Literatura Britânica

O Livro da Selva

olivrodaselva

Comprei O Livro da Selva na Feira do Livro de Lisboa do ano passado, e pu-lo na estante em lista de espera. Este ano, a Disney lançou o remake do seu filme de animação baseado na obra de Kipling, a desculpa perfeita para o meu exemplar passar à frente dos outros livros e ser lido rapidamente.

Sou uma grande fã dos filmes da Disney, sei-os de cor e vi-os vezes sem conta. A maior parte das  suas histórias são baseadas em livros ou contos, pelo que, quando leio um dos livros que os inspirou, é inevitável que imagine o universo que a Disney criou para a narrativa. Aconteceu com Alice no País das Maravilhas, Mary Poppins, A Pequena Sereia, e, é claro, O Livro do Selva.

A acção de O Livro da Selva (1894) ocorre na Índia e conta não só a história de Mowgli, como a de outros animais que habitam a selva indiana, pela qual Kipling nutria uma grande admiração. O livro, na verdade, é uma coletânea de contos sobre elefantes, cavalos, vacas e focas, escrito para a sua filha Josephine, que morreu de pneumonia em 1899, com apenas seis anos. Acredita-se que as narrativas tenham uma lição moral que tenta instruir o leitor sobre como viver na sociedade de então. No ano seguinte a esta edição, Kipling lançou O Segundo Livro da Selva (1895) com mais histórias de animais indianos e outros cinco contos sobre Mowgli.

A comparação da história de Mowgli de Kipling com a versão animada da Disney é inevitável. A primeira coisa em que se repara é que, no primeiro O Livro da Selva, esta é mais crua e rude do que no filme da Disney. Apesar de ser uma criança, Mowgli não é infantil, sabe o que quer e a sua teimosia leva-o a singrar junto dos companheiros que o olham com desconfiança. A luta com o tigre Shere Khan também é mais épica do que no filme, e o seu final é completamente diferente. Parece que a Disney pegou nas personagens de Kipling e infantilizou-as para que a história pudesse ser contada a crianças, o que é compreensível.

Gostei do livro, porém, não o suficiente para ler O Segundo Livro da Selva. Pelo menos, para já. No entanto, não deixo de recomendar a obra a quem gosta do filme da Disney ou se interessa por Kipling. Afinal, trata-se de um bom livro.

Literatura Juvenil · Literatura Norte-Americana

Anne dos Cabelos Ruivos

annedoscabelosruivos

Anne dos Cabelos Ruivos (1908) foi o último livro que li nas férias de Verão. Com este livrinho que me trouxe muitas recordações de infância, consegui cumprir o desafio a que me propus.

Há precisamente um ano, encontrei no Youtube um video de uma das minhas séries infantis preferidas: Ana dos Cabelos Ruivos. Fiquei novamente viciada e vi toda a primeira temporada. No entanto, fiquei surpreendida ao saber que a série se tratava da adaptação literária de uma série para crianças da escritora Lucy Maud Montgomery. Como gosto muito da história, pensei comprar a obra em inglês, mas, como estava a tentar não comprar mais livros e ler os que já tenho, pus a ideia de parte. Passados alguns meses, ao passear pela Fnac, dei de caras com a mais recente tradução do livro em português e não hesitei, comprei-o logo.

O livro narra a história da órfã Anne Shirley, uma menina que é levada para Green Gables por engano, mas que acaba por conquistar toda a gente com a sua grande imaginação e coração enorme. Anne consegue fazer o seu caminho como uma criança normal, ajuda em casa, vai à escola e integra-se bem na sociedade que a rodeia.

Cada livro da série corresponde a uma etapa da vida de Anne, o que significa que a menina chega até nós com 11 anos e continua na nossa companhia até à idade adulta. Esta característica é uma das razões pelas quais desejo prosseguir com a leitura dos livros, a minha curiosidade para saber como será a vida de Anne ficou bastante aguçada.

Gostei muito de Anne dos Cabelos Ruivos. O que mais me chamou a atenção foi a não tradução dos nomes das personagens, como acontece na série televisiva (já que o título foi aproveitado), e o facto de esta estar magnífica. É inevitável que um leitor que tenha visto a série pense nela ao ler o livro. Contudo, este pormenor não tira o encanto à leitura da obra original que permanece um clássico infantil incontestável. Recomendo vivamente.

Anne dos Cabelos Ruivos

Literatura Norte-Americana

Wonder

wonder

Depois de uma experiência tão má com o The Lost Symbol (ver crítica abaixo), eu estava desesperada por um bom livro. Escolhi Wonder e o meu desespero foi rapidamente combatido.

