Literatura Europeia

São Petersburgo

Não sei se é algo tipicamente russo, mas cada vez que leio um autor deste país acho o livro bastante confuso. Aconteceu com a Lolita de Nabokov, o Nariz de Gogol e agora com o Petersburgo de Béli.
O inicio do livro é bastante interessante, estamos na Rússia do principio do século vinte, momentos antes da revolução, e somos recebidos nesta cidade emblemática por uma familia disfuncional. O filho de um general (simbolo da antiga Rússia imperial) alista-se no partido comunista onde é incitado a guardar uma bomba artesanal (colocada dentro de uma lata de sardinhas) em casa, com o objectivo de matar o pai. É a partir daqui que a história se desenvolve, acompanhada por um misto de loucura e genialidade que confunde e, por vezes, aborrece o leitor. Nicolai passa o livro inteiro a tentar perceber o que quer fazer, o que deve fazer e quem é. A escrita, que tenta expressar o pensamento e os sentimentos da personagem, torna-se confusa e estranha, não sendo (pelo menos para mim) agradável de ler. O que também não ajuda é a mancha gráfica do texto, os nomes enormes e repetitivos das personagens, as imensas notas de rodapé, que nos situam e explicam algumas das passagens, e a pontuação desordenada, cheia de dois pontos, travessões e vírgulas.
O mais surpreendente é que apesar de a história não ser um primor de ler, tem um final surpreendente e até comovente.
Literatura Britânica

Scottish Folk and Fairy Tales

Ainda no rescaldo da minha viagem à Escócia, acabei de ler este livrinho (que comprei numa das principais ruas de Glasgow e que me custou apenas dois euros numa loja da Oxfam, uma ONG que luta contra a pobreza e injustiça nos países subdesenvolvidos), e que é nada mais, nada menos do que uma compilação dos principais contos tradicionais escoceses.
Dividido em cinco partes (magia; monstros e gigantes; aparições, visões e bruxas; um clássico vitoriano e uma anedota especial) esta antologia é uma boa introdução à cultura escocesa e ao inicio da sua literatura, que depois nos veio a dar grandes nomes como Walter Scott, Robert Louis Stevenson ou Arthur Conan Doyle (que é, aliás, autor de um dos contos, intitulado Through the veil).
Gostei muito de ler esta edição da Penguin Classics, não só porque me fez sair da rotina dos romances, como também, e sobretudo, me ajudou a conhecer e a compreender um pouco mais o espírito escocês.
Para vos matar um pouco a curiosidade, deixo-vos uma tradução que fiz do conto The BrownieFerneden (é um pouco grande, mas vale a pena ler).
Enjoy.

