Literatura Europeia

O Assassinato do Arquiduque

E o primeiro livro do ano está lido!
O Assassinato do Arquiduque, de Greg King e Susan Woolman, foi um presente de natal que pedi à minha irmã para ler como continuação de Os Três Imperadores, de Miranda Carter. 

O livro é uma espécie de biografia sobre o arquiduque Francisco Fernando e todos os factos que levaram ao seu assassinato em Sarajevo, em 1914, e ao início da Primeira Guerra Mundial. 
Francisco Fernando não era o herdeiro natural ao trono austro-húngaro, mas sobrinho do imperador Francisco José e quarto na linha de sucessão. Quando o príncipe herdeiro, Rodolfo, se suicidou, e o pai de Francisco Fernando se recusou a ser o sucessor devido à idade avançada, o arquiduque teve de assumir a sua “responsabilidade de Habsburgo” e assegurar a governação do reino. 


Francisco Fernando era um aristocrata diferente. Casou com a mulher que amava, Sophie Chotek, queria dividir o reino em regiões para garantir uma governação mais fácil e eficaz, e era mais instruído do que a maior parte dos membros da aristocracia. O imperador Francisco José não gostava das suas ideias por achar que eram demasiado liberais, e temia que o império se desfizesse sob o reinado de um arquiduque que nunca fora educado para reinar. 


O facto de o arquiduque ter desposado Sophie Chotek também não agradou ao tio, nem à nobreza. Apesar de ter nascido condessa, Sophie viveu uma vida de poucos luxos, pois a sua família perdera a fortuna e sobrevivia com o salário pouco abastado do pai, embaixador. Muitos viram no casamento uma forma de Sophie subir na vida e, por isso, não gostavam dela e humilhavam-na sempre que possível. Devido ao casamento morganático, o arquiduque foi forçado a fazer um juramento em como não incluía a mulher e os filhos na linha de sucessão. Quando morresse, o reino passaria automaticamente para o seu primo, Otto. 

O Assassinato do Arquiduque dá-nos uma ideia muito clara de como era para esta família viver na corte Habsburgo enquanto a Europa atravessava um período de grande agitação social. Muitas monarquias colapsaram no começo do século XX, pelo que o grande desafio, e desejo, das casas reais era manterem-se no poder sem muita instabilidade. 

Apesar de ser um livro histórico, de não-ficção, é notório que os autores não são completamente imparciais. Isto é, ao longo do livro, apercebemo-nos de que Greg King e Susan Woolman estão do lado de Francisco Fernando e Sophie quando dizem que eles foram vítimas de uma conspiração perpetrada por pessoas sem moral e sem escrúpulos. Se aceitarmos esta premissa conseguimos compreender melhor a visão que os autores têm dos acontecimentos históricos. Devo dizer que, para mim, não constituiu nenhum obstáculo à leitura nem à formação de uma opinião própria.

Conclusão: gostei muito deste livro. Está muito bem escrito, tem um ritmo agradável e, apesar de ser um livro de História, não é nem pouco mais ou menos aborrecido. Fiquei a saber mais sobre o arquiduque cuja morte despontou um dos maiores massacres da Humanidade, e sobre o contexto político-social europeu da primeira metade do século XX. Recomendo!
Casas de Escritores · Fiódor Dostoiévski

Casa Museu Fiódor Dostoiévski

Em 2012 tive a felicidade de visitar São Petersburgo, a segunda maior cidade da Rússia. A ex-capital do país tem muitos pontos de interesse como, por exemplo, o Museu Hermitage, o rio Neva, a Catedral do Sangue Derramado ou a Avenida Nevski. No entanto, como admiradora incondicional de Dostoiévski, também quis conhecer a antiga casa do escritor que hoje é um museu aberto ao público.

Localizada num canto entre as ruas Kuznechny 5/2 e Dostoevskogo Ulitsa, o apartamento reconstruido e mobilado de acordo com as recordações da segunda mulher do autor e de amigos próximos, foi a casa de Dostoiévski durante dois períodos da sua vida. O primeiro em 1846, no início da sua carreira, e o segundo desde o final de 1878 até à sua morte. Terá sido aqui que Dostoiévski escreveu Os Demónios (1871) e Os Irmãos Karamazov (1880).

