Literatura Britânica

Flush

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A minha mãe tentou ler Os Anos (1937), de Virginia Woolf, mas não conseguiu acabar. Talvez isso me tenha afastado um pouco da autora ao longo dos anos, contudo, a minha curiosidade por lê-la sempre foi enorme. Resolvi, por isso, começar com Flush – Uma Biografia (1933), por ser uma obra curta. E acertei em cheio.

Flush – Uma Biografia conta a história de um cão que realmente existiu, o Flush, claro, cuja dona era a poetisa inglesa Elizabeth Barrett Browning, casada com o também poeta inglês Robert Browning. Nesta história, vemos como era a vida em Londres através dos olhos de um cocker spaniel. Virginia Woolf usou o animal para expressar a sua visão filosófica e as suas emoções em relação ao mundo em que vivia. Terá também escolhido o cão de Elizabeth Barrett porque provavelmente sentia alguma empatia para com ela, por ser doente, escritora e intelectual num tempo em que o papel da mulher era ficar em casa a receber visitas. Ao não se sentir compreendida pelos mais próximos, Elizabeth começa a ganhar uma ligação emocional a Flush traduzida por actos quase telepáticos que fortalecem o sentimento de puro afecto que nutrem um pelo outro.

Gostei muito deste livro. Numa história tão básica e ternurenta, Virginia Woolf consegue fazer uma crítica à sociedade, falar dos conflitos entre classes sociais, do feminismo, da intelectualidade e, claro, de um dos amores mais verdadeiros e antigos: o de um ser humano por um cão, e vice-versa.

Talvez se a minha mãe tivesse tentado ler Flush – Uma Biografia tê-lo-ia conseguido acabar. Recomendo vivamente e estou pronta para o próximo.

Literatura Europeia

A Lebre de Vatanen

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Conheço pouco a literatura escandinava e, como desejo conhecer melhor a sua cultura,  pensei que A Lebre de Vatanen (1975), de Arto Paasilinna, era um bom exemplar para eu me iniciar…

Vatanen é um homem de classe média, jornalista, casado, sem filhos, e habitante em Helsínquia que certo dia se vê envolvido num acidente de viação do qual resulta ferida uma lebre selvagem. Apesar de a lebre não ter morrido, e de Vatanen não ter sido o responsável pelo sucedido, sente-se obrigado a tratar dela. Diz ao colega que a atropelou que não é capaz de voltar à cidade sem assegurar-se de que o animal fica bem. Então, parte com ela para o bosque e é assim que a aventura de ambos começa.

A acção do romance leva-nos ao mais profundo coração da Finlândia, onde conhecemos as suas paisagens agrestes, que passam por todas as estações do ano, e as suas gentes rudes que, quiçá, estão um pouco longe da imagem que a maioria dos europeus tem dos finlandeses. Por vezes, a história torna-se tão surreal que é difícil acreditarmos nela, contudo, devemos ter em conta que os povos do norte têm este je ne sais quoi de pitoresco que faz com que as suas narrações pareçam autênticas sagas do arco-da-velha: um homem e uma lebre que ficam completamente dependentes um do outro e enfrentam um mundo complexo cheio de percalços.

A Lebre de Vatanen tornou-se um livro de culto na Escandinávia, o que não é de estranhar, pois tem tudo o que uma história a la norte da Europa gosta: amizade, natureza, suspense, bizarria, superação humana, descoberta pessoal. O padrão de um bom romance nortenho que também pode ser apreciado pelos demais. Recomendo.

Literatura Norte-Americana

O Caso do Segredo da Enteada

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Perry Mason é um detetive que muitos americanos reconhecerão devido à série televisiva dos anos sessenta. No entanto, trata-se de uma personagem literária criada pelo advogado Erle Stanley Gardner para fugir ao aborrecimento dos tribunais…

Não sabia quem Perry Mason era, só o conheci devido à coleção Mestres Policiais que a revista Visão lançou há uns anos. Não tenho os títulos todos, apenas dois, o que é de estranhar para alguém que gosta tanto de policiais. Um deles é O Caso do Segredo da Enteada (1963), de Erle Stanley Gardner.