Já houve muitos elfos conhecidos na Escócia, e já se escreveram muitas histórias sobre o Elfo de Bodsbeck e o Elfo de Blednock, contudo, nenhuma delas é tão bonita como a história que eu vos vou contar sobre o Elfo de Ferneden.
Ferneden era uma quinta, que ganhou o nome devido ao pequeno vale, ou monte, no cimo do qual se situava, e, pelo qual, quem quisesse ir para a sua casa tinha de passar.
Dizia-se que nessa quinta vivia um elfo que nunca aparecia durante o dia, mas que era visto por vezes à noite, como uma sombra desajeitada, a roubar coisas, andando de árvore em árvore e tentando manter-se fora da vista das pessoas, sem nunca, mesmo nunca, magoar ninguém.
Como todos os elfos que são deixados em paz e tratados como deve ser, também ele não magoava ninguém, e só queria retribuir de forma positiva aqueles que precisavam da sua ajuda. O dono da quinta dizia muitas vezes que não sabia o que faria sem ele, pois se por acaso deixava trabalho por fazer ao fim do dia, este aparecia feito de manhã, como colher milho ou peneirá-lo, metê-lo em sacos, aparar a relva, lavar a roupa, tratar do jardim ou arrancar as ervas daninhas. Tudo o que o dono da quinta e a mulher tinham de fazer era deixar a porta do celeiro ou do estábulo aberta antes de irem para a cama, e uma garrafa de leite fresco à entrada para o elfo beber. Depois, quando acordassem no dia seguinte, a garrafa estaria fazia e o trabalho estava terminado, e muito mais bem feito do que se tivessem sido eles a fazê-lo.
No entanto, e apesar de tudo isto que provava que a criatura era muito gentil e bondosa, todas as pessoas que lá viviam tinham medo dele e preferiam dar uma volta maior no escuro em redor da quinta, quando vinham do mercado ou da missa, do que atravessar o vale e correr o risco de dar de caras com ele.
Eu disse que todos tinham medo dele, mas não é verdade, a esposa do dono da quinta era tão doce e generosa que não tinha medo de nada, e por isso, sempre que punha a garrafa do lado de fora da porta, enchia-a com o melhor leite que tinha e adicionava-lhe uma colher de natas, dizendo,
– O elfo trabalha tanto para nós, sem pedir nada em troca, que merece a melhor refeição que lhe possamos dar.
Uma noite, a gentil senhora adoeceu gravemente e todos temeram que ela morresse. É claro que o marido ficou muito preocupado, mas os criados também ficaram, pois ela era uma patroa muito boa e eles viam-na quase como uma mãe. Porém, eram todos muito novos e nenhum sabia grande coisa sobre doenças, pelo que todos concordaram que seria melhor enviar alguém a casa de uma velhota que viva do outro lado do rio e que era conhecida por ser uma enfermeira muito prendada.
Mas, quem iria? Era esse o problema. Já era noite cerrada e o caminho até à casa da velhota ficava na outra ponta do vale. E, quem quer que viajasse nessa estrada corria o risco de se encontrar com o elfo.
O dono da quinta teria ido de boa vontade, não fosse o facto de não se atrever a deixar a mulher; por sua vez, os criados tinham formado vários grupos na cozinha, uns dizendo aos outros quem deveria ir, mas sem que ninguém se voluntariasse.
Mal sabiam eles que a causa de todo aquele pânico, um homenzinho pequeno, esquisito, feio, peludo, com uma longa barba, olhos vermelhos, marreco, com pés chatos que faziam lembrar os de uma rã e braços tão longos que tocavam no chão, mesmo quando ele se mantinha de pé, se encontrava a poucos metros deles, a ouvir a sua conversa com uma expressão curiosa, por trás da porta da cozinha.
Tinha aparecido, como sempre, do seu esconderijo no vale para ver se havia alguma tarefa para fazer e para beber a sua garrafa de leite. Percebeu, pela porta escancarada e pelas janelas iluminadas, que havia algo de errado dentro da quinta, que normalmente àquela hora já estava às escuras, quieta e em silêncio, e aproximou-se sorrateiramente da entrada para tentar descobrir o que era.
Quando entendeu pela conversa dos criados que a patroa, que também ele adorava, e que sempre fora tão generosa para com ele, estava doente, ficou com o coração destroçado. E quando ouviu que nenhum dos patetas dos criados enfrentaria o seu medo absurdo para ir buscar a enfermeira ao outro lado do vale, ficou cheio de raiva e fúria.
– Tolos, idiotas, cobardes! – murmurou para si próprio, batendo com os pés chatos e compridos no chão. – Falam como se um corpo estivesse pronto a tirar-lhes um pedaço assim que dessem de caras com ele. Se soubessem o trabalho que me dá desviar-me do seu caminho, não seriam tão tontos. Mas, se continuarem assim, a bondosa senhora vai morrer debaixo dos seus narizes. Logo, tem de ser o elfo a tomar a iniciativa.
Com estas palavras, levantou o braço e pegou numa capa castanha do dono da quinta que estava pendurada num cabide da parede. Colocando-a por cima da cabeça e dos ombros, de forma a esconder a estranha forma do seu corpo, correu até ao estábulo e preparou e selou um dos cavalos que lá se encontrava.
Quando terminou, levou o cavalo até à porta e montou-o.
– Se alguma vez correste rápido, corre rápido agora – disse ele, e foi como se o animal o entendesse, pois relinchou, abanou as orelhas e correu como uma seta em direcção à escuridão da noite.
Pouco tempo depois, como num abrir e fechar de olhos, o Elfo chegou a casa da velhota.
Ela estava deitada, a dormir, mas ele bateu na janela com tanta força que a acordou. Quando ela se levantou e encostou o rosto enrugado ao vidro para perguntar quem era, ele encolheu-se e disse-lhe ao que ia.
– Tendes de vir comigo, Boa Enfermeira, e depressa – ordenou ele, numa voz profunda e áspera, – pois a esposa do dono da quinta está muito doente e não há lá ninguém que a possa salvar.
– Mas como vou para lá? Alguém enviou uma carruagem? – perguntou a velhota ansiosa, pois, tanto quanto podia perceber, não havia mais ninguém à sua porta a não ser um cavalo e o respectivo cavaleiro.
– Não, ninguém enviou carruagem nenhuma – respondeu o Elfo, de forma clara. – Tenderás de subir para cima do cavalo e agarrar-vos à minha cintura, e prometo-vos que vos deixo em Ferneden sã e salva.
A voz dele era tão dominadora que a velhota não se atreveu a recusar a ordem. Para além disso, já tinha andado muitas vezes de cavalo quando era jovem, por isso, vestiu-se de maneira adequada, e depois de sair e de trancar a porta, montou o cavalo e agarrou-se ao estranho de capa escura.
Nenhum disse nada durante a viagem. Depois, ao aproximarem-se do vale, a velhota sentiu-se a perder a coragem.
– Achais que poderemos encontrar o Elfo? – perguntou ela, timidamente. – Não gostaria nada de correr esse risco, pois as pessoas dizem que ele é uma criatura que dá azar.
O seu companheiro riu-se.
– Não tenhais medo, pois juro-vos que esta noite não verás ninguém mais feio do que o estranho ao qual ides agarrada.
– Oh, então não há problema – respondeu a velhota, aliviada, – pois, embora eu ainda não tenha visto o vosso rosto, já percebi que sois um homem bom, por vos terdes preocupado com aquela pobre mulher.
Ela voltou a ficar em silêncio até passarem pelo vale e o cavalo ter chegado até à quinta. Em seguida, o cavaleiro desceu e, virando-se para ela, ajudou-a cuidadosamente a desmontar com os seus braços compridos e fortes. Ao fazê-lo, a capa escorregou e revelou o seu corpo pequeno, marreco e esquisito.
– Meu Deus! Mas que espécie de homem sois vós? – perguntou ela, olhando para o rosto dele através da luz fraca e cinzenta do amanhecer que começava agora a despontar. – Porque são os vossos olhos assim tão grandes? E o que fizestes aos vossos pés? Parecem mais pés de sapo do que de outra coisa qualquer.
O estranho homem voltou a rir.
– Caminhei muito durante toda a vida sem a ajuda de um cavalo, e ouvi dizer que andar demais deforma os pés – respondeu ele. – Mas, não percais tempo, Boa Enfermeira, entrai em casa e, se por acaso alguém vos perguntar quem vos foi buscar tão depressa ao outro lado do rio, dizei que havia falta de homens e que, por isso, teve de ser o Elfo de Ferneden a fazê-lo.
Literatura Norte-Americana

