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Os Miúdos Estão Bem

Os Miúdos Estão Bem conta a história de um casal de lésbicas (Julianne Moore e Annette Bening) com dois filhos adolescentes, Joni de 18 anos e Laser de 15, que cada uma deu à luz através do mesmo dador de esperma. Certo dia, Laser pede à irmã que ligue para a clinica de inseminação artificial e que peça a informação necessária para que consigam conhecer o pai biológico (Mark Ruffalo). Depois de o pai consentir a autorização para tal, a familia não convencional conhece-se e começa a relacionar-se de forma caótica pondo em causa o próprio relacionamento entre si e a sua privacidade.
Os Miúdos Estão Bem mais do que um filme sobre uma familia gay é um filme sobre as relações entre os membros familiares, constantemente testadas pelas vicissitudes da vida e, neste caso, também por uma entidade externa que ameaça a até então fervente harmonia familiar.
É um bom filme, entre a comédia romântica e o drama sério, capaz de provocar risos mas também de nos pôr a pensar sobre as questões mais profundas e fundamentais da vida a quatro, ou a cinco. 
Em 2011, arrebatou quatro nomeações para os Óscares: 
Melhor Filme
Melhor Actriz – Annette Bening
Melhor Actor Secundário – Mark Ruffalo
Melhor Argumento Original.
Não sei se dá para tanto… 
Literatura Britânica

Charles Dickens

Como este ano se comemora o bicentenário de Charles Dickens, que nasceu em Portsmouth, sul de Inglaterra, a 7 de fevereiro de 1812, resolvi ler as suas obras mais emblemáticas. Já lera a versão juvenil de Oliver Twist no secundário e quis agora alargar o meu leque de conhecimentos sobre este autor tão relevante do século XIX.
Comecei por comprar três livros que me atraíram, sobretudo, pela sua relação qualidade/preço: Um Cântico de Natal, uma edição de bolso portuguesa; e duas versões originais publicadas em conjunto e a baixo preço: A tale of two cities e Great Expectations. Mais tarde, comprei Os Cadernos Pickwick por fazer parte da colecção de humor que Ricardo Araújo Pereira seleccionou para a editora Tinta da China.
Devo dizer que estou a meio caminho da minha cruzada Dickens: no natal passado li o Cântico, de que gostei bastante e no qual me inspirei para baptizar o meu gato: Marley (em homenagem à personagem  Jacob Marley, que avisa Scrooge dos perigos da avareza, do egoismo e do seu comportamento pouco simpático). O último livro que li foi A tale of two cities, que me deu algum trabalho por estar escrito no inglês do século dezanove e que, apesar de não ser tremendamente diferente do actual, tem algumas características estranhas a um olho português pouco habituado. 
Neste momento vou no inicio de Os Cadernos Pickwick, de que também estou a gostar. As peripécias do Sr. Pickwick e da sua trupe têm sido bastante engraçadas, com sarcasmos e mal entendidos sociais pelo caminho. Muito divertido e muito “Dickens”, com os habituais dialectos e maneirismos de certas personagens que nos dão uma ideia não só de como seria a personagem em si, mas também de como seria, mais ou menos, o tipo de pessoas que se podiam encontrar na Inglaterra desses tempos. 
Devo confessar que o que mais me está a agradar no meu período Dickens é o facto de me concentrar especificamente num autor. Gosto de acabar um livro e de começar um novo escrito pelas mesmas mãos e pela mesma cabeça. Parece que consigo dissecar mais facilmente o seu género, escrita, humor e distinções. Estou a gostar tanto que acho que vou fazê-lo para os restantes escritores que desejo ler. Uma pessoa fica muito mais alerta e especializada num autor deste modo do que se ler as suas obras com pausas e interrupções. Parece que assim se retém muito mais. Pelo menos, eu retenho. 
Depois de Pickwick acho que me vou aventurar no Hard Times e em David Copperfield, que já vi existirem na biblioteca local. Se o fizer, Charles Dickens passará a ser um dos autores mais lidos por mim e acompanhar-me-à até ao final deste ano. Nada mau para comemorar um bicentenário, não acham?
Literatura Europeia · Literatura Juvenil

O Diário de Anne Frank

Devo confessar que só agora é que li este livro. E que pena não tê-lo feito mais cedo. Trata-se de um testemunho magnifico sobre as vitimas do Holocausto que não se encontravam nos campos de concentração, mas que tentavam fugir deles.

