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Melody Gardot

Concerto de quarta-feira à noite, no CCB, praticamente esgotado para ouvir um dos mais jovens e promissoros nomes do Jazz. Melody Gardot não só canta com alma e coração, através de uma das vozes mais melodiosas de que tenho memória, como também interage com o público de forma sensual e divertida. Aqui está uma imagem das duas maravilhosas horas de espectáculo. A nova “Diana Krall” acaba de entrar no edifício do Jazz contemporâneo. Esperemos que nunca saia.
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El secreto de sus ojos

Há muito tempo que não via um filme tão bom. El secreto de sus ojos é uma mistura entre thriller e drama que, ao longo de duas horas, desperta nos espectadores emoções cómicas e comoventes. A história desenvolve-se de forma anacrónica, nos anos 70 e na actualidade. As personagens atravessam a barreira do tempo para lidar com antigos fantasmas que, no tempo presente do filme, representam um empecilho nas suas vidas. Contudo, a mesagem é clara: nunca é tarde para se descobrir a verdade dos factos, nem de nós próprios.

 

A meu ver, El secreto de sus ojos é um dos melhores filmes de língua espanhola de sempre (venceu dois Goyas e o Óscar da Academia para melhor filme estrangeiro). E, apesar de ser uma co-produção Hispano-argentina, tem laivos de cinema norte-americano. Nada é deixado ao acaso: a maquilhagem, os figurinos, o guião, a interpretação, a realização, a maneira fluída como a história discorre, os efeitos especiais… É tudo perfeito.

 

Sentada na cadeira da sala, vendo os aborrecidos anúncios antes da sessão começar, pensei que há muito tempo não via um filme que, no final, deixasse os espectadores pregados ao assento, sem reacção. Bem, quando El secreto de sus ojos terminou, tive uma agradável surpresa.
Literatura Europeia

Non ti muovere

Vou debruçar-me no romance italiano, vencedor do Prémio Strega 2002, Non ti muovere, de Margaret Mazzantini, e no respectivo filme, adaptado ao cinema pela mão do realizador (e protagonista do mesmo) Sergio Castellitto (marido da escritora na vida real).

A primeira vez que ouvi falar neste romance foi na aula de gramática italiana, em Florença, onde a professora nos aconselhou vivamente a sua leitura.

O livro começa com o acidente de viação de uma rapariga de quinze anos que, por coincidência, é transferida para o hospital onde o pai trabalha como cirurgião. Moribunda, Angela está entre a vida e a morte e depende da equipa médica que a viu nascer. Assim que Timoteo é avisado do acidente da filha, deixa tudo para assistir de perto à sua operação de risco. Durante a espera interminável, começa slenciosamente a contar-lhe a história do grande amor da sua vida, que conheceu quando ainda namorava a futura esposa, mãe de Angela. Uma prostituta chamada Itália (interpretada por uma brilhante Penélope Cruz).

Este é o apetecível e curioso mote que dá inicio a uma história de desejo e de medo. Pela mão de uma mulher vamos desvendando aos poucos tudo o que vai na mente e no coração de um homem, que não deseja outra coisa senão ser feliz ao lado daquela que ama. O problema é que essa mulher é prostituta, não tem formação, vive num bairro de lata, e não seria bem vista nem aceite na sociedade como esposa de um conceituado cirurgião. Para Timoteo é uma escolha difícil entre a harmonia e o conforto de um lar junto a uma bela e simpática Elsa, e uma vida cheia de preconceitos e com um futuro incerto junto a uma Itália que o ama incondicionalmente.
A princípio, o herói enfraquece e faz a escolha mais fácil. Depois, quando decide ganhar coragem para enfrentar o destino, é tarde demais.

Non ti muovere é um romance muito bonito que nos faz pensar sobre a natureza frágil do ser humano, e da sociedade que este constrói para se integrar e viver. Lembra-nos de que há ocasiões na vida em que devemos prestar mais atenção às nossas vontades, e magoar momentaneamente os outros, em vez de nos arriscarmos a passar o resto do tempo que nos falta a pensar como teria sido se tivéssemos optado pelo outro caminho.