A casa está muito bem conservada e exibe objectos pessoais como cigarros, móveis, pratos, papéis, brinquedos e até um chapéu. Gostei muito de conhecer este espaço intimo de Dostoievski e da sua família, recomendando, claro está, uma visita ao local a todos os amantes dos seus livros. A sinalizar o museu está uma estátua em homenagem ao escritor na rua que também tem o seu nome.

 

 

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2013 Wrap Up!

Apesar de prosseguir com as críticas aos livros que li em 2013, vou fazer o meu wrap up do ano!

2013 foi um ano de leituras razoável. Li 19 livros (mais um do que no ano passado), mas só dois ou três me cativaram verdadeiramente. A maioria não teve grande impacto e provavelmente não será relida no futuro nem ficará na minha memória a longo prazo. Enfim, creio que isto significa um regresso aos clássicos!
Tenho três “resoluções” para o novo ano de 2014:

– Ler mais clássicos
– Ler cerca de 25 livros
– Não comprar mais livros
No outro dia estive a contar os meus TBR (To Be Read = livros que ainda não li). Cheguei à triste conclusão de que tenho 211 livros comprados e não lidos em casa. Como me sinto envergonhada em apresentar semelhante número, tomei logo uma decisão: este ano vou não vou comprar livros. Digo “não vou” porque o ano passado disse “tentar” e não consegui manter a promessa, pois tinha a margem de manobra que o verbo tentar sempre dá. Porém, este ano, vou ter mesmo de conseguir não comprar livros, caso contrário serei uma “hoarder” de literatura em vez de uma leitora assídua, o que não quero. Não gosto que os objetos, sejam eles quais forem, tomem conta da minha vida. O que entra em minha casa é usado, senão é apenas dinheiro gasto e espaço ocupado. 
Contudo, abrirei uma exceção: este ano vou fazer a minha viagem de sonho a Nova Iorque! Durante esses dias não vou olhar a gastos, nem a números, nem a estantes pejadas de livros para ler. Vou perder a cabeça e comprar o que quiser. Vou deliciar-me naquelas livrarias gigantes e trazer comigo os livros que me deixem curiosa e as edições mais bonitas. E isto é uma promessa! Sem ser esta exceção, não vou comprar livros.
Sem mais demora, o meu Wrap Up do ano (por ordem cronológica de leitura):
What I Loved, Siri Hustvedt
O Século XX Português, José Miguel Sardica
Alone in Berlin, Hans Fallada
O Rapaz do Pijama às Ricas, John Boyne
Blankets, Craig Thompson
Living Alone and Liking It, Barbara Feldon
Noturno Indiano, Antonio Tabucchi
A Year in the Merde, Stephen Clarke
O Isqueiro de Oiro, Dick Haskins
A Cidade de Ulisses, Teolinda Gersão
Inferno, Dan Brown
O Coelho Pedro e outras histórias, Beatrix Potter
Dead Man’s Folly, Agatha Christie
Na Síria, Agatha Christie
Os Três Imperadores, Miranda Carter
O Álibi Perfeito, Patricia Highsmith
O Caso Jane Eyre, Jasper Fforde
The Testament of Mary, Colm Toibin
Voo na Noite, Saint-Exupéry
Literatura Britânica

Agatha Christie

Como não podia deixar de ser, este ano li mais dois livros da autora Agatha Christie. Dead Man’s Folly e Come, Tell Me How You Live (Na Síria).

Dead Man’s Folly (1956)

Para contrastar com o Inferno, de Dan Brown, esta foi uma grande leitura de verão. Uma típica aventura Poirot.
O detetive recebe o telefonema de uma amiga de longa data e escritora de romances policiais, Mrs. Ariadne Oliver, para se juntar a ela na propriedade de Nasse House, onde decorrerá uma caça ao tesouro policial. Este jogo consiste em descobrir o assassino que terá matado um dos convidados. Porém, a família de Nasse House parece querer dar muitas dicas e opiniões sobre a brincadeira, o que leva Mrs. Ariadne a pensar que está alguma coisa errada e, consequentemente, à chamada de Poirot. Quando o detetive chega percebe de imediato que algo de estranho se passa. Espera pelo dia da festa. A rapariga que deveria fazer de cadáver está realmente morta. E é então que começa a investigação do detetive belga.

