Literatura Britânica · Literatura Juvenil

Um Cântico de Natal

Desde pequeninos que vamos tendo conhecimento, através da televisão, do cinema ou do chamado boca-a-boca, de histórias que se tornaram clássicos e que, por isso, todos acabamos por conhecer porque vão sendo passadas de geração em geração. O que por vezes não sabemos, é que muitas dessas histórias surgiram da imaginação de escritores dotados, com mais ou menos relevância na sua própria época, e cujos livros foram sendo reeditados ao longo dos tempos e adaptados a formatos mais modernos. É o caso de Um Cântico de Natal, de Charles Dickens.
O que eu já sabia sobre este conto, escrito em 1843, era que um velho rabugento chamado Scrooge (que mais tarde viria a emprestar o nome ao célebre Tio Patinhas [Scrooge McDuck, na versão original], também ele rabugento e somítico), não gostava do Natal e, como tal, receberia a visita de três espíritos do Natal, o do passado, o do presente e o do futuro. Contudo, depois de ler o livro fiquei a conhecer a história completa e a compreender o porquê da sua longevidade e do seu fascínio.
Um Cântico de Natal não é apenas um manifesto que nos diz que o Natal é uma época de amor, paz e harmonia e que, por isso, devemos olhar mais para os outros e tentar adoptar uma atitude fraterna para com eles. Com esta obra, Dickens diz-nos que nunca é tarde para mudar e que apesar de termos tido uma infância difícil e de a vida por vezes ser muito complicada graças aos seus obstáculos naturais que todos encontramos pelo caminho, podemos olhar para ela como algo de bom e dar à nossa família, aos nossos amigos e aos demais o amor e a amizade de que todos precisamos enquanto seres humanos.
Longe de ser um livro moralista ou puramente religioso, Um Cântico de Natal é apenas a visão de um homem sobre a natureza humana e sobre aquilo que mais nos une e nos deixa felizes: a amizade e o gosto pela vida que, segundo ele, apesar de tudo, vale a pena.
Literatura Europeia

História da Polónia

História da Polónia, de Adam Zamoyski, um professor de História nova-iorquino descendente de polacos, é um resumo construtivo e completo, sem ser exaustivo, sobre o passado de uma das nações mais interessantes da Europa.
Como povo com uma identidade social e cultural, a Polónia conheceu o seu ideário na idade média, sendo um dos poucos estados europeus, senão mesmo o único, a viver segundo um regime democrático, onde o parlamento (sejm) elegia o rei, em vez de se sujeitar a uma hereditariedade considerada divina. Como está localizada no centro do continente, com uma excelente fronteira para o Mar Báltico, a Polónia foi, desde sempre, invadida, conquistada e partilhada pelas nações vizinhas que viam naquela extensão de terra um óptimo local de passagem, de recrutamento de exércitos e de vias de comunicação. Não foi por acaso que este país foi o primeiro a ser invadido na II Guerra Mundial e o que, depois do conflito, ficou mais destruído. Ainda assim, a Polónia conseguiu sempre reerguer-se chegando mesmo a dar ao mundo uma das suas primeiras universidades, bibliotecas, constituição «democrática» (3 de Maio), e talentos do calibre de Frederic Chopin, Marie Curie, Nicolau Copérnico, Papa João Paulo II e nada mais, nada menos do que quatro prémios Nobel da Literatura: Henrik Sienkiewicz, Czeslaw Milosz, Wladislaw Reymont e Wislawa Szymborska.
Segundo Adam Zamoyski, esta nação nunca se extinguiu devido ao sentimento de identidade profundo que os polacos possuem. Ainda bem, pois após tudo o que passaram, também eles, ou sobretudo eles, têm direito à liberdade tão merecida.
Literatura Britânica

