez da politica o seu oficio (à parte da literatura, pela qual ganhou um prémio Nobel em 1953), e que fez de tudo para se manter no poder, como trocar várias vezes de partido (do conservador para o liberal, e vice versa), conforme a «crista da onda», isto é, quem se encontrava no poder ou tinha mais hipóteses de lá chegar. Apesar disso, Churchill, um senhor da guerra, foi alguém que viu mais além do que os outros, que guiou as tropas para a vitória sobre Hitler engendrando planos e tomando decisões sem pedir opinião a quase ninguém. Finda a guerra, porém, perdia as eleições para primeiro-ministro (com quase setenta anos) e acaba por morrer de velhice e de vários AVCs em 1965.
Uma biografia interessante, acompanhada por diversas fotografias e escrita por um jornalista alemão, Sebastian Haffner, que viveu no tempo de Churchill.
Esta série não deseja ser pretensiosa, nem substituir as grandes biografias dos seus visados, trata-se somente de uma abordagem ligeira para um público massificado que tem vontade de descobrir e de saber mais sobre algumas das personalidades que fazem parte do nosso imaginário colectivo. Recomendo.
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After Dark, Os Passageiros da Noite

Haruki Murakami foi-me aconselhado por uma amiga conhecida no nosso grupo por ter um gosto bom, moderno e alternativo no que à cultura diz respeito. Geralmente, o que ela me aconselha choca com o meu gosto pessoal de forma positiva, e Murakami não foi excepção.
After dark, Os Passageiros da Noite é um livro muito intenso sobre os sonanbulos e a vida nocturna de uma cidade grande japonesa. Aqui as personagens não abundam, conhecemos apenas a jovem Mari, que passa as noites a ler num café chamado Denny´s, que se cruza com um rapaz, Takahashi, que aproveita a noite para tocar com a sua banda. É a partir desta relação, que no inicio não se percebe muito bem se começa por amizade ou por uma atracção física, que ficamos a conhecer os dramas das personagens e da cidade onde residem, que opera aqui como metáfora para todo o Japão, e o porquê de uma visão tão triste, própria e, ao mesmo tempo, esperançosa do mundo.
Sem ser um livro moralista, longe disso, Murakami alerta-nos para a solidão da modernidade, para o ritmo da noite, completamente distinto do do dia, e que traz consigo uma identidade mais obscura, suja e até criminosa, e para o perigo dos novos valores sociais que dão mais importância ao superficial do que à pureza de espírito.
After Dark, Os Passageiros da Noite é uma obra que aconselho vivamente.
Depois deste primeiro contacto com o trabalho de Murakami, fiquei certamente com mais vontade e curiosidade de ler os seus outros títulos. Obrigada, amiga.
Literatura Britânica

Rob Roy

Rob Roy é um romance de 1817 e foi escrito pelo maior nome da literatura escocesa, Sir Walter Scott, um importante escritor (criador do romance histórico), dramaturgo e advogado de Edimburgo que para além desta obra escreveu ainda Ivanhoe, O Talismã e Waverley.
«Rob Roy trata-se de um romance histórico de suspense e ousadia, passado nas vésperas da sublevação jacobita de 1715. Francis Osbaldistone é enviado, no seguimento de uma desavença com o pai, para a propriedade de Sir Hildebrand Osbaldistone, seu tio, em Northumberland. Quando Francis descobre que o seu traiçoeiro primo, Rasleigh, um intruso jacobita, está interessado na bela Diane Vernon e planeia provocar a ruína financeira da família, Francis dirige-se à Escócia em busca do auxilio do temível fora da lei Rob Roy MacGregor (que só aparece a meio do livro).
Rob Roy move-se ao longo de uma vigorosa e colorida tela que liga o mundo da firma mercantil de Londres, Osbaldistone e Tresham, ao remoto esconderijo nas montanhas de Rob Roy e dos membros do seu clã, numa maravilhosa historia de heroísmo, romance e aventura.»
Várias vezes adaptado ao cinema, este clássico da literatura britânica consta ainda do livro Os 1001 livros que deve ler antes de morrer.
Decididamente a não perder. Adorei.
Literatura Norte-Americana

Anjos e Demónios


Gostei muito de O Código da Vinci e, apesar de Anjos e Demónios ter sido escrito antes do best-seller, não lhe fica muito atrás na imprevisibilidade, nem no suspense.
A história é simples, Robert Langdon, o famoso professor de História em Harvard que faz de «detective» nos livros de Dan Brown, é contactado pelo director de um laboratório suíço para desvendar um crime macabro que lá ocorreu. No cadáver encontrado, foi inscrita a palavra Illuminatti e é a partir dela que a trama começa.
O autor situa a história no coração de Roma, mais precisamente no Vaticano, e, como fez com O Código da Vinci, põe a sua personagem a desvendar crimes de carácter religioso, recorrendo aos arquivos da instituição e aos seus estudos e conhecimentos prévios.
O livro cumpre, sem pretensões, o seu propósito. É uma boa narrativa de aventuras, com uma linguagem fluída e informal, que prende a atenção do leitor até ao fim. Para além disso, dá-nos a conhecer curiosidades que provavelmente só os historiadores ou os mais interessados na matéria sabem, como, por exemplo, quem eram os membros da maçonaria ou de que se tratava a secreta Illuminatti.
Já mais para o final da obra, o diálogo dá a entender o fim, que perde o suspense e o interesse que adquiriu no inicio, e o último capítulo trata a relação de Lagdon com a personagem feminina, Vittoria Vetra, como se fosse uma cena à «James Bond». Creio que estes factores diminuem a história dando-lhe a marca de romance light ou guião de cinema que, ao longo do livro, não estava assim tão patente.
Anjos e Demónios não é nenhuma obra prima. É um bom livro de aventuras, quiçá mais adequado ao público adolescente, que entretém e desanuvia a mente do leitor adepto de clássicos ou de uma literatura mais exigente.
Ainda assim, é uma boa sugestão de Verão ou para um período em que não estejamos obrigados a reflectir realmente sobre o que lemos.
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Snoopy Parade







Não sei se já repararam, mas a Av. Duque de Ávila está mais alegre e convidativa.

Trata-se da Snoopy Parade, 20 figuras da personagem da Peanuts, Snoopy, foram pintadas por várias personalidades e anónimos, e estão colocadas ao longo da nova ciclovia que liga o Arco Cego a São Sebastião, em Lisboa.
Deixo-vos aqui as minhas preferidas. Vão ver!