Literatura Europeia

Alone in Berlin

Sempre que visito uma cidade estrangeira gosto de trazer comigo um livro, de preferência um romance, que seja importante para a comunidade local ou que me ensine um pouco mais sobre a sua História e cultura. Quando estive em Florença comprei o Non ti muovere, de Margaret Mazzantini (que adorei, e que já está editado em Portugal), quando fui à Polónia comprei The Land of Ulro, de Czeslaw Milosz (de que não gostei), quando a minha familia visitou Nova Iorque pedi-lhes encarecidamente que me trouxessem o Winter’s Journal, de Paul Auster (que ainda não li), e neste artigo vou falar do livro que comprei quando estive em Berlim: Alone in Berlin, de Hans Fallada (que adorei):

Apesar de só me ter apercebido a meio do livro, a história de Alone in Berlin é baseada em factos reais. Otto e Anna Quangel, dois alemães de classe baixa residentes em Berlim, perdem o filho na invasão que a Alemanha Nazi faz à França. Anna culpa o marido pelo sucedido, argumentando que o seu menino morreu por causa do seu amado Fuhrer, e a relação do casal começa a azedar. Otto, que até então nunca dera grande importância à politica, começa a sentir-se culpado e a aperceber-se de que afinal os ideais do regime não são assim tão benéficos para a sociedade como todos pensam. Então, como protesto, escreve um cartão contra o Nazismo que coloca estrategicamente no vão de escadas do prédio de uma rua vizinha. Quando Anna se dá conta do que o marido faz, apoia-o, ajuda-o, e os dois iniciam uma luta derrotada contra o governo que certamente os conduzirá a uma morte dolorosa.
Apesar das suas 600 páginas, o livro está muito bem escrito e é fácil de ler. Os primeiros capítulos podem ser um tanto confusos devido às inúmeras personagens que entram na história, contudo, a partir do momento em que estão todas apresentadas, a sua leitura torna-se fluida e muito agradável. Hans Fallada é um eximio contador de histórias, e a aventura dos Quangel está relatada na forma de thriller, o que leva a que seja difícil pousar o livro depois de o começarmos a ler. Uma das coisas de que mais gostei nesta edição da Penguin Modern Classics foi o facto de no fim trazer documentos e fotografias oficiais dos verdadeiros Quangel, ou melhor, Hampel. Fez com que tudo se tornasse muito mais real.
Alone in Berlin é um verdadeiro murro no estômago. É diferente de muitos romances sobre o Nazismo ou a Segunda Guerra Mundial porque fala dos alemães que se opuseram ao próprio regime, pessoas normais que não seguiram a maioria que apoiava Hitler e que fizeram tudo o que estava ao seu alcance para se lhe oporem, ainda que tal significasse perder a vida após uma tortura pungente. Aqui são os alemães que perseguem e os alemães que são perseguidos. Alemães que no meio de tanta propaganda e “lavagem cerebral” conseguiram ver e perceber que nada daquilo fazia sentido. 
Sempre achei que toda a gente devia visitar Auschwitz-Birkenau e ler o Diário de Anne Frank antes de morrer. Agora adiciono a esta dupla Alone in Berlin. Recomendo vivamente. 
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Um Caso Real (A Royal Affair)