Winston Churchill

Nas últimas semanas, o jornal semanário Expresso tem editado a segunda série (bem mais interessante do que a primeira, devo dizer) de biografias de algumas das personagens mais famosas e influentes da História: Hemingway, Churchill, Picasso, Keynes, Dalai Lama e John Lennon. Apesar de querer ler todas, comecei por aquela que mais curiosidade me suscitou, a de Churchill.
Nunca soube verdadeiramente porque é que Churchill teve um papel preponderante não só na História britânica, como na mundial. Sabia apenas que tinha sido crucial para a vitória dos Aliados na II Grande Guerra.
Apesar de estas biografias serem um pouco básicas e concisas, revelam os factos mais importantes da vida destas pessoas, ajudando-nos a compreender a razão da sua relevância. Aprendi que Churchill foi um homem teimoso que fez da politica o seu oficio (à parte da literatura, pela qual ganhou um prémio Nobel em 1953), e que fez de tudo para se manter no poder, como trocar várias vezes de partido (do conservador para o liberal, e vice versa), conforme a «crista da onda», isto é, quem se encontrava no poder ou tinha mais hipóteses de lá chegar. Apesar disso, Churchill, um senhor da guerra, foi alguém que viu mais além do que os outros, que guiou as tropas para a vitória sobre Hitler engendrando planos e tomando decisões sem pedir opinião a quase ninguém. Finda a guerra, porém, perdia as eleições para primeiro-ministro (com quase setenta anos) e acaba por morrer de velhice e de vários AVCs em 1965.
Uma biografia interessante, acompanhada por diversas fotografias e escrita por um jornalista alemão, Sebastian Haffner, que viveu no tempo de Churchill.
Esta série não deseja ser pretensiosa, nem substituir as grandes biografias dos seus visados, trata-se somente de uma abordagem ligeira para um público massificado que tem vontade de descobrir e de saber mais sobre algumas das personalidades que fazem parte do nosso imaginário colectivo. Recomendo.
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After Dark, Os Passageiros da Noite

Haruki Murakami foi-me aconselhado por uma amiga conhecida no nosso grupo por ter um gosto bom, moderno e alternativo no que à cultura diz respeito. Geralmente, o que ela me aconselha choca com o meu gosto pessoal de forma positiva, e Murakami não foi excepção.
After dark, Os Passageiros da Noite é um livro muito intenso sobre os sonanbulos e a vida nocturna de uma cidade grande japonesa. Aqui as personagens não abundam, conhecemos apenas a jovem Mari, que passa as noites a ler num café chamado Denny´s, que se cruza com um rapaz, Takahashi, que aproveita a noite para tocar com a sua banda. É a partir desta relação, que no inicio não se percebe muito bem se começa por amizade ou por uma atracção física, que ficamos a conhecer os dramas das personagens e da cidade onde residem, que opera aqui como metáfora para todo o Japão, e o porquê de uma visão tão triste, própria e, ao mesmo tempo, esperançosa do mundo.
Sem ser um livro moralista, longe disso, Murakami alerta-nos para a solidão da modernidade, para o ritmo da noite, completamente distinto do do dia, e que traz consigo uma identidade mais obscura, suja e até criminosa, e para o perigo dos novos valores sociais que dão mais importância ao superficial do que à pureza de espírito.
After Dark, Os Passageiros da Noite é uma obra que aconselho vivamente.
Depois deste primeiro contacto com o trabalho de Murakami, fiquei certamente com mais vontade e curiosidade de ler os seus outros títulos. Obrigada, amiga.
Literatura Britânica

Rob Roy

Rob Roy é um romance de 1817 e foi escrito pelo maior nome da literatura escocesa, Sir Walter Scott, um importante escritor (criador do romance histórico), dramaturgo e advogado de Edimburgo que para além desta obra escreveu ainda Ivanhoe, O Talismã e Waverley.
«Rob Roy trata-se de um romance histórico de suspense e ousadia, passado nas vésperas da sublevação jacobita de 1715. Francis Osbaldistone é enviado, no seguimento de uma desavença com o pai, para a propriedade de Sir Hildebrand Osbaldistone, seu tio, em Northumberland. Quando Francis descobre que o seu traiçoeiro primo, Rasleigh, um intruso jacobita, está interessado na bela Diane Vernon e planeia provocar a ruína financeira da família, Francis dirige-se à Escócia em busca do auxilio do temível fora da lei Rob Roy MacGregor (que só aparece a meio do livro).
Rob Roy move-se ao longo de uma vigorosa e colorida tela que liga o mundo da firma mercantil de Londres, Osbaldistone e Tresham, ao remoto esconderijo nas montanhas de Rob Roy e dos membros do seu clã, numa maravilhosa historia de heroísmo, romance e aventura.»
Várias vezes adaptado ao cinema, este clássico da literatura britânica consta ainda do livro Os 1001 livros que deve ler antes de morrer.
Decididamente a não perder. Adorei.
Literatura Norte-Americana