O cliente de Perry é um homem abastado que recebe uma carta de chantagem que aparece como por magia no quarto da sua enteada. Ao pensar que a enteada conhece o seu segredo, o homem procura Mason que o aconselha a relatar tudo à polícia. Como ele tem medo de perder a sua reputação e de ser enxovalhado nos jornais decide ignorar o conselho do detetive e tenta, por si próprio, lidar com os chantagistas. A trama adensa-se quando um dos chantagista é encontrado morto.

No principio, a história é muito interessante e prende a atenção do leitor, contudo, creio que o seu desenvolvimento é um pouco básico e culmina em vários clichés. Devo confessar que esta tradução não é a melhor, parecendo utilizar termos portugueses e brasileiros ao mesmo tempo. Apesar de eu não o ter adorado, reconheço que este livro, e que provavelmente toda a série de Perry Mason, seja do agrado de muitos leitores que apreciam policiais.

Literatura Britânica

O Livro da Selva

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Comprei O Livro da Selva na Feira do Livro de Lisboa do ano passado, e pu-lo na estante em lista de espera. Este ano, a Disney lançou o remake do seu filme de animação baseado na obra de Kipling, a desculpa perfeita para o meu exemplar passar à frente dos outros livros e ser lido rapidamente.

Sou uma grande fã dos filmes da Disney, sei-os de cor e vi-os vezes sem conta. A maior parte das  suas histórias são baseadas em livros ou contos, pelo que, quando leio um dos livros que os inspirou, é inevitável que imagine o universo que a Disney criou para a narrativa. Aconteceu com Alice no País das Maravilhas, Mary Poppins, A Pequena Sereia, e, é claro, O Livro do Selva.

A acção de O Livro da Selva (1894) ocorre na Índia e conta não só a história de Mowgli, como a de outros animais que habitam a selva indiana, pela qual Kipling nutria uma grande admiração. O livro, na verdade, é uma coletânea de contos sobre elefantes, cavalos, vacas e focas, escrito para a sua filha Josephine, que morreu de pneumonia em 1899, com apenas seis anos. Acredita-se que as narrativas tenham uma lição moral que tenta instruir o leitor sobre como viver na sociedade de então. No ano seguinte a esta edição, Kipling lançou O Segundo Livro da Selva (1895) com mais histórias de animais indianos e outros cinco contos sobre Mowgli.

A comparação da história de Mowgli de Kipling com a versão animada da Disney é inevitável. A primeira coisa em que se repara é que, no primeiro O Livro da Selva, esta é mais crua e rude do que no filme da Disney. Apesar de ser uma criança, Mowgli não é infantil, sabe o que quer e a sua teimosia leva-o a singrar junto dos companheiros que o olham com desconfiança. A luta com o tigre Shere Khan também é mais épica do que no filme, e o seu final é completamente diferente. Parece que a Disney pegou nas personagens de Kipling e infantilizou-as para que a história pudesse ser contada a crianças, o que é compreensível.

Gostei do livro, porém, não o suficiente para ler O Segundo Livro da Selva. Pelo menos, para já. No entanto, não deixo de recomendar a obra a quem gosta do filme da Disney ou se interessa por Kipling. Afinal, trata-se de um bom livro.

Literatura Juvenil · Literatura Norte-Americana

Anne dos Cabelos Ruivos

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Anne dos Cabelos Ruivos (1908) foi o último livro que li nas férias de Verão. Com este livrinho que me trouxe muitas recordações de infância, consegui cumprir o desafio a que me propus.

Há precisamente um ano, encontrei no Youtube um video de uma das minhas séries infantis preferidas: Ana dos Cabelos Ruivos. Fiquei novamente viciada e vi toda a primeira temporada. No entanto, fiquei surpreendida ao saber que a série se tratava da adaptação literária de uma série para crianças da escritora Lucy Maud Montgomery. Como gosto muito da história, pensei comprar a obra em inglês, mas, como estava a tentar não comprar mais livros e ler os que já tenho, pus a ideia de parte. Passados alguns meses, ao passear pela Fnac, dei de caras com a mais recente tradução do livro em português e não hesitei, comprei-o logo.