Uma grande história que me deixou colada ao livro durante dois ou três dias, Dead Man’s Folly é original, está muito bem escrito e inclui um leque de personagens bem ao estilo Agatha Christie: tresloucadas, suspeitas, com problemas psicológicos e emocionais, e muito inglesas na sua essência. 
É do principio ao fim um autêntico deleite que faz com que o leitor queira pular páginas só para desvendar o crime mais depressa.

Come, Tell Me How You Live (1946)

Agatha Christie nunca me deixa de surpreender, e talvez seja isso que eu gosto nela. Para além de escrever magníficas histórias de detetives, a escritora também se aventurou noutros modelos de escrita: teatro, romances (sob o pseudónimo Mary Westmacott) e diários de viagem. Come, tell me how you live enquadra-se neste último. 

O segundo marido de Agatha Christie, Max Mallowan, era arqueólogo de profissão e tinha de passar muito tempo fora de casa a fazer as suas pesquisas. Na altura, estas ocorriam maioritariamente no Médio Oriente, e por vezes a esposa acompanhava-o. Este livro é o relato da expedição que o casal fez à Síria. 
Numa crónica biográfica muito bem escrita e extremamente cómica (outro lado da autora que se calhar poucos conhecem), Agatha Christie conta-nos o dia a dia da sua equipa, os seus falhanços e sucessos, o tratamento/ relacionamento dos ocidentais com os habitantes locais e as diferenças culturais flagrantes e próprias que criam cenas absolutamente inesperadas e deliciosas. 
O livro também está pejado de curiosidades engraçadas como, por exemplo, o aparecimento do fecho éclair (e a estranheza que causava), e a obsessão da autora por sapatos. Para além disso, é também  muito interessante ver como se vivia num país que hoje em dia é presença assídua nos noticiários pelas piores razões. 

Uma leitura super agradável, fluída, cómica e extremamente moderna, escrita num período em que a autora fazia de enfermeira e socorria os soldados feridos da II Guerra Mundial em Londres, e o marido se encontrava no Egipto, colocado ali pelo British Council. Bela forma de matar saudades.
Literatura Britânica · Literatura Juvenil

O Coelho Pedro e outras histórias

O Coelho Pedro, ou Peter Rabbit, é uma personagem clássica da literatura infantil que faz parte do imaginário de muitas crianças e adultos. Conheci este adorável coelhinho através de uns desenhos animados que davam na RTP2. Contudo, quando mais tarde vi o filme Miss Potter, com Renée Zelleweger e Ewan McGregor, percebi que estas histórias representavam mais do que uma mera diversão para os pequenitos. 
Helen Beatrix Potter nasceu em 1866, na cidade de Londres, no seio de uma abastada família burguesa que vivia dos rendimentos dos avós maternos, antigos comerciantes de algodão. Foi educada em casa com o irmão, porém, quando este prosseguiu os estudos numa escola para rapazes, Beatrix permaneceu em casa (como quase todas as meninas), tendo por companhia os animais domésticos. Gostava de os observar e começou a desenhá-los com apenas nove anos. As férias da família eram passadas na Escócia e em Lake District onde Beatrix aprendeu a apreciar a natureza e a vida animal. Mais tarde acabaria por estudar Arte e História Natural. 
Beatrix tentou editar as suas histórias e desenhos mais de cinquenta vezes, sem sucesso. Contudo, houve um editor que apostou nela: Norman Warne. Os livros foram muito bem recebidos pelo público e permitiram a Beatrix comprar uma propriedade em Near Sawrey, que chamou de Hill Top e integrou nos seus contos. Os pais, vitorianos, não achavam adequado que uma menina de família vivesse da publicação de livros, pelo que exigiram que ela se casasse. O que não sabiam, no entanto, era que Norman Warne pedira Beatrix em casamento e ela aceitara com muito entusiasmo. Porém, um mês depois do pedido, Norman morreria de anemia, o que deixou Beatrix bastante deprimida. Concentrou-se no trabalho e escreveu mais do que nunca.
Acabaria por casar em 1913 com William Heelis, um procurador local e amante da natureza, tal como ela. Foram viver para Sawrey onde se dedicaram à criação animal e preservação ambiental. Quando Beatrix morreu, em 1943, deixou ao National Trust mais de 1600 ha de terras e quinze quintas. 
Diz-se que J. K. Rowling deu o apelido Potter a Harry em honra de Beatrix, e chamou a escritora infantil que aparece nos livros da saga de Beatrix Bloxam, em homenagem a Potter. 
O Coelho Pedro
É um livro pequeno que narra em onze histórias as peripécias dos animais de uma quinta.
As personagens são sempre as mesmas: os Coelhinhos Flopsi, o esquilo Trinca-Trinca, os Dois Ratos Traquinas, o Bernardo Bichano, a Genoveva Patareca, a Senhora Janota, o Timóteo Pezinhos-de-Lã, Ruivo e Pickles, a Senhora Tira- Nódoas e o Senhor Jeremias Pescador. 
Há contos mais bonitos do que outros, mas todos tendem a mostrar uma moral que, a meu ver, nem sempre é clara (principalmente para crianças). Nota-se que a obra está um pouco desactualizada em relação aos livros infantis de hoje, mas, na minha opinião, é um livro a ter em conta ou não fosse ele um clássico. 
Creio que parte da sua magia se deve ao facto de ter sido um dos primeiros livros infantis da literatura moderna a ser escrito por uma mulher, e ter ilustrações absolutamente magníficas e ternurentas apreciadas por pessoas de todas as idades. 
Diz-se que o quarto do Principe George de Inglaterra, filho dos Duques de Cambridge, foi decorado com figuras do Coelho Pedro. 
Literatura Norte-Americana