Ouvi falar de Wonder (2012) no Youtube. Muitos dos chamados “booktubers” que eu sigo aconselharam a sua leitura e ao vê-lo exposto na Feira do Livro de Lisboa não hesitei e comprei-o.

A obra é sobre a adaptação de August, um menino com uma doença rara que causa a deformidade do rosto, à escola. Devido à sua condição, os pais sempre o ensinaram em casa, porém a mãe acha que será bom para ele ter contacto com o mundo exterior, pois Auggie não poderá passar o resto da vida rodeado por quatro paredes. Eis então uma mudança radical na vida dos quatro membros da família, dos alunos que frequentam a escola para onde Auggie vai, e também da sociedade em geral.

A premissa já de si é interessante e diferente, no entanto, o que eu achei mais original no livro foi a forma como R. J. Palacio retratou as mesmas situações que ocorrem nos diversos pontos de vista de quem as vive. A primeira impressão cabe a Auggie, vemos como se sente e se encaixa nesta grande aventura, depois, vemos como os outros que o rodeiam, a família e os amigos, sentem as mesmos acontecimentos no seu próprio modo de ver as coisas. Foi a primeira vez que li um livro em que tal ocorre de forma tão nítida e singular. Uma característica que permite aos leitores porem-se no lugar do Outro e, consequentemente, sentirem empatia por ele.

Gostei muito deste livro. Está bem escrito, a história é boa e emotiva e creio que não deixa ninguém indiferente. Na minha opinião, todos as pessoas, e principalmente todos os adolescentes, deviam lê-lo. Recomendo vivamente.

Literatura Norte-Americana

The Lost Symbol

thelostsymbol

O terceiro livro que li nas férias foi o maior que levei. Tinha 528 páginas e era em inglês. Fiquei com medo de que me atrasasse a leitura e que, por isso, não me permitisse terminar o desafio a tempo. O que quase aconteceu. Quase…

Quando surgiu o The Da Vinci Code (2003) comprei-o para ver por que razão toda a gente o lia, e se era tão bom, ou tão mau, como diziam. A verdade é que gostei tanto da trama que o devorei em três dias. Apesar de não ter conseguido parar de o ler, reconheci que o estilo de Dan Brown não é dos melhores. A sua escrita é básica, com frases curtas e vocabulário escasso, demasiadas descrições e constatações de factos absolutamente escusados que não abonam em favor da história e tomam o leitor como pouco perspicaz. 

No entanto, como tinha gostado do livro, resolvi comprar o Anjos e Demónios (2000) que foi editado em Portugal logo depois. Sinceramente, não me lembro da história. Sei que se passa em Roma, que tem a ver com o Vaticano, mas não me consigo lembrar da trama, nem se gostei do livro ou não (o que é revelador). Só me recordo de ter pedido o seguinte obra de Dan Brown, The Lost Symbol como prenda de Natal no ano em que saiu, e de o ter guardado na estante até hoje. Não tinha vontade de lhe pegar, apesar de ser uma edição bonita e de se tratar de uma leitura pouco exigente. 

Contudo, em 2013, saiu Inferno e Dan Brown regressou à ribalta. Comprei o livro porque a história se passava em Florença, cidade onde passei dois dos melhores meses da minha vida, e que conheço como a palma da mão. Li-o no Verão, em inglês, e detestei. Detestei por causa do estilo de Brown e da sua excessiva descrição da cidade e de tudo o que ocorre. A premissa era boa, tinha a ver com Dante Alighieri e com a sua obra maior Inferno, precisamente, mas o autor não conseguiu fazer jus à ideia e transformou-a num livro de acção digno de um guião de Hollywood, demasiado longo e muitas vezes confuso e repetitivo.

Foi exactamente isso que senti com The Lost Symbol. Uma premissa boa, com informações interessantes sobre a maçonaria norte-americana, um vilão prometedor e, claro, Tom Hanks, que é como quem diz, Robert Langdon. Mas não singrou. De todo. Os mesmos problemas dos outros livros. Dan Brown tem boas ideias, mas é um escritor medíocre (para ser simpática), que não leva os seus leitores a sério. Como o livro era mau, não me apetecia lê-lo, mas tinha de o fazer para cumprir o meu desafio. Confesso que, pela primeira vez na vida, saltei parágrafos completamente desnecessários para me ver livre da leitura. Enfim. Mau por mau, mais vale ver as adaptações cinematográficas. Não recomendo. 