Margaret Mazzantini escreveu uma história sem género, sem idade e sem preconceitos, conseguindo, ao mesmo tempo, fazer uma maravilhosa e conseguida critica à sociedade italiana ao dar o nome do país a uma personagem inocente, querida e tão imerecidamente maltratada por aqueles que dizem amá-la. Fantástica é também a interpretação de Penélope Cruz, que justifica plenamente o seu Donatello.

Apesar de ter gostado do filme em geral, acho que há um detalhe que o transforma radicalmente: o facto de não ser claro de que foi Timoteo a pedir a Itália que fizesse o aborto. Sem este pormenor, a película não foi fiel ao livro e perdeu, pelo menos, metade da sua magia e do seu interesse.

Ainda assim, tal como fez a minha professora, aconselho vivamente a leitura deste romance. Está muito bem escrito, dá que pensar, e tem o ingrediente que mais prezo nos livros que leio e nos filmes que vejo: é comovente.

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O Quebra-Nozes

Ontem, no Coliseu dos Recreios, assisti ao Bailado O Quebra-Nozes, interpretado pela companhia Moscow Classical Ballet.

Confesso que sou uma apaixonada por Ballet, arte que vou descobrindo a pouco e pouco. O meu compositor preferido é Pyotr Tchaikovski, autor de O Quebra-Nozes, pelo que a minha expectativa era grande. E não saiu furada. O bailado foi muito bonito, com figurinos elegantes, cenários vivos e coreografias fáceis de acompanhar que davam à história uma simplicidade artística e leve, ingredientes essenciais num belo conto de natal.

Talvez as duas únicas críticas que tenha a fazer são o facto de as sequências da luta entre Quebra-Nozes e os Rei dos Ratos e a da Valsa das Flores terem sido muito paradas. Para quem adora a música de Tchaikovski, a Valsa das Flores é o ponto alto desta representação. Vê-la apresentada de forma simplista e quase sem chama é altamente decepcionante.

De qualquer forma, e de maneira geral, o espectáculo foi muito bem conseguido, captando sempre a atenção do espectador e dançado com uma técnica que apenas os melhores se podem gabar de ter. Todavia, e sobretudo no início, os bailarinos não estavam convenientemente sincronizados. Ainda assim, gostei.

Nota: não posso deixar de mencionar que, para minha grande surpresa, o público de ontem foi generoso, bateu muitas palmas e não tirou fotografias (com flash) durante a apresentação. Nem sequer tossiu muito nos momentos silenciosos, inédito em Portugal…
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Sissi

Desde que fui a Viena, em 1999, fiquei completamente fascinada pela cidade e pela História dos seus últimos anos de realeza. Principalmente pela Imperatriz Elizabeth da Baviera, mais conhecida por Sissi. Ora, foi essa paixão (e admiração) que me levou a ler este livro.

Escrito por Catalina de Habsburgo (uma descendente directa da família da Imperatriz), esta obra promete contar a atormentada vida de Sissi. O que, a meu ver, não aconteceu a 100%. Ou seja, a obra fala-nos efectivamente da monarca e dos seus episódios mais marcantes, contudo, dá sobretudo destaque às personalidades que fizeram parte da sua vida. Senão, vejamos: a narradora é uma rapariga húngara a quem a imperatriz dá guarida e transforma em leitora de húngaro particular. Ela conta-nos tudo através de cartas que envia à irmã, freira num convento. Todos os capítulos têm como título o nome de uma pessoa próxima de Sissi e relatam a sua relação com a imperatriz e a respectiva biografia. Portanto, ao longo do livro são-nos contadas as histórias das pessoas que conviveram com a monarca em vez da sua própria história de vida. O que é pena para quem procura saber mais sobre Sissi, e interessante para quem deseja conhecer o meio envolvente em que ela se movimentava.