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(Spoiler Alert)
O facto de este filme dinamarquês ter sido nomeado para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro despertou-me a atenção. Ainda mais por ser um filme de época. 
Passado no século XVIII, o filme retrata o caso extraconjugal entre a rainha Carolina Matilde e o então médico da corte, e mais tarde braço direito do rei Christian VII da Dinamarca, Dr. Struensee.
Com quinze anos, a princesa inglesa Carolina Matilde chega à corte dinamarquesa para desposar o rei da Dinamarca, Christian VII. Ao perceber que não tinham nada em comum e que o rei passava grandes temporadas fora, divertindo-se com outras mulheres como se de um adolescente se tratasse, Carolina tornou-se uma pessoa reservada e voltou-se para a educação do filho que entretanto tivera e para a vida social da corte.
Certo dia, o rei fez uma série de “entrevistas de emprego” para encontrar o seu novo médico pessoal. Como sofria de epilepsia, era excêntrico por natureza e mimado por criação, Christian VII sentia muita dificuldade em adaptar-se ao papel de monarca e em lidar com os outros. Eis então que chega o Dr. Johann Struensee.
Médico, iluminista, sensato e simpático, Struensee cativou a corte desde logo. Era o único que tratava o rei infantil e esquisito com a dignidade que este merecia, o que lhe valeu um lugar cativo na consideração do monarca que o chamava constantemente para conversar ou para lhe fazer companhia. O Concelho, apercebendo-se da influência que este tinha sobre Christian, começou a temê-lo, especialmente devido às suas ideias iluministas bastante avançadas para a época religiosa e tradicional que assolava o pequeno país. A verdade é que tinham razões para isso. Aos poucos, Struensse foi inocentemente infiltrando-se na vida politica, fazendo valer os seus ideais que, por acaso, eram compartilhados com os da rainha. Foi esta “coincidência” que aproximou os dois outsiders. A rainha sentia-se só e Struensee sentia-se um estranho na corte. Começaram a falar e a entender-se, iniciando uma relação de cortesia que rapidamente passou a algo mais. 
A ligação extraconjugal fazia-os felizes e ainda durou algum tempo, culminando no nascimento de uma filha, a princesa Louise Auguste. Contudo, estes segredos são difíceis de guardar e, numa era de desenvolvimento económico e social liderada por Struensee, foram muitos os que o invejaram e não viram com bons olhos os progressos que ele fazia.
Então, numa noite de baile, a Rainha-Mãe e o membro mais religioso e tradicionalista do Concelho engendraram um plano que tinha por base o divórcio dos reis, o exilio da rainha Carolina em Celle, na região de Hannover, Alemanha, e a decapitação de Struensee. Ambos foram julgados por traição e, apesar do que fizeram pelo país e de a população reconhecer os benefícios da sua governação (que perdera o controlo nos anos finais) ninguém ficou triste nem se opôs ao desfecho do caso.
A rainha exilada ainda tentou fazer um golpe de estado sem sucesso com a ajuda do irmão, o Príncipe de Gales, contudo acabou por morrer sozinha, tendo unicamente por companhia a sua primeira dama da corte que a amparou nos primeiros anos de vida real.
O legado deste amor foi passado aos príncipes, filhos da rainha, do rei e de Struensee. Ao receberem uma carta da mãe, onde ela lhes explica como tudo aconteceu, convencem o pai a perdoar o passado e a fazer da Dinamarca um país próspero e moderno. A verdade é que o rei Christian adoptou algumas das medidas que Struensee aplicara e fez do seu país um dos mais avançados da Europa.
O filme é maravilhoso. A fotografia é boa, os actores são extraordinários e a história é cativante e está muito bem contada.
Quando acabou, a primeira coisa que me veio à cabeça foi: Como é que o Amour ganhou o Óscar??
Literatura Norte-Americana

O Grande Gatsby

Desde pequena que via a capa do DVD de O Grande Gatsby, com o Robert Redford e a Mia Farrow, poisada junto à mesinha de cabeceira da minha mãe. Sempre olhei para ela com muita curiosidade, mas nunca me atrevi a abri-la para ver o filme. Não sei se por respeito, medo, receio de não compreender a história ou de defraudar as minhas expectativas. O que sabia ao certo é que um dia leria a obra de F. Scott Fitzgerald e veria as respectivas adaptações cinematográficas. Esse dia chegou. 
O Grande Gatsby ocorre no ano de 1922 e retrata a vida social de um grupo de pessoas ricas do leste americano. O narrador, Nick Carraway, é um ex aluno de Yale e ex combatente da I Guerra Mundial que aceita um emprego numa companhia de seguros em Nova Iorque e arrenda uma pequena casa em Long Island, ao lado da mansão do misterioso e extravagante Jay Gatsby. Nick é primo de Daisy, uma bela socialite casada com o igualmente rico Tom Buchanan. Um dia, Nick é convidado para uma das inúmeras e sonantes festas de Gatsby e é a partir daí que começa uma história de traições, crime e decadência.
Esta obra é um dos símbolos dos maravilhosos anos 20 americanos que conheceram grande prosperidade após a I Grande Guerra quando os Estados Unidos registaram um enorme desenvolvimento económico graças ao progresso das indústrias do armamento, do aço, da construção, do cinema, e de outras. Socialmente também se deram muitas mudanças como a proibição do consumo de álcool, a Era do Jazz, o contrabando, o nascimento de máfias e gangues, e o avanço das crenças comunistas. Numa época em que as pessoas desejavam celebrar o fim do conflito e desfrutar das oportunidades que ele trouxera de modo a subirem na vida, os traumas de guerra e as alterações comportamentais impediam  muitas vezes que a verdade e o amor sincero se sobrepusessem a uma vida de opulência, farsa e riqueza que veria o seu fim com o Crash da Bolsa de 1929 e consequente Grande Depressão.
F. Scott Fitzgerald conseguiu transpor para o papel o estilo de vida americano de uma das décadas mais interessantes e decadentes da História. Adorei o livro. Verei os filmes. 
Literatura Juvenil · Literatura Norte-Americana