Inferno

O primeiro livro que li de Dan Brown foi o Código Da Vinci. Vi-o na estante de uma pequena loja da Fnac que existia ao pé da minha casa antes de começar a histeria mundial pela obra. Pensei comprá-lo, sentindo-me atraída pelo título e pela capa, contudo, como tinha em casa muitos livros para ler, fui-me embora sem ele. Rendi-me finalmente quando chegou um ponto em que parecia que não se falava de outra coisa no mundo. Devorei-o em três dias, sem vergonha. Não consegui poisá-lo. As revelações (verdadeiras ou não) eram demasiado polémicas para lhes ficar indiferente e a forma como a história estava contada era suficientemente empolgante para não desviar a minha atenção. 
Depois de o Código Da Vinci li o Anjos e Demónios. Escrito previamente, mas publicado no nosso país depois da loucura do Código, foi um livro que deixou um pouco a desejar. A acção centrava-se novamente no Vaticano, onde vários bispos estavam a ser assassinados e Robert Langdon tinha de desvendar mais um mistério relacionado com a igreja. N\ao achei tanta graça e a minha curiosidade pelos livros de Brown parou aí.
Até que chegou Dante.
Subitamente, o mundo viu-se outra vez obcecado com um best-seller de Dan Brown. As livrarias ficaram cheias com cópias do livro, o Youtube não falava de outra coisa e a praia deixou ver quantas pessoas quiseram descer ao Inferno.
Decidi lê-lo por uma única razão: a história passa-se em Florença, cidade onde vivi durante dois meses e se tornou um dos meus lugares preferidos. A minha curiosidade prendia-se essencialmente com o facto de ver como Dan Brown a tratara. 
Não há dúvida de que a estudou e conheceu muito bem. As descrições são muito exactas e realistas, fazendo com que estabeleçamos um mapa mental e nos sintamos a resolver os enigmas com as personagens. No entanto, creio que ao longo dos capítulos se vão tornando enfadonhas e um tanto pesadas. Não é necessário descrever uma avenida inteira só para dizer que os protagonistas vão entrar num certo edifício, nem descrever exaustivamente uma praça irrelevante para a acção, mas importante para o turismo. Se para uma pessoa que conhece bem o lugar as descrições se tornam enfadonhas, imagino como será para outra que nunca tenha lá estado.
A história propriamente dita é mais do mesmo: muita acção e enigmas. Achei que, comparado com os livros anteriores de Dan Brown, este tem demasiadas perseguições. Os protagonistas estão sempre a fugir de alguém; chegam a um sítio e fogem, chegam a outro e voltam a fugir. A dada altura só me apetecia que se mantivessem num lugar qualquer e não fugissem. 
As personagens não são ricas e num livro de Dan Brown não precisam de ser (já sabemos ao que vamos). Contudo, uma delas, Vayentha, era a cópia descarada de Lisbeth, protagonista da trilogia de Stieg Larsson. Achei de mau gosto porque a apropriação não foi subtil e porque um autor como Brown não precisa de se apossar de personagens de outros autores. Para mim, Robert Langdon será sempre o Tom Hanks e não percebi bem a personalidade de Sienna (esquizofrénica? sobredotada? carente?), nem o nome espanhol (Marta Alvarez) da empregada de museu que, ao que tudo indicou, era italiana.
De uma forma geral, o Inferno de Dan Brown é um livro razoável. Gostei que tivesse como subtema a sobrepopulação do mundo (por ser pouco abordado) e que se centrasse em Florença. De resto, é apenas um livro leve que não muda a nossa vida, mas nos entretém na praia. 
E, por vezes, também são precisos livros assim. 
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Férias

