Literatura Britânica

Rob Roy

Rob Roy é um romance de 1817 e foi escrito pelo maior nome da literatura escocesa, Sir Walter Scott, um importante escritor (criador do romance histórico), dramaturgo e advogado de Edimburgo que para além desta obra escreveu ainda Ivanhoe, O Talismã e Waverley.
«Rob Roy trata-se de um romance histórico de suspense e ousadia, passado nas vésperas da sublevação jacobita de 1715. Francis Osbaldistone é enviado, no seguimento de uma desavença com o pai, para a propriedade de Sir Hildebrand Osbaldistone, seu tio, em Northumberland. Quando Francis descobre que o seu traiçoeiro primo, Rasleigh, um intruso jacobita, está interessado na bela Diane Vernon e planeia provocar a ruína financeira da família, Francis dirige-se à Escócia em busca do auxilio do temível fora da lei Rob Roy MacGregor (que só aparece a meio do livro).
Rob Roy move-se ao longo de uma vigorosa e colorida tela que liga o mundo da firma mercantil de Londres, Osbaldistone e Tresham, ao remoto esconderijo nas montanhas de Rob Roy e dos membros do seu clã, numa maravilhosa historia de heroísmo, romance e aventura.»
Várias vezes adaptado ao cinema, este clássico da literatura britânica consta ainda do livro Os 1001 livros que deve ler antes de morrer.
Decididamente a não perder. Adorei.
Literatura Norte-Americana

Anjos e Demónios


Gostei muito de O Código da Vinci e, apesar de Anjos e Demónios ter sido escrito antes do best-seller, não lhe fica muito atrás na imprevisibilidade, nem no suspense.
A história é simples, Robert Langdon, o famoso professor de História em Harvard que faz de «detective» nos livros de Dan Brown, é contactado pelo director de um laboratório suíço para desvendar um crime macabro que lá ocorreu. No cadáver encontrado, foi inscrita a palavra Illuminatti e é a partir dela que a trama começa.
O autor situa a história no coração de Roma, mais precisamente no Vaticano, e, como fez com O Código da Vinci, põe a sua personagem a desvendar crimes de carácter religioso, recorrendo aos arquivos da instituição e aos seus estudos e conhecimentos prévios.
O livro cumpre, sem pretensões, o seu propósito. É uma boa narrativa de aventuras, com uma linguagem fluída e informal, que prende a atenção do leitor até ao fim. Para além disso, dá-nos a conhecer curiosidades que provavelmente só os historiadores ou os mais interessados na matéria sabem, como, por exemplo, quem eram os membros da maçonaria ou de que se tratava a secreta Illuminatti.
Já mais para o final da obra, o diálogo dá a entender o fim, que perde o suspense e o interesse que adquiriu no inicio, e o último capítulo trata a relação de Lagdon com a personagem feminina, Vittoria Vetra, como se fosse uma cena à «James Bond». Creio que estes factores diminuem a história dando-lhe a marca de romance light ou guião de cinema que, ao longo do livro, não estava assim tão patente.
Anjos e Demónios não é nenhuma obra prima. É um bom livro de aventuras, quiçá mais adequado ao público adolescente, que entretém e desanuvia a mente do leitor adepto de clássicos ou de uma literatura mais exigente.
Ainda assim, é uma boa sugestão de Verão ou para um período em que não estejamos obrigados a reflectir realmente sobre o que lemos.
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Snoopy Parade







Não sei se já repararam, mas a Av. Duque de Ávila está mais alegre e convidativa.