Mulherzinhas e Anos Felizes

Sempre tive o livro Mulherzinhas (1868) em casa e nunca o li. Não por falta de motivação para a leitura, pois sempre li muito, mais por estranheza e ao mesmo tempo atracção pelo livro com capa de cartaz de cinema que se encontrava dentro de uma vitrine da sala, e que nem sequer era meu. 
Quando saí de casa, nunca mais pensei na obra, até que um dia, enquanto dava uma vista de olhos aos livros das Galveias, vi um exemplar de Louisa May Alcott chamado Anos Felizes (1869). Intrigada, peguei na obra e li a contracapa. Dizia ser a sequela do livro Mulherzinhas. E isso despertou muito a minha curiosidade. 
Mulherzinhas é normalmente um livro indicado para crianças, embora eu ache que se adequa mais a adolescentes. A obra retrata a história da familia March. O pai, pastor protestante e homem culto, vai servir para a guerra enquanto a mãe fica em casa a tomar conta das quatro filhas e as ajuda a crescer. As quatro meninas são as verdadeiras heroínas do livro e é através delas que o leitor vive o dia-a-dia das mulheres que ficaram para trás enquanto a guerra decorria. Todas diferentes mas muito amigas, as irmãs ajudam-se mutuamente e revelam-nos que muitos dos problemas das mulherzinhas do passado não são muito diferentes dos das mulherzinhas do presente. Na segunda parte, as meninas tornam-se mulheres e vê-mo-las florescer e seguir por caminhos diferentes.
Por vezes moralista e feminista no bom sentido, Mulherzinhas é a principal obra de Louisa May Alcott que provavelmente se inspirou na sua propria familia para escrever um clássico da literatura que devia fazer parte da biblioteca de todos. Gostei muito. Dos dois.
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Django Libertado

Fiquei um pouco desapontada com o novo filme de Tarantino. Esperava mais. A comunicação social falou tanto sobre ele (muito mais do que sobre qualquer outro nomeado para a categoria de Melhor Filme dos Óscares), que aumentou as minhas expectativas depois de um Inglourious Basterds fenomenal. 
O começo foi engraçado, com um irrepreensível Christoph Waltz numa carruagem de dentista a conquistar as primeiras gargalhadas do público. Cedo percebi que o filme ia ser violento (como são todos os do realizador), porém, essa violência só chegou verdadeiramente com Leonardo DiCaprio. O actor aparece pouco no filme (dando-lhe um nome de bilheteira mais sonante do que uma personagem memorável) e não arrebata corações, com um sotaque solista pouco convincente (ou forte demais ou fraco demais) e uma presença quase ausente. Quem faz com que ele sobressaia é o magnifico Samuel L Jackson que partilha quase todas as suas cenas com ele. Transformado num negro que se “vendeu” ao amo branco, Jackson consegue ornar a sua personagem com uma faceta cómica que faz lembrar os maneirismos da cultura afro-americana contemporânea. E por falar em contemporâneo, pouco foi o rigor histórico que Tarantino atribuiu ao filme. Desde música rap, a óculos de sol, a casacos de pele e demais adereços, vê-se que a preocupação do realizador não foi apresentar um documento histórico, mas fazer um western (que tem obrigatoriamente de ser antigo) a la Tarantino.
A impressão com que fiquei quando saí da sala de cinema foi a de que tinha visto um Kill Bill com cavalos e cowboys, e que em vez de ver uma Uma Thurman forte e ágil a vingar-se dos maus, vi um Jamie Foxx competente, mas sem nada de especial. Um filme onde a violência começa a parecer gratuita, e que não trouxe nada de novo ao universo alternativo e cool que Tarantino gosta de apresentar. Não aqueceu nem arrefeceu. 
Literatura Britânica