Homem na escuridão

Um murro no estômago. Mais uma vez foi este o efeito que um livro do escritor norte-americano Paul Auster teve em mim. E que bela sensação! Ser retirada do meu pequeno mundo, da minha comfortzone para ser arrastada para o conflito virtual de um homem que já não espera nada da vida e que conta histórias inventadas a si próprio para se distrair, adormecer ou, simplesmente, fazer o tempo passar mais depressa.
August Brill é um velhote de setenta e dois anos que recupera de um acidente de viação em casa da filha, e que, para se abster de pensar na morte da mulher, no divórcio da filha e no assassinato violento do namorado da neta no Iraque, inventa histórias a si mesmo. Todavia, essas histórias acabam sempre por tocar nos pontos que Bill tenta esquecer. Um homem que, de súbito, se vê encurralado numa América assolada por uma segunda guerra civil e que é obrigado a matar Bill (o autor da história) para sobreviver e salvar a esposa. Um suicídio imaginário que não chega a acontecer porque Bill decide matar a sua personagem fictícia. Mudança de ideias por causa de uma suposta esperança no futuro?
Nessa noite, e por acaso, a neta bate à porta do seu quarto e começa a falar com o avô sobre o passado da família. Uma conversa franca (e bastante liberal) onde os dois têm a oportunidade de desabafar sobre os seus fantasmas, de se conhecerem melhor e de se consolarem mutuamente. De madrugada, chega a filha que propõe o pequeno-almoço habitual. Bill interrompe-a e pede-lhe tudo o que tem direito numa refeição à lavrador. Os dois comentam o livro que a filha está a escrever sobre a poetisa (muito má, na opinião das personagens) Rose Hawthorne e Bill, antigo critico literário, diz-lhe que no meio de tanta porcaria houve um verso que verdadeiramente sobressaiu: Enquanto o bizarro mundo continua a girar.
É com este pensamento que Auster nos deixa num livro escrito em 2007 (em plena administração Bush e com laivos explícitos bastante críticos em relação à guerra do Iraque). Um pensamento que, depois de um livro pesado que nos afoga na mente cansada, mas lúcida, de uma homem velho e impotente, nos dá esperança e nos abre os olhos para a ideia de que aconteça o que acontecer neste estranho mundo, a vida continua, as pessoas seguem as suas vidas e nada, realmente nada, mudará isso.
Uma esperança que não nos deixa indiferentes. Uma esperança que dói. Mas, ainda assim, uma esperança.
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Passar o dia a ler. Literalmente…

No outro dia acordei com uma dilema em mente: Quantos livros deve uma pessoa ler por ano?