O livro narra a história da órfã Anne Shirley, uma menina que é levada para Green Gables por engano, mas que acaba por conquistar toda a gente com a sua grande imaginação e coração enorme. Anne consegue fazer o seu caminho como uma criança normal, ajuda em casa, vai à escola e integra-se bem na sociedade que a rodeia.

Cada livro da série corresponde a uma etapa da vida de Anne, o que significa que a menina chega até nós com 11 anos e continua na nossa companhia até à idade adulta. Esta característica é uma das razões pelas quais desejo prosseguir com a leitura dos livros, a minha curiosidade para saber como será a vida de Anne ficou bastante aguçada.

Gostei muito de Anne dos Cabelos Ruivos. O que mais me chamou a atenção foi a não tradução dos nomes das personagens, como acontece na série televisiva (já que o título foi aproveitado), e o facto de esta estar magnífica. É inevitável que um leitor que tenha visto a série pense nela ao ler o livro. Contudo, este pormenor não tira o encanto à leitura da obra original que permanece um clássico infantil incontestável. Recomendo vivamente.

Anne dos Cabelos Ruivos

Literatura Norte-Americana

Wonder

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Depois de uma experiência tão má com o The Lost Symbol (ver crítica abaixo), eu estava desesperada por um bom livro. Escolhi Wonder e o meu desespero foi rapidamente combatido.

Ouvi falar de Wonder (2012) no Youtube. Muitos dos chamados “booktubers” que eu sigo aconselharam a sua leitura e ao vê-lo exposto na Feira do Livro de Lisboa não hesitei e comprei-o.

A obra é sobre a adaptação de August, um menino com uma doença rara que causa a deformidade do rosto, à escola. Devido à sua condição, os pais sempre o ensinaram em casa, porém a mãe acha que será bom para ele ter contacto com o mundo exterior, pois Auggie não poderá passar o resto da vida rodeado por quatro paredes. Eis então uma mudança radical na vida dos quatro membros da família, dos alunos que frequentam a escola para onde Auggie vai, e também da sociedade em geral.

A premissa já de si é interessante e diferente, no entanto, o que eu achei mais original no livro foi a forma como R. J. Palacio retratou as mesmas situações que ocorrem nos diversos pontos de vista de quem as vive. A primeira impressão cabe a Auggie, vemos como se sente e se encaixa nesta grande aventura, depois, vemos como os outros que o rodeiam, a família e os amigos, sentem as mesmos acontecimentos no seu próprio modo de ver as coisas. Foi a primeira vez que li um livro em que tal ocorre de forma tão nítida e singular. Uma característica que permite aos leitores porem-se no lugar do Outro e, consequentemente, sentirem empatia por ele.

Gostei muito deste livro. Está bem escrito, a história é boa e emotiva e creio que não deixa ninguém indiferente. Na minha opinião, todos as pessoas, e principalmente todos os adolescentes, deviam lê-lo. Recomendo vivamente.

Literatura Norte-Americana

The Lost Symbol

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O terceiro livro que li nas férias foi o maior que levei. Tinha 528 páginas e era em inglês. Fiquei com medo de que me atrasasse a leitura e que, por isso, não me permitisse terminar o desafio a tempo. O que quase aconteceu. Quase…

Quando surgiu o The Da Vinci Code (2003) comprei-o para ver por que razão toda a gente o lia, e se era tão bom, ou tão mau, como diziam. A verdade é que gostei tanto da trama que o devorei em três dias. Apesar de não ter conseguido parar de o ler, reconheci que o estilo de Dan Brown não é dos melhores. A sua escrita é básica, com frases curtas e vocabulário escasso, demasiadas descrições e constatações de factos absolutamente escusados que não abonam em favor da história e tomam o leitor como pouco perspicaz. 

No entanto, como tinha gostado do livro, resolvi comprar o Anjos e Demónios (2000) que foi editado em Portugal logo depois. Sinceramente, não me lembro da história. Sei que se passa em Roma, que tem a ver com o Vaticano, mas não me consigo lembrar da trama, nem se gostei do livro ou não (o que é revelador). Só me recordo de ter pedido o seguinte obra de Dan Brown, The Lost Symbol como prenda de Natal no ano em que saiu, e de o ter guardado na estante até hoje. Não tinha vontade de lhe pegar, apesar de ser uma edição bonita e de se tratar de uma leitura pouco exigente. 