O Agente Secreto

O Agente Secreto é um romance de 1907 da autoria do escritor polaco, naturalizado inglês, Joseph Conrad (O Coração das Trevas, Lord Jim). A história tem lugar em Inglaterra, onde um pequeno comerciante de uma loja suspeita faz serviços secretos para uma embaixada sem o conhecimento da sua familia, apenas do grupo de anarquistas que o segue. Nesta missão em particular, Verloc é chamado pelo primeiro secretário da embaixada que, após vários anos de trabalho e lealdade para com a causa, diz-lhe que os serviços secretos não são uma instituição filantrópica e que sem acção não há pagamento. Por isso, para justificar a sua utilidade, pede-lhe que elabore uma “actividade com toda a insensatez chocante de uma blasfémia gratuita” e que faça explodir o edificio do Observatório de Greenwich, simbolo da ciência (“fetiche sacrossanto actual”), da classe média “estúpida” que se deixa levar pelos sucessivos governos que lhes atira areia para os olhos e alvo preferencial dos anarquistas. Com medo das consequências do acto, mas sem coragem para desistir porque precisa do dinheiro, Verloc decide usar o cunhado Stevie (rapaz novo e deficiente mental que só quer agradá-lo e cair-lhe nas graças), que sustenta juntamente com a mulher e a sogra, para executar o plano. Porém, como o rapaz não é expedito como os demais, tropeça com a bomba na mão e faz-se explodir em plena rua, um pouco antes de chegar ao Observatório de Greenwich. Após o incidente, Verloc é seguido pela policia, que encontra a sua morada na etiqueta de um pedaço do casaco da vitima, e prepara um plano para fugir com a mulher. No entanto, Winnie, ao saber da verdade, que o marido é um agente secreto e que por causa dele o seu irmão, por quem ela nutria um carinho especial, está morto, perde a cabeça e esfaqueia-o até à morte. 
Graças a Ossipon, companheiro anarquista de Verloc, Winnie consegue fugir, para escapar à forca, mas acaba por suicidar-se a bordo do barco que a leva para a outra margem do canal da mancha. O livro termina com Ossipon (apelidado de Doutor) devaneando pela rua. Após uma conversa com o Professor, outro membro do grupo, percebe que o crime foi abafado pela policia e que os seus companheiros anarquistas pensam que foi esta que matou Verloc. Por causa disso, acham que a humanidade não tem remédio e que a sua mediocridade justifica a escolha dos “patetas que mandam”. No entanto, como Ossipon sabe o que realmente aconteceu, começa a pôr tudo em causa e sente-se doente ao pensar que a sua “carreira revolucionária, sustentada pelo sentimento e confiança de muitas mulheres, estava ameaçada por um mistério impenetrável – o mistério de um cérebro humano que pulsa equivocamente ao ritmo de frases jornalísticas.” É um fraco comparado com o Professor que continua a lutar. Um anarquista abalado por alguém que considerava fraco e que cometeu um acto forte, e vice-versa.
O Agente Secreto, ao contrário do que a capa da edição da chancela da Bertrand, 1117, pode fazer parecer não é um livro de mistério convencional. Trata-se de um thriller “politico” inteligente que prende o leitor do inicio ao fim. A linguagem não é complicada (apesar de a tradução e revisão portuguesas denotarem algumas falhas) e a estrutura do livro é bastante fácil de seguir sem que tenhamos sempre de estar sempre a recuar para termos a certeza de que nada nos escapou. Embora não tão impactante como o O Coração das Trevas, é um livro forte, interessante, hábil, que nos faz reflectir sobre as regras sociais que nos regem e a nossa disposição ou vontade de as mudar ou de as seguir. Gostei muito.  
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Os Miúdos Estão Bem