A questão não me surgiu do nada. Há dois anos, numa estadia prolongada em Florença, vários jovens deambulavam pela ruas a pedir aos transeuntes que fizessem esta mesma reflexão. Apanhada de surpresa, não soube o que responder. Contudo, ao fazer as contas de cabeça, decidi contar por baixo e dizer «nove o dieci», o que deixou a adolescente que me fez a pergunta bastante admirada com o número gordo. Mas, seriam assim tantos? Comparando com Nina Sankovitch, nem pouco mais ou menos.
Na minha busca «internetesca» por respostas, acabei por encontrar um blogue bastante interessante sobre uma americana que decidiu passar um ano a ler. Literalmente. Read all day conta a saga de Nina Sankovitch de ler um livro por dia. 365 dias, 365 livros. Com uma média de, mais ou menos, 200 páginas, a escolha dos autores foi muito variada, indo desde nomes da literatura dita light, como Jessica Treat, Rafael Yglesias ou John Grogan, até grandes referências da literatura mundial como Albert Camus, Leo Tolstoi ou Knut Hamsun. Para além de ter passado um dia inteiro a ler, Nina fez ainda uma critica (review) a cada um dos livros que lhe passou pelas mãos.
De 28 de Outubro de 2008 a 28 de Outubro de 2009, o dia-a-dia de Sankovitch foi invadido por histórias, personagens, ideias, conceitos e imaginários que só os livros podem oferecer. Inúmeras viagens partilhadas no blogue Read all day (onde podem encontrar a lista de livros lidos, as criticas e várias fotografias de Nina a ler nas mais diversas situações e estações do ano) e também no livro que ela acaba de publicar, e que relata exactamente esta experiência diferente e enriquecedora, Tolstoy and the purple chair.
Depois disto, creio que cheguei à conclusão de que não existe um número exacto de livros que se devem ler. Para um leitor ávido, dois ou três serão certamente poucos, mas para quem não tem hábitos de leitura, um ou dois, já será um número bastante aceitável. Pessoalmente, acho que me manterei na quota dos quinze ao ano (também dependerá da minha disposição, da grossura dos livros e de outros factores externos e internos). Todavia, de uma coisa tenho a certeza, se a rapariga que me questionou em Florença tivesse ouvido falar da história de Nina, não teria acreditado.
Literatura Portuguesa

O Ensino do Português

Este pequeno livrinho de Maria do Carmo Vieira, o primeiro da colecção Ensaios da Fundação, (uma parceria entre a Fundação Francisco Manuel dos Santos e a editora Relógio d´Água), faz uma abordagem geral do estado do ensino da Língua Portuguesa na escola de hoje.
Com conhecimento de causa por ser professora há mais de vinte anos, Maria do Carmo Vieira faz um balanço das políticas educativas que se foram fazendo ao longo das décadas, referindo-se ao ensino em todos os ciclos escolares, ao perfil do «novo» professor, às matérias leccionadas e ainda à iniciativa Novas Oportunidades.
Este ensaio critico esmaga sem piedade as últimas reformas introduzidas pelo Ministério da Educação, referindo exemplos concretos que foram vividos pela própria ou por colegas próximos, e apresentando soluções que, aparentemente, seriam, pelo menos, boas de se ouvir. Por exemplo, a autora critica bastante o facto de se ter retirado a Literatura da sala de aula (como a leitura integral de Os Lusíadas ou obras de escritores como Sophia, Miguel Torga ou Cesário Verde) para se dar lugar a textos mediocres de nenhuma importância, como analisar reclamações ou textos de carácter informativo sobre os Morangos com açúcar e o Big Brother. Outra mudança que pode chocar, pela razão apresentada, é o facto de os alunos já não lerem a Aparição de Vergilio Ferreira por o Ministério considerar que é um texto demasiado difícil porque fala sobre a morte «quando o que os aolescentes desejam é a vida».
Em suma, a visão que Maria do Carmo Vieira nos dá é a de que a escola trata os alunos como mentalmente incapazes, incutindo-lhes uma politica de facilitismo e desleixe que desencentiva os melhores a continuarem a ser bons, e afasta os mais fracos pela falta de interesse.
Apesar de O Ensino do Português representar, apenas e só, a opinião de uma professora respeitável, não deixa de nos alarmar para questões sociais graves que, no presente e no futuro, nos dizem e dirão respeito a todos.
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Liz Taylor 1932 – 2011