Anjos e Demónios


Gostei muito de O Código da Vinci e, apesar de Anjos e Demónios ter sido escrito antes do best-seller, não lhe fica muito atrás na imprevisibilidade, nem no suspense.
A história é simples, Robert Langdon, o famoso professor de História em Harvard que faz de «detective» nos livros de Dan Brown, é contactado pelo director de um laboratório suíço para desvendar um crime macabro que lá ocorreu. No cadáver encontrado, foi inscrita a palavra Illuminatti e é a partir dela que a trama começa.
O autor situa a história no coração de Roma, mais precisamente no Vaticano, e, como fez com O Código da Vinci, põe a sua personagem a desvendar crimes de carácter religioso, recorrendo aos arquivos da instituição e aos seus estudos e conhecimentos prévios.
O livro cumpre, sem pretensões, o seu propósito. É uma boa narrativa de aventuras, com uma linguagem fluída e informal, que prende a atenção do leitor até ao fim. Para além disso, dá-nos a conhecer curiosidades que provavelmente só os historiadores ou os mais interessados na matéria sabem, como, por exemplo, quem eram os membros da maçonaria ou de que se tratava a secreta Illuminatti.
Já mais para o final da obra, o diálogo dá a entender o fim, que perde o suspense e o interesse que adquiriu no inicio, e o último capítulo trata a relação de Lagdon com a personagem feminina, Vittoria Vetra, como se fosse uma cena à «James Bond». Creio que estes factores diminuem a história dando-lhe a marca de romance light ou guião de cinema que, ao longo do livro, não estava assim tão patente.
Anjos e Demónios não é nenhuma obra prima. É um bom livro de aventuras, quiçá mais adequado ao público adolescente, que entretém e desanuvia a mente do leitor adepto de clássicos ou de uma literatura mais exigente.
Ainda assim, é uma boa sugestão de Verão ou para um período em que não estejamos obrigados a reflectir realmente sobre o que lemos.
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Snoopy Parade







Não sei se já repararam, mas a Av. Duque de Ávila está mais alegre e convidativa.

Trata-se da Snoopy Parade, 20 figuras da personagem da Peanuts, Snoopy, foram pintadas por várias personalidades e anónimos, e estão colocadas ao longo da nova ciclovia que liga o Arco Cego a São Sebastião, em Lisboa.
Deixo-vos aqui as minhas preferidas. Vão ver!
Literatura Portuguesa

O Labirinto da Saudade

Este ensaio foi dos mais lúcidos, claros e objectivos que já li.
Eduardo Lourenço, uma das figuras incontornáveis do pensamento contemporâneo português, discorre neste livro, editado em 1978, sobre a identidade portuguesa e a razão pela qual de sermos como somos. Diz que Portugal não se aceita como realmente é, e que ou está demasiado ligado a um passado glorioso ou a um futuro incerto e angustiante. Refere ainda que os intelectuais e escritores podem ter tido um papel preponderante na nossa actual corrente de pensamento, como, por exemplo, a flagrante Geração de 70, que reunia nomes como Ramalho Ortigão, Eça de Queiroz ou Antero de Quental, e que se «queixava» constantemente de um país rural, sem inovação de máquinas nem de cultura, comparando-o a uma França que, nesse tempo, ditava as regras. Só com Fernando Pessoa, educado na África do Sul e sem grandes problemas identitários em relação à pátria mãe, é que a literatura começou a ganhar novos contornos e, por consequência, também a visão dos portugueses.
Em O labirinto da Saudade, Eduardo Lourenço discorre igualmente sobre a burguesia e a classe média, e sobre como o trabalho nunca foi visto como prioritário, nem como algo que engrandece o homem. Deixo-vos apenas com esta frase que, mais ou menos, resume a ideia do autor sobre o tema:
«Em princípio, todo o português que sabe ler e escrever se acha apto para tudo, e o que é mais espantoso é que ninguém se espante com isso.»
É impressionante como um livro que foi escrito no pós 25 de Abril, por um homem que se auto-exilou em França, continua, infelizmente, actual e verdadeiro. O labirinto da Saudade é uma obra que todos os portugueses deveriam ler. Recomendo vivamente.
Literatura Juvenil · Literatura Portuguesa

A Voz dos Deuses

O primeiro livro de João Aguiar, editado em 1984, foi uma boa estreia literária.
A Voz dos Deuses é uma espécie de livro de memórias feito pela personagem principal, Tongio, na velhice. A sua história confunde-se com a da Lusitânia, uma espécie de reino idealizado pelos lusitanos que, chefiados pelo famoso Viriato, lutavam incessantemente para não caírem nas teias do império romano que se expandia a olhos vistos.
Pode dizer-se que é um livro de aventuras didáctico, pois enquanto narra a historia ficcional de um jovem guerreiro que deseja ser útil à sua sociedade e lutar por aquilo em que acredita, conta, ao mesmo tempo, a História da Lusitânia e daqueles que a fizeram. Podemos inclusivamente encontrar, no final do livro, notas com os factos reais sobre Viriato, os ritos e lugares sagrados da Lusitânia, uma referencia bibliográfica que o autor utilizou, e um resumo cronológico com os factos históricos.
Enquanto obra literária, A Voz dos Deuses tem uma escrita bastante fluída (quase cinematográfica) e de fácil compreensão, o que o torna ideal para um público mais jovem que não só se diverte com a acção do livro, como também aprende sobre a História da sua própria identidade.