Contudo, em 2013, saiu Inferno e Dan Brown regressou à ribalta. Comprei o livro porque a história se passava em Florença, cidade onde passei dois dos melhores meses da minha vida, e que conheço como a palma da mão. Li-o no Verão, em inglês, e detestei. Detestei por causa do estilo de Brown e da sua excessiva descrição da cidade e de tudo o que ocorre. A premissa era boa, tinha a ver com Dante Alighieri e com a sua obra maior Inferno, precisamente, mas o autor não conseguiu fazer jus à ideia e transformou-a num livro de acção digno de um guião de Hollywood, demasiado longo e muitas vezes confuso e repetitivo.

Foi exactamente isso que senti com The Lost Symbol. Uma premissa boa, com informações interessantes sobre a maçonaria norte-americana, um vilão prometedor e, claro, Tom Hanks, que é como quem diz, Robert Langdon. Mas não singrou. De todo. Os mesmos problemas dos outros livros. Dan Brown tem boas ideias, mas é um escritor medíocre (para ser simpática), que não leva os seus leitores a sério. Como o livro era mau, não me apetecia lê-lo, mas tinha de o fazer para cumprir o meu desafio. Confesso que, pela primeira vez na vida, saltei parágrafos completamente desnecessários para me ver livre da leitura. Enfim. Mau por mau, mais vale ver as adaptações cinematográficas. Não recomendo. 

Literatura Britânica

Animal Farm

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O segundo livro que li nas minhas férias de Verão foi o mais pequeno que levei e o que mais me intrigava. Tinha receio de que fosse de leitura difícil, mas não, Orwell é muito claro. Muito claro.

Quando andava no secundário, a minha professora de português mostrou-nos numa aula um filme de desenhos animados chamado O Triunfo dos Porcos. Eu nunca tinha ouvido falar na obra, nem em George Orwell, mas o filme teve um grande impacto em mim. Nunca mais me esqueci dele e fiquei com vontade de ler o livro que o inspirou.

Animal Farm (1945) pretende contar a história da origem do comunismo na antiga União Soviética, através da alegoria de uma quinta. Todos os animais se juntam para expulsar o Homem opressor da propriedade e decidem ficar a governá-la sem líder e criar uma sociedade em que todos são iguais, com os mesmos direitos e deveres. A teoria é boa e todos estão de acordo com ela, o problema é que nem todos os animais são iguais, e nem todos querem ter os mesmos direitos e deveres. É aqui que os problemas começam.

Apesar de ser socialista, Orwell era um grande crítico de Estaline. Considerava-o um ditador que apreciava o culto da personalidade e governava com mão de ferro um reino de terror. O seu objetivo ao escrever esta obra foi “fundir um propósito político com um propósito artístico”. E conseguiu. Animal Farm tem pouco mais de 100 páginas mas abalou o mundo. Explica com clareza no que se pode tornar uma sociedade comunista e no que o poder pode fazer às pessoas. Faz parte de todas as listas de livros a ler e é considerado um clássico da literatura.

Para mim, foi uma boa surpresa, lembrei-me do filme que a minha professora mostrou e vi tudo com mais transparência e compreensão. Foi a minha leitura de Verão preferida. Recomendo vivamente.

Literatura Britânica

Jogo de Espelhos

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Todos os anos, no verão, leio um livro de Agatha Christie. É um hábito que tenho desde os doze/ treze anos e que dura há pelo menos dez. Não é tanto do género “Criminal” que eu gosto, embora goste bastante. É das histórias de Poirot, Miss Marple e Tommy and Tupence, que são sempre parecidas, simples e divertidas, perfeitas para ler à beira-mar. É da familiaridade da escrita de Christie.