Anne dá-nos a imagem perfeita de como era viver com medo dos alemães, num anexo pobre, sem condições, com cada vez menos comida, e com pessoas desconhecidas que se revelaram ser difíceis de conviver. Também nos dá informações históricas como o facto de eles saberem o que se passava nos campos de concentração e de terem a consciência de que se fossem apanhados teriam o mesmo destino que os restantes judeus.
No meio deste testemunho surgem ainda as angústias e as aflições de uma adolescente que entra para o anexo aos 13 anos e que sai de lá para um campo de concentração, onde morre, aos 15.
O Diário de Anne Frank é um livro obrigatório para não se deixar cair no esquecimento aquele que foi um dos episódios mais horrendos da História da Humanidade. E, se por acaso forem a Amesterdão, não podem deixar de visitar a casa de Anne Frank, ou seja, o anexo onde Anne viveu com a familia, os Van Daan e o Sr. Dussel durante dois anos.
Uma história que vale a pena conhecer para não se tornar a repetir.
Literatura Europeia

Eu não tenho medo

Brincando com os amigos numa tarde de muito sol, Michele acaba por esbarrar numa casa abandonada que contem um segredo macabro. Está lá escondido um menino da sua idade, raptado por pessoas da aldeia e deixado a definhar num buraco escuro, sujo e frio, sem água, nem comida.
Este é o ponto de partida de Io non ho paura (Eu não tenho medo), um romance de 2001 da autoria do escritor italiano, premiado em 2007 com o prémio Strega, Niccolo Ammaniti. A acção da história decorre em 1978, numa cidade imaginária do Sul de Itália chamada Acqua Traverse. Tem como personagem principal Michele Amitrano, um rapaz pré-adolescente, curioso e destemido, que desafia os valores dos adultos sofridos e conformados, e tenta encontrar dentro de si o bom senso que lhes falta.
Muito bem escrito e com um ritmo fluente, Io non ho paura espelha a realidade complicada das gentes do sul italiano, que prezam a família acima de tudo, mas que sentem grandes dificuldades em entender-se, em falar sobre os seus sentimentos, e em pôr comida na mesa.
Com um desfecho inesperado mas bonito e ternurento, revelando, mais uma vez, que a força interior, o bom senso e o amor são os motores do ser humano, o livro encerra com um final meio aberto, meio fechado, permitindo várias interpretações ao leitor, mas deixando-o, ao mesmo tempo, com uma dica sobre o que provavelmente terá acontecido. Muito bonito.
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Ler é preciso… E muito.

Why should we bother reading a book? All children say this occasionally. Many of the 12 million adults in Britain with reading difficulties repeat it to themselves daily. But for the first time in the 500 years since Johannes Gutenberg democratised reading, many among our educated classes are also asking why, in a world of accelerating technology, increasing time poverty and diminishing attention spans, should they invest precious time sinking into a good book?
The beginnings of an answer lie in the same technology that has posed the question. Psychologists from Washington University used brain scans to see what happens inside our heads when we read stories. They found that “readers mentally simulate each new situation encountered in a narrative“. The brain weaves these situations together with experiences from its own life to create a new mental synthesis. Reading a book leaves us with new neural pathways.
The discovery that our brains are physically changed by the experience of reading is something many of us will understand instinctively, as we think back to the way an extraordinary book had a transformative effect on the way we viewed the world. This transformation only takes place when we lose ourselves in a book, abandoning the emotional and mental chatter of the real world. That’s why studies have found this kind of deep reading makes us more empathetic, or as Nicholas Carr puts it in his essay, The Dreams of Readers, “more alert to the inner lives of others”.
This is significant because recent scientific research has also found a dramatic fall in empathy among teenagers in advanced western cultures. We can’t yet be sure why this is happening, but the best hypothesis is that it is the result of their immersion in the internet and the quickfire virtual world it offers. So technology reveals that our brains are being changed by technology, and then offers a potential solution – the book.
Rationally, we know that reading is the foundation stone of all education, and therefore an essential underpinning of the knowledge economy. So reading is – or should be – an aspect of public policy. But perhaps even more significant is its emotional role as the starting point for individual voyages of personal development and pleasure. Books can open up emotional, imaginative and historical landscapes that equal and extend the corridors of the web. They can help create and reinforce our sense of self.
If reading were to decline significantly, it would change the very nature of our species. If we, in the future, are no longer wired for solitary reflection and creative thought, we will be diminished. But as a reader and a publisher, I am optimistic. Technology throws up as many solutions as it does challenges: for every door it closes, another opens. So the ability, offered by devices like e-readers, smartphones and tablets, to carry an entire library in your hand is an amazing opportunity. As publishers, we need to use every new piece of technology to embed long-form reading within our culture. We should concentrate on the message, not agonise over the medium. We should be agnostic on the platform, but evangelical about the content.
We must also get better at harnessing the ability of the internet to inform readers, and potential readers, about all the extraordinary new books that are published every year, and to renew their acquaintance with the best of Britain’s rich literary tradition. The research shows that if we stop reading, we will be different people: less intricate, less empathetic, less interesting. There can hardly be a better reason for fighting to protect the future of the book.
by Gail Rebuck (The Guardian)
Literatura Britânica · Literatura Juvenil