Foi com grande tristeza que soube da morte de Elizabeth Taylor.
Para além de ser uma actriz brilhante e versátil (da sua cinematografia constam filmes como Quo Vadis, Mulherzinhas, O Gigante, Butterfield8 e Quem tem medo de Virginia Woolf?) era uma das mulheres mais bonitas e excêntricas de Hollywood.
Espírito rebelde, Elizabeth interpretava normalmente mulheres fortes ou à beira de um ataque de nervos, dispostas a tudo para levar a sua avante. Casou oito vezes (duas com o mesmo homem, Richard Burton) e diz-se ter tido um namoro fugaz com o também desaparecido Michael Jackson. Independentemente das vicissitudes da vida privada, a sua carreira esteve sempre cheia de altos, com filmes extraordinários interpretados ao lado de grandes nomes do cinema, como James Dean, Rock Hudson, Spencer Tracy, Alec Guinness, Paul Newman, Audrey Hepburn ou Katherine Hepburn. Chegou também a dar a voz a Maggie Simpson, no único episódio em que a bebé dos Simpsons fala, e a participar no filme The Flinstones, com Hale Berry.
Já afastada dos filmes, Liz dedicou-se a criar perfumes, jóias (uma das suas maiores perdições) e à sua fundação de luta contra a sida, aparecendo de vez em quando em alguns eventos sociais, debilitada e de aparência mais velha do que realmente era.
Morreu hoje, depois de uma vida preenchida e, de certeza, muito bem vivida.
Aqui vos deixo o trailer de Butterfield8, o filme que finalmente lhe valeu o Óscar de melhor actriz em 1960.
Literatura Europeia

Odisseia

Confesso que a leitura deste livro não foi fácil. Talvez devido à sua extensão, talvez por ser em verso, talvez por eu preferir livros mais contemporâneos. Seja como for, a verdade é que quando o acabei, fiquei feliz por ter sido persistente e por tê-lo lido.
A Odisseia de Homero é um dos clássicos fundadores do pensamento ocidental (juntamente com a Bíblia e a Ilíada). Foi lido por quase todos os escritores que nos chegaram ao longo dos tempos, influenciando-os de uma maneira ou de outra.
A história é muito simples e conhecida da maioria das pessoas, mesmo daquelas que nunca leram o livro. Ulisses, um homem generoso e abastado, vê-se perdido depois da guerra de Tróia, e tenta desesperadamente chegar a casa, Ítaca, para a esposa, a bela e sensata Penélope (que é assediada por inúmeros pretendentes que se querem apoderar de si e dos bens de Ulisses) e para o filho prudente, Telémaco. Esta sua viagem, cheia de atribulações, dura vinte anos.
Mais que tudo, a Odisseia é um livro de aventuras escrito em verso, sobre um herói por quem o leitor nutre uma simpatia imediata devido às dificuldades que enfrenta. Percebemos que se trata de alguém especial, de um homem astucioso e divino, por ser ajudado pelos deuses, principalmente por Palas Atena, filha de Zeus.
Apesar de ser em verso, numa magnifica tradução do grego de Frederico Lourenço, é de leitura fácil e compreensível, apesar das inúmeras repetições.
Recomendo-o vivamente, não só por ser um dos grandes clássicos da Literatura, como também por nos ajudar a perceber que muitas das histórias que se lhe seguiram tiveram nele uma grande influência.
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Jane Russell

No dia 28 de Fevereiro morreu um dos ícones do cinema americano dos anos quarenta e cinquenta.
Jane Russell (1921-2011) foi descoberta pelo magnata Howard Hughes quando trabalhava como recepcionista na clínica dentária que ele frequentava. O produtor de Hollywood terá ficado arrebatado com os seios e a beleza da rapariga, e convidou-a para representar nos seus filmes.
A actriz ganhou fama imediata com o primeiro filme, The Outlaw, mas não há dúvida de que foi com Os homens preferem as loiras, onde contracenou ao lado de Marilyn Monroe, que conheceu o estrelato internacional. Filmes como A revolta de Mamie Stove e Macao mantiveram-na sob as luzes da ribalta.
Como resultado da sua carreira, Jane foi agraciada com uma estrela no passeio da fama e com a marca dos pés e das mãos, e respectiva assinatura, no Grauman´s Chinese Theatre.
No Estado do Alasca, duas montanhas foram baptizadas de The Jane Russell´s Peaks em homenagem aos seus atributos.