Literatura Britânica

Animal Farm

animalfarm

O segundo livro que li nas minhas férias de Verão foi o mais pequeno que levei e o que mais me intrigava. Tinha receio de que fosse de leitura difícil, mas não, Orwell é muito claro. Muito claro.

Quando andava no secundário, a minha professora de português mostrou-nos numa aula um filme de desenhos animados chamado O Triunfo dos Porcos. Eu nunca tinha ouvido falar na obra, nem em George Orwell, mas o filme teve um grande impacto em mim. Nunca mais me esqueci dele e fiquei com vontade de ler o livro que o inspirou.

Animal Farm (1945) pretende contar a história da origem do comunismo na antiga União Soviética, através da alegoria de uma quinta. Todos os animais se juntam para expulsar o Homem opressor da propriedade e decidem ficar a governá-la sem líder e criar uma sociedade em que todos são iguais, com os mesmos direitos e deveres. A teoria é boa e todos estão de acordo com ela, o problema é que nem todos os animais são iguais, e nem todos querem ter os mesmos direitos e deveres. É aqui que os problemas começam.

Apesar de ser socialista, Orwell era um grande crítico de Estaline. Considerava-o um ditador que apreciava o culto da personalidade e governava com mão de ferro um reino de terror. O seu objetivo ao escrever esta obra foi “fundir um propósito político com um propósito artístico”. E conseguiu. Animal Farm tem pouco mais de 100 páginas mas abalou o mundo. Explica com clareza no que se pode tornar uma sociedade comunista e no que o poder pode fazer às pessoas. Faz parte de todas as listas de livros a ler e é considerado um clássico da literatura.

Para mim, foi uma boa surpresa, lembrei-me do filme que a minha professora mostrou e vi tudo com mais transparência e compreensão. Foi a minha leitura de Verão preferida. Recomendo vivamente.

Literatura Britânica

Jogo de Espelhos

jogodosespelhos

Todos os anos, no verão, leio um livro de Agatha Christie. É um hábito que tenho desde os doze/ treze anos e que dura há pelo menos dez. Não é tanto do género “Criminal” que eu gosto, embora goste bastante. É das histórias de Poirot, Miss Marple e Tommy and Tupence, que são sempre parecidas, simples e divertidas, perfeitas para ler à beira-mar. É da familiaridade da escrita de Christie.

Este ano, o eleito foi Jogo de Espelhos (1952), protagonizado por Miss Marple. Nesta aventura, uma amiga de Marple pede-lhe para fazer uma visita à irmã e conhecida de ambas, Carrie Louise, por lhe parecer que esta não se encontra bem. Ao chegar a casa dela, a “detetive” fica com a mesma impressão e tenta perceber o que há de errado no ambiente que a rodeia. À primeira vista está tudo normal, eis senão quando aparece o sócio do marido de Carrie Louise que diz saber que alguém dentro da casa está a tentar envenená-la. Passadas algumas horas, o homem é brutalmente assassinado. É a partir deste homicídio que Marple tenta desvendar se há mesmo um assassino em série no seio familiar e o que o motiva para matar…

Esta história é como todas as histórias de Christie: acessível, bem desenvolvida, bem escrita, e divertida. A escritora não dá todas as informações ao leitor para que o seu detetive possa brilhar no final, algo de que não me importo minimamente pois o desfecho em que o criminoso é exposto e apanhado dá-me muito gozo e é um dos pontos altos do livro. É incrível como quase sempre se arrependem e nunca tentam fugir. Pessoalmente gosto mais dos livros interpretados por Poirot porque acho que se trata de um personagem mais forte e bem construído, todavia, no fundo, para a narrativa acho que não faz grande diferença.

Gostei deste Jogo de Espelhos, acho que a história é interessante e revelou um pouco mais sobre a vida privada de Miss Marple. Para quem gosta de Agatha Christie, é uma obra a ler.

Literatura Britânica · Literatura Europeia · Literatura Norte-Americana · Uncategorized

Leituras de Verão

 