Este ano, o eleito foi Jogo de Espelhos (1952), protagonizado por Miss Marple. Nesta aventura, uma amiga de Marple pede-lhe para fazer uma visita à irmã e conhecida de ambas, Carrie Louise, por lhe parecer que esta não se encontra bem. Ao chegar a casa dela, a “detetive” fica com a mesma impressão e tenta perceber o que há de errado no ambiente que a rodeia. À primeira vista está tudo normal, eis senão quando aparece o sócio do marido de Carrie Louise que diz saber que alguém dentro da casa está a tentar envenená-la. Passadas algumas horas, o homem é brutalmente assassinado. É a partir deste homicídio que Marple tenta desvendar se há mesmo um assassino em série no seio familiar e o que o motiva para matar…

Esta história é como todas as histórias de Christie: acessível, bem desenvolvida, bem escrita, e divertida. A escritora não dá todas as informações ao leitor para que o seu detetive possa brilhar no final, algo de que não me importo minimamente pois o desfecho em que o criminoso é exposto e apanhado dá-me muito gozo e é um dos pontos altos do livro. É incrível como quase sempre se arrependem e nunca tentam fugir. Pessoalmente gosto mais dos livros interpretados por Poirot porque acho que se trata de um personagem mais forte e bem construído, todavia, no fundo, para a narrativa acho que não faz grande diferença.

Gostei deste Jogo de Espelhos, acho que a história é interessante e revelou um pouco mais sobre a vida privada de Miss Marple. Para quem gosta de Agatha Christie, é uma obra a ler.

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Leituras de Verão

 

Como é costume, este verão passei duas semanas fora, na praia. E, como é costume, levo sempre livros para ler. Este ano, decidi ser (demasiado) ambiciosa e por de parte cinco livros para levar. Não estava com muita fé de os ler a todos, mas… li!
O primeiro livro que comecei a ler quase não viu a luz do sol, pois foi quase todo lido em casa, só precisei do primeiro dia de férias para o terminar. Trata-se de O Jogo de Espelhos, de Agatha Christie. A autora, como já devem saber, é sempre uma das minhas companheiras de verão, se bem que este ano troquei o Poirot pela Miss Marple.
A seguir, apeteceu-me uma leitura um pouco mais “pesada” e escolhi o Animal Farm, de George Orwell. Como nunca tinha lido nada deste autor (o 1984 está na minha prateleira há alguns anos…) estava com um pouco de receio de ser demasiado lento e complicado para ser lido à beira-mar. Nada mais errado. Esta obra foi uma das grandes surpresas do ano e, consequentemente, umas das minhas leituras de verão preferidas.
Depois, para acalmar um pouco os ânimos, decidi pegar no maior livro que levei: The Lost Symbol, de Dan Brown. E foi passar do céu ao Inferno… Não gostei nada do livro. Pela primeira vez na vida saltei parágrafos porque estes não faziam falta nenhuma à história, e a vontade de lhe pegar era tanta que passei alguns dias sem ler. Regressei porque queria terminá-lo depressa para ver se o acabava e começava os outros que me faltavam. Enfim… um pesadelo.
Para ver se melhorava um pouco os meus dias, depois de uma experiência de leitura tão má e arrastada, decidi ler Wonder, de R. J. Palacio. Uma ótima decisão, pois fui ao céu outra vez. Que tesouro escondido! A escrita é fluida, muito interessante, a premissa é genial e a leitura é uma descoberta constante. Adorei este livro e acho que toda a gente o devia ler, principalmente os adolescentes.
Como término, tanto das férias, como da pilha que levei, e sentindo-me muito otimista por perceber que ia de certeza concluir o meu recto e ler todos os livros a que me propusera, peguei no que restava, Anne dos cabelos ruivos, de Lucy Maud Montgomery. Mais uma vez, não me enganei. Adorei ler este livro, não o consegui pousar. Claro que eu já conhecia a história por causa da série de desenhos animados que dava na televisão quando eu era pequena, mas foi um gosto revê-la e lembrar-me desses tempos passados.
E assim conclui as minhas leituras de verão. O balanço é muito positivo, não só porque consegui ler todos os livros que levei, como também descobri novos autores e apercebi-me de que não vale a pena insistir em géneros de que não gosto. Foram umas belas férias!