Quanto à escrita propriamente dita, na minha opinião, não é nada de especial. Não sei se por culpa do tradutor ou da própria autora. Ajudava saber a língua de partida da tradução ou a língua original do livro.

Algo de que gostei bastante foi das fotografias que podemos encontrar no miolo. Imensas, de Sissi, dos seus familiares, amigos, pessoas importantes da época e até dos palácios que detinham em toda a Europa. Outro pró é a cronologia e uma descrição de todas as personagens no fim do livro. O Prólogo é da autoria de Rodolfo de Habsburgo, arquiduque da Áustria e pai da autora.

Para quem gosta de História europeia e se interessa pela monarquia em especial acho que não seria uma perda de tempo ler este livro. Apesar de tudo, dá-nos uma ideia geral de como era a vida monárquica e política no centro da Europa e desvenda os princípios que levaram à Primeira Guerra Mundial. Eu gostei. Mas, se quiserem um livro que se concentre mais especificamente na vida da Imperatriz Elizabeth aconselho a leitura de outra obra, como por exemplo, A Valsa Negra – Um retrato apaixonante da Imperatriz Sissi, de Ana María Moix ou (um dos meus preferidos sobre o tema) A Valsa Inacabada, de Catherine Clément.

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Inglourious Basterds

Na minha humilde opinião, este é o melhor filme de Quentin Tarantino e um dos melhores elencos de actores de sempre.

Como seria se a História fosse reescrita de maneira cómica e completamente surreal? É a esta pergunta que o novo filme de Tarantino tenta dar resposta. Inglourious Basterds é sobre um restrito número de soldados americanos, auto-intitulados Basterds e comandados por um Brad Pitt digno de Óscar secundário, que tenta chegar a Hitler matando o maior número de soldados nazis possível. A honra? Cortar-lhes o escalpe. O objectivo? Matar Hitler e acabar com a II Guerra Mundial, claro está.

O percurso até Hitler é uma deliciosa aventura que vai colar o espectador ao assento da cadeira de cinema, implorando para que o filme não acabe. Inúmeras situações entre alemães, ingleses, americanos e franceses procuram revelar as diferenças culturais de uma Europa retalhada (sendo as cenas do número três e a da Língua Italiana, seguramente a melhor do filme, disso exemplo) e as igualdades humanas e espirituais de personagens que poderiam ser consideradas uma mistura entre o típico filme de guerra americano com o tradicional filme noire.

As actuações dos actores são extraordinárias, começando por Brad Pitt e acabando em Diane Kruger (aqui surpreendemente mais mázinha e confiante do que nos papeis de loura burra e girl next door que geralmente lhe atribuem). Contudo, há um actor que não posso deixar de mencionar devido à sua maravilhosa performance que, para mim, é a melhor e a alma de todo o filme: Christoph Waltz.

Este (desconhecido) actor austríaco presenteia o público com uma representação incomparável e completamente imprevisível. Lembro-me de que na primeira cena consegue criar um tal ambiente de suspense que me deixou com as mãos coladas aos olhos, totalmente convencida de que ia fuzilar o pobre agricultor. Ora, não só não fuzilou, como conseguiu dar à cena o ambiente ambivalente de dúvida e certeza, transparecendo todo o cinismo, frieza e crueldade com que caracterizamos o típico soldado nazi. Já para não falar que ao longo do filme actua em três línguas diferentes, falando-as a todas na perfeição.

Quanto à direcção e ao argumento, direi apenas que Tarantino se superou. Mesmo que não tenham gostado dos seus filmes anteriores, aconselho-vos na mesma a verem este Inglourious Basterds, pois acho que terão uma bela surpresa. Só uma nota: não se esqueçam de que é um filme de Tarantino, logo tem cenas verdadeiramente violentas. O único contra.

Para rematar: NÃO DEIXEM DE VER INGLOURIOUS BASTERDS!
E bom cinema!