Um Cântico de Natal

Desde pequeninos que vamos tendo conhecimento, através da televisão, do cinema ou do chamado boca-a-boca, de histórias que se tornaram clássicos e que, por isso, todos acabamos por conhecer porque vão sendo passadas de geração em geração. O que por vezes não sabemos, é que muitas dessas histórias surgiram da imaginação de escritores dotados, com mais ou menos relevância na sua própria época, e cujos livros foram sendo reeditados ao longo dos tempos e adaptados a formatos mais modernos. É o caso de Um Cântico de Natal, de Charles Dickens.
O que eu já sabia sobre este conto, escrito em 1843, era que um velho rabugento chamado Scrooge (que mais tarde viria a emprestar o nome ao célebre Tio Patinhas [Scrooge McDuck, na versão original], também ele rabugento e somítico), não gostava do Natal e, como tal, receberia a visita de três espíritos do Natal, o do passado, o do presente e o do futuro. Contudo, depois de ler o livro fiquei a conhecer a história completa e a compreender o porquê da sua longevidade e do seu fascínio.
Um Cântico de Natal não é apenas um manifesto que nos diz que o Natal é uma época de amor, paz e harmonia e que, por isso, devemos olhar mais para os outros e tentar adoptar uma atitude fraterna para com eles. Com esta obra, Dickens diz-nos que nunca é tarde para mudar e que apesar de termos tido uma infância difícil e de a vida por vezes ser muito complicada graças aos seus obstáculos naturais que todos encontramos pelo caminho, podemos olhar para ela como algo de bom e dar à nossa família, aos nossos amigos e aos demais o amor e a amizade de que todos precisamos enquanto seres humanos.
Longe de ser um livro moralista ou puramente religioso, Um Cântico de Natal é apenas a visão de um homem sobre a natureza humana e sobre aquilo que mais nos une e nos deixa felizes: a amizade e o gosto pela vida que, segundo ele, apesar de tudo, vale a pena.
Literatura Europeia

História da Polónia

História da Polónia, de Adam Zamoyski, um professor de História nova-iorquino descendente de polacos, é um resumo construtivo e completo, sem ser exaustivo, sobre o passado de uma das nações mais interessantes da Europa.
Como povo com uma identidade social e cultural, a Polónia conheceu o seu ideário na idade média, sendo um dos poucos estados europeus, senão mesmo o único, a viver segundo um regime democrático, onde o parlamento (sejm) elegia o rei, em vez de se sujeitar a uma hereditariedade considerada divina. Como está localizada no centro do continente, com uma excelente fronteira para o Mar Báltico, a Polónia foi, desde sempre, invadida, conquistada e partilhada pelas nações vizinhas que viam naquela extensão de terra um óptimo local de passagem, de recrutamento de exércitos e de vias de comunicação. Não foi por acaso que este país foi o primeiro a ser invadido na II Guerra Mundial e o que, depois do conflito, ficou mais destruído. Ainda assim, a Polónia conseguiu sempre reerguer-se chegando mesmo a dar ao mundo uma das suas primeiras universidades, bibliotecas, constituição «democrática» (3 de Maio), e talentos do calibre de Frederic Chopin, Marie Curie, Nicolau Copérnico, Papa João Paulo II e nada mais, nada menos do que quatro prémios Nobel da Literatura: Henrik Sienkiewicz, Czeslaw Milosz, Wladislaw Reymont e Wislawa Szymborska.
Segundo Adam Zamoyski, esta nação nunca se extinguiu devido ao sentimento de identidade profundo que os polacos possuem. Ainda bem, pois após tudo o que passaram, também eles, ou sobretudo eles, têm direito à liberdade tão merecida.
Literatura Britânica