Trata-se da Snoopy Parade, 20 figuras da personagem da Peanuts, Snoopy, foram pintadas por várias personalidades e anónimos, e estão colocadas ao longo da nova ciclovia que liga o Arco Cego a São Sebastião, em Lisboa.
Deixo-vos aqui as minhas preferidas. Vão ver!
Literatura Portuguesa

O Labirinto da Saudade

Este ensaio foi dos mais lúcidos, claros e objectivos que já li.
Eduardo Lourenço, uma das figuras incontornáveis do pensamento contemporâneo português, discorre neste livro, editado em 1978, sobre a identidade portuguesa e a razão pela qual de sermos como somos. Diz que Portugal não se aceita como realmente é, e que ou está demasiado ligado a um passado glorioso ou a um futuro incerto e angustiante. Refere ainda que os intelectuais e escritores podem ter tido um papel preponderante na nossa actual corrente de pensamento, como, por exemplo, a flagrante Geração de 70, que reunia nomes como Ramalho Ortigão, Eça de Queiroz ou Antero de Quental, e que se «queixava» constantemente de um país rural, sem inovação de máquinas nem de cultura, comparando-o a uma França que, nesse tempo, ditava as regras. Só com Fernando Pessoa, educado na África do Sul e sem grandes problemas identitários em relação à pátria mãe, é que a literatura começou a ganhar novos contornos e, por consequência, também a visão dos portugueses.
Em O labirinto da Saudade, Eduardo Lourenço discorre igualmente sobre a burguesia e a classe média, e sobre como o trabalho nunca foi visto como prioritário, nem como algo que engrandece o homem. Deixo-vos apenas com esta frase que, mais ou menos, resume a ideia do autor sobre o tema:
«Em princípio, todo o português que sabe ler e escrever se acha apto para tudo, e o que é mais espantoso é que ninguém se espante com isso.»
É impressionante como um livro que foi escrito no pós 25 de Abril, por um homem que se auto-exilou em França, continua, infelizmente, actual e verdadeiro. O labirinto da Saudade é uma obra que todos os portugueses deveriam ler. Recomendo vivamente.
Literatura Juvenil · Literatura Portuguesa

A Voz dos Deuses

O primeiro livro de João Aguiar, editado em 1984, foi uma boa estreia literária.
A Voz dos Deuses é uma espécie de livro de memórias feito pela personagem principal, Tongio, na velhice. A sua história confunde-se com a da Lusitânia, uma espécie de reino idealizado pelos lusitanos que, chefiados pelo famoso Viriato, lutavam incessantemente para não caírem nas teias do império romano que se expandia a olhos vistos.
Pode dizer-se que é um livro de aventuras didáctico, pois enquanto narra a historia ficcional de um jovem guerreiro que deseja ser útil à sua sociedade e lutar por aquilo em que acredita, conta, ao mesmo tempo, a História da Lusitânia e daqueles que a fizeram. Podemos inclusivamente encontrar, no final do livro, notas com os factos reais sobre Viriato, os ritos e lugares sagrados da Lusitânia, uma referencia bibliográfica que o autor utilizou, e um resumo cronológico com os factos históricos.
Enquanto obra literária, A Voz dos Deuses tem uma escrita bastante fluída (quase cinematográfica) e de fácil compreensão, o que o torna ideal para um público mais jovem que não só se diverte com a acção do livro, como também aprende sobre a História da sua própria identidade.
Literatura Norte-Americana

Freedom

Foi apelidado de melhor romance americano da década pela Time e, como consequência, o seu autor, Jonathan Franzen, teve a honra de ser um dos poucos escritores a aparecer recentemente na capa desta publicação. Justo para monstros como Paul Auster e Phillip Roth?
Na minha opinião, o romance de 568 páginas poderia ter sido escrito em 300. O tema principal do livro é a relação de Patty e Walter Berglund desde que se conheceram na faculdade, até à meia-idade. A sua história é muito americana, no sentido em que retrata uma família disfuncional de classe média, tendo como um dos tempos presentes os anos de 2002/2003, ou seja, o rescaldo do 11 de Setembro. Pelo meio, Franzen ainda tem engenho para abordar temas como a ecologia, a politica ou o modo de vida moderno, criticando as posições de Bush e dando a entender que a vida nos Estados Unidos poderia ter sido outra caso Kerry ou Al Gore tivessem ganho as eleições.
O que mais gostei no livro foi o facto de Franzen ter construído personagens muito diferentes (apesar de não serem ricas ou complexas, à excepção de Patty) para dar ao leitor o ponto de vista de cada uma delas em representação de uma camada da sociedade americana. Contudo, por vezes, sentia que alguns dos problemas mencionados ou das discussões tidas (bastante realistas e fluídas) poderiam ter saído de um programa televisivo como o Dr. Phil ou The Tyra Show.
Não é que não tenha gostado de ler Freedom, por vezes, gostei, por outras, nem por isso, mas fazer dele um marco na literatura americana moderna parece-me extremamente excessivo. O que dirão então de Auster e Roth? Que são génios? Pois… se calhar, são mesmo.
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José e Pilar