Os Miúdos Estão Bem conta a história de um casal de lésbicas (Julianne Moore e Annette Bening) com dois filhos adolescentes, Joni de 18 anos e Laser de 15, que cada uma deu à luz através do mesmo dador de esperma. Certo dia, Laser pede à irmã que ligue para a clinica de inseminação artificial e que peça a informação necessária para que consigam conhecer o pai biológico (Mark Ruffalo). Depois de o pai consentir a autorização para tal, a familia não convencional conhece-se e começa a relacionar-se de forma caótica pondo em causa o próprio relacionamento entre si e a sua privacidade.
Os Miúdos Estão Bem mais do que um filme sobre uma familia gay é um filme sobre as relações entre os membros familiares, constantemente testadas pelas vicissitudes da vida e, neste caso, também por uma entidade externa que ameaça a até então fervente harmonia familiar.
É um bom filme, entre a comédia romântica e o drama sério, capaz de provocar risos mas também de nos pôr a pensar sobre as questões mais profundas e fundamentais da vida a quatro, ou a cinco. 
Em 2011, arrebatou quatro nomeações para os Óscares: 
Melhor Filme
Melhor Actriz – Annette Bening
Melhor Actor Secundário – Mark Ruffalo
Melhor Argumento Original.
Não sei se dá para tanto… 
Literatura Britânica

Charles Dickens

Como este ano se comemora o bicentenário de Charles Dickens, que nasceu em Portsmouth, sul de Inglaterra, a 7 de fevereiro de 1812, resolvi ler as suas obras mais emblemáticas. Já lera a versão juvenil de Oliver Twist no secundário e quis agora alargar o meu leque de conhecimentos sobre este autor tão relevante do século XIX.
Comecei por comprar três livros que me atraíram, sobretudo, pela sua relação qualidade/preço: Um Cântico de Natal, uma edição de bolso portuguesa; e duas versões originais publicadas em conjunto e a baixo preço: A tale of two cities e Great Expectations. Mais tarde, comprei Os Cadernos Pickwick por fazer parte da colecção de humor que Ricardo Araújo Pereira seleccionou para a editora Tinta da China.
Devo dizer que estou a meio caminho da minha cruzada Dickens: no natal passado li o Cântico, de que gostei bastante e no qual me inspirei para baptizar o meu gato: Marley (em homenagem à personagem  Jacob Marley, que avisa Scrooge dos perigos da avareza, do egoismo e do seu comportamento pouco simpático). O último livro que li foi A tale of two cities, que me deu algum trabalho por estar escrito no inglês do século dezanove e que, apesar de não ser tremendamente diferente do actual, tem algumas características estranhas a um olho português pouco habituado. 
Neste momento vou no inicio de Os Cadernos Pickwick, de que também estou a gostar. As peripécias do Sr. Pickwick e da sua trupe têm sido bastante engraçadas, com sarcasmos e mal entendidos sociais pelo caminho. Muito divertido e muito “Dickens”, com os habituais dialectos e maneirismos de certas personagens que nos dão uma ideia não só de como seria a personagem em si, mas também de como seria, mais ou menos, o tipo de pessoas que se podiam encontrar na Inglaterra desses tempos. 
Devo confessar que o que mais me está a agradar no meu período Dickens é o facto de me concentrar especificamente num autor. Gosto de acabar um livro e de começar um novo escrito pelas mesmas mãos e pela mesma cabeça. Parece que consigo dissecar mais facilmente o seu género, escrita, humor e distinções. Estou a gostar tanto que acho que vou fazê-lo para os restantes escritores que desejo ler. Uma pessoa fica muito mais alerta e especializada num autor deste modo do que se ler as suas obras com pausas e interrupções. Parece que assim se retém muito mais. Pelo menos, eu retenho. 
Depois de Pickwick acho que me vou aventurar no Hard Times e em David Copperfield, que já vi existirem na biblioteca local. Se o fizer, Charles Dickens passará a ser um dos autores mais lidos por mim e acompanhar-me-à até ao final deste ano. Nada mau para comemorar um bicentenário, não acham?