Winston Churchill

Nas últimas semanas, o jornal semanário Expresso tem editado a segunda série (bem mais interessante do que a primeira, devo dizer) de biografias de algumas das personagens mais famosas e influentes da História: Hemingway, Churchill, Picasso, Keynes, Dalai Lama e John Lennon. Apesar de querer ler todas, comecei por aquela que mais curiosidade me suscitou, a de Churchill.
Nunca soube verdadeiramente porque é que Churchill teve um papel preponderante não só na História britânica, como na mundial. Sabia apenas que tinha sido crucial para a vitória dos Aliados na II Grande Guerra.
Apesar de estas biografias serem um pouco básicas e concisas, revelam os factos mais importantes da vida destas pessoas, ajudando-nos a compreender a razão da sua relevância. Aprendi que Churchill foi um homem teimoso que fez da politica o seu oficio (à parte da literatura, pela qual ganhou um prémio Nobel em 1953), e que fez de tudo para se manter no poder, como trocar várias vezes de partido (do conservador para o liberal, e vice versa), conforme a «crista da onda», isto é, quem se encontrava no poder ou tinha mais hipóteses de lá chegar. Apesar disso, Churchill, um senhor da guerra, foi alguém que viu mais além do que os outros, que guiou as tropas para a vitória sobre Hitler engendrando planos e tomando decisões sem pedir opinião a quase ninguém. Finda a guerra, porém, perdia as eleições para primeiro-ministro (com quase setenta anos) e acaba por morrer de velhice e de vários AVCs em 1965.
Uma biografia interessante, acompanhada por diversas fotografias e escrita por um jornalista alemão, Sebastian Haffner, que viveu no tempo de Churchill.
Esta série não deseja ser pretensiosa, nem substituir as grandes biografias dos seus visados, trata-se somente de uma abordagem ligeira para um público massificado que tem vontade de descobrir e de saber mais sobre algumas das personalidades que fazem parte do nosso imaginário colectivo. Recomendo.
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After Dark, Os Passageiros da Noite

Haruki Murakami foi-me aconselhado por uma amiga conhecida no nosso grupo por ter um gosto bom, moderno e alternativo no que à cultura diz respeito. Geralmente, o que ela me aconselha choca com o meu gosto pessoal de forma positiva, e Murakami não foi excepção.
After dark, Os Passageiros da Noite é um livro muito intenso sobre os sonanbulos e a vida nocturna de uma cidade grande japonesa. Aqui as personagens não abundam, conhecemos apenas a jovem Mari, que passa as noites a ler num café chamado Denny´s, que se cruza com um rapaz, Takahashi, que aproveita a noite para tocar com a sua banda. É a partir desta relação, que no inicio não se percebe muito bem se começa por amizade ou por uma atracção física, que ficamos a conhecer os dramas das personagens e da cidade onde residem, que opera aqui como metáfora para todo o Japão, e o porquê de uma visão tão triste, própria e, ao mesmo tempo, esperançosa do mundo.
Sem ser um livro moralista, longe disso, Murakami alerta-nos para a solidão da modernidade, para o ritmo da noite, completamente distinto do do dia, e que traz consigo uma identidade mais obscura, suja e até criminosa, e para o perigo dos novos valores sociais que dão mais importância ao superficial do que à pureza de espírito.
After Dark, Os Passageiros da Noite é uma obra que aconselho vivamente.
Depois deste primeiro contacto com o trabalho de Murakami, fiquei certamente com mais vontade e curiosidade de ler os seus outros títulos. Obrigada, amiga.