Ontem, dia 18 de Junho, fez um ano que José Saramago morreu. Para comemorar a data, a cinemateca de Lisboa apresentou o filme José e Pilar com a presença do realizador Miguel Gonçalves Mendes e da viúva do escritor, Pilar del Río. A longa-metragem foi filmada entre 2006 e 2009 e acompanhou o casal em diversas digressões mundiais e sessões de autógrafos, em especial na promoção e divulgação do mais recente livro até então, A Viagem do Elefante.
Nunca achei Saramago uma personagem particularmente simpática, parecia-me austero, soturno e um pouco arrogante (razão pela qual talvez nunca tenha lido uma obra sua), no entanto, este filme mudou a minha percepção do homem. Ao longo do documentário, vemos um Saramago simpático, humano, generoso e até cómico que, apesar da idade, de um cancro em estado avançado, e da constante presença da ideia de morte (com a qual começa e termina o filme), não descansa nem baixa os braços, trabalhando arduamente todos os dias para vencer e aproveitar o tempo que ainda lhe resta. A grande «culpada» desta sua vontade em ser produtivo é Pilar del Río, sua esposa, companheira, amiga, secretária, tradutora, cúmplice. Através das cenas, percebemos o que os une e o que os separa, e vemos duas partes autónomas e independentes a formar um todo que faz todo o sentido.
Gostei muito (muito mesmo) deste filme. Não só está extremamente bem feito e montado, com uma Lanzarote linda e cinzenta como pano de fundo e uma banda sonora magnifica a cargo de nomes como Adriana Calcanhoto, Camané ou Noiserv, como também nos mostra o outro lado (o pessoal e humano) de duas figuras públicas importantes e controversas que, indiscutivelmente, fazem parte da nossa História cultural e literária.
O DVD e o CD da banda sonora foram lançados ontem. Aconselho toda a gente a ver e a ouvi-los, quer gostem de José e Pilar, quer não.
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Barney’s Version

Esta semana vi um filme de que gostei bastante. Acabado de estrear em Portugal, Barney´s Version (A minha versão do amor) conta a história de um homem que encontra o amor da sua vida no dia do seu segundo casamento.
Barney (interpretado por um brilhante Paul Giamatti) vive meio perdido até encontrar Miriam, uma mulher bonita, inteligente e sensata que o faz divorciar-se de uma esposa chata e snobe, e ir até ao fim do mundo, se for preciso, para que ela lhe dê uma oportunidade. Os dois acabam por casar e constituir família, porém, a rotina do dia a dia, a diferença de personalidades, o problema que Barney tem com a bebida, um crime por desvendar que o persegue até ao fim e o alzheimer fazem com que a convivência em conjunto nem sempre seja fácil. No entanto, o que este filme nos mostra é que, quando verdadeiro, o amor pode superar tudo.
Deixo-vos a sugestão (se forem sensíveis, ou lamechas, como eu, não se esqueçam do pacote de lenços…) e o trailer.
Vão ver, vale mesmo a pena. Não só pela bela história, como também pela maravilhosa interpretação dos actores.