Para mim, férias de Verão significa passar a maior parte do tempo à beira da piscina ou na praia a ler um bom livro. Talvez seja por isso que gosto tanto deste descanso em particular. Não conheço lugares novos no sentido físico da palavra, mas abstracto. Diverte-me bastante.
Este ano, decidi tirar fotografias a pessoas que gostam de fazer o mesmo. Passar o dia a ler uma história interessante enquanto desfrutam do sol, do mar ou da piscina.
Eis o resultado:

Literatura Europeia

A Year in the Merde

Comecei a ler este livro há cerca de ano e meio, e parei. Parei porque não achei graça, porque me pareceu gratuito e porque simplesmente não me cativou. A personagem principal não era interessante e a trama também não era especialmente intrigante. Não pensei voltar a lê-lo, contudo, há três semanas, quando procurava a minha nova leitura, vi-o na estante, ainda com o separador a marcar a minha paragem, e pensei que não adiantava nada ele estar ali a apanhar pó e que mais valia lê-lo. Acabei-o ontem.

A Year In The Merde (2004) é o primeiro livro do autor inglês Stephen Clarke. Conta a história de Paul West, um jovem britânico que vai trabalhar para uma empresa de alimentação parisiense com o propósito de os ajudar a abrir uma cadeia de casas de chá. 
Paul percebe rapidamente que o Reino Unido e a França são muito diferentes a nivel cultural. Seja no trabalho, em discotecas/cafés ou simplesmente na vida social e politica do país, o protagonista vê que a mentalidade francesa não tem nada a ver com a forma de como ele vê o mundo. Queixa-se das contantes greves que os sindicatos fazem e que paralisam o país (farmacêuticos, policias, jornalistas, transportes públicos, etc), da corrupção, da politica, das mulheres, do trabalho, enfim… Parece que todos os defeitos dos descendentes de Asterix acabam por atingi-lo, de uma forma ou de outra.

Apesar de ser um livro onde a personagem principal se queixa constantemente das características dos gauleses, há passagens bastante cómicas que nos dão a conhecer um pouco mais, não da realidade francesa, como poderá dar a entender, mas dos círculos politicos e corruptos que assolam a França. Paul compreende que as pessoas que o rodeiam não são propriamente honestas e decide fazer-lhes frente de uma maneira não comprometedora, mas que acaba por ser vantajosa para todos.

A Year In The Merde não é espectacular, é um livro que se lê bem na praia ou nos transportes públicos, caso não estejam em greve. Tem uma linguagem acessível, situações caricatas e é pouco repetitivo.
O único aspecto de que não gostei muito foi o facto de as mulheres serem quase sempre vistas como uma potencial parceira sexual. Ou será que este britânico é que era tarado? Enfim…
Recomendo o livro a quem quiser saber um pouco mais sobre o funcionamento da sociedade francesa ou simplesmente a quem quiser ler um livro divertido e despreocupado.

Sei que entretanto Stephen Clarke já publicou algumas sequelas desta obra como Merde Actually, Merde Happens, Dial M for Merde e The Merde Factor. É caso para dizer que se espreme a laranja até ao fim. Não lerei nenhum destes exemplares porque A Year In The Merde não me marcou ao ponto de me deixar curiosa sobre os restantes livros, e porque me parece que a história ficou resolvida, não necessitando, assim, de mais intervenções.