Como é costume, este verão passei duas semanas fora, na praia. E, como é costume, levo sempre livros para ler. Este ano, decidi ser (demasiado) ambiciosa e por de parte cinco livros para levar. Não estava com muita fé de os ler a todos, mas… li!
O primeiro livro que comecei a ler quase não viu a luz do sol, pois foi quase todo lido em casa, só precisei do primeiro dia de férias para o terminar. Trata-se de O Jogo de Espelhos, de Agatha Christie. A autora, como já devem saber, é sempre uma das minhas companheiras de verão, se bem que este ano troquei o Poirot pela Miss Marple.
A seguir, apeteceu-me uma leitura um pouco mais “pesada” e escolhi o Animal Farm, de George Orwell. Como nunca tinha lido nada deste autor (o 1984 está na minha prateleira há alguns anos…) estava com um pouco de receio de ser demasiado lento e complicado para ser lido à beira-mar. Nada mais errado. Esta obra foi uma das grandes surpresas do ano e, consequentemente, umas das minhas leituras de verão preferidas.
Depois, para acalmar um pouco os ânimos, decidi pegar no maior livro que levei: The Lost Symbol, de Dan Brown. E foi passar do céu ao Inferno… Não gostei nada do livro. Pela primeira vez na vida saltei parágrafos porque estes não faziam falta nenhuma à história, e a vontade de lhe pegar era tanta que passei alguns dias sem ler. Regressei porque queria terminá-lo depressa para ver se o acabava e começava os outros que me faltavam. Enfim… um pesadelo.
Para ver se melhorava um pouco os meus dias, depois de uma experiência de leitura tão má e arrastada, decidi ler Wonder, de R. J. Palacio. Uma ótima decisão, pois fui ao céu outra vez. Que tesouro escondido! A escrita é fluida, muito interessante, a premissa é genial e a leitura é uma descoberta constante. Adorei este livro e acho que toda a gente o devia ler, principalmente os adolescentes.
Como término, tanto das férias, como da pilha que levei, e sentindo-me muito otimista por perceber que ia de certeza concluir o meu recto e ler todos os livros a que me propusera, peguei no que restava, Anne dos cabelos ruivos, de Lucy Maud Montgomery. Mais uma vez, não me enganei. Adorei ler este livro, não o consegui pousar. Claro que eu já conhecia a história por causa da série de desenhos animados que dava na televisão quando eu era pequena, mas foi um gosto revê-la e lembrar-me desses tempos passados.
E assim conclui as minhas leituras de verão. O balanço é muito positivo, não só porque consegui ler todos os livros que levei, como também descobri novos autores e apercebi-me de que não vale a pena insistir em géneros de que não gosto. Foram umas belas férias!
Literatura Britânica

Bom-dia, Meia-noite

Comprei este livro porque a minha mãe o comprou. Li este livro porque a minha mãe o leu. A minha mãe não ficou muito impressionada com ele, mas eu… eu adorei-o.
Bom-dia, Meia-noite (1939) é uma das obras mais conhecidas de Jean Rhys, uma autora inglesa mais famosa no Reino Unido do que no resto do mundo. Nascida em 1890 na Republica Dominicana, filha de um médico galês e de mãe crioula, Rhys volta definitivamente a Inglaterra aos 16 anos para viver com uma tia. Após a morte do pai, em 1910, Rhys torna-se promiscua e financeiramente dependente de homens. Trabalha como modelo de nus, como voluntária numa cantina de soldados durante a I Guerra Mundial e como secretária no escritório de uma pensão. Ao longo da sua vida sofre vários abortos, um quase fatal. É no rescaldo deste episódio que começa a escrever.
Acredita-se que esta obra seja a continuação de outras três por parte da autora: Quarteto (1928), Depois de deixar Mr. Mackenzie (1930) e Viagem no Escuro (1934). Conta a história de uma mulher de cerca de cinquenta anos que luta contra uma depressão e várias vulnerabilidades. É obcecada com a sua aparência, que envelhece a cada dia que passa, não consegue ultrapassar a perda de um filho e o fracasso do seu casamento, e passa o tempo em bares a beber e a namoriscar com homens na busca de alguém que lhe dê atenção e a faça feliz.
Apesar de se tratar de uma história triste, a leitura deste livro não é monótona nem deprimente, pelo contrário, o leitor sente uma empatia imediata para com esta mulher, chegando mesmo a achá-la doce e a ter pena dela. Não sei se o livro terá algo de autobiográfico, mas não me admiraria se tivesse. Está muito bem escrito e o final é o melhor da história, um murro no estômago que deixará o leitor a pensar nele durante dias. Recomendo-o vivamente.
Literatura Europeia

Dubliners

Demorei uma eternidade a ler este livro. O que é de estranhar, porque gostei bastante…

Dubliners (1914) de James Joyce, é um conjunto de contos sobre pessoas que nasceram e vivem na cidade de Dublin, no início do século XX. Trata-se de pessoas anónimas, de classe média, que vivem numa época em que o nacionalismo irlandês, contra o imperialismo britânico, atinge o seu auge. Estas histórias normalmente relatam uma epifania na vida destes cidadãos, um momento em que um determinado episódio os “ilumina” em relação a um determinado assunto. Algumas destas personagens aparecem na obra maior de Joyce, “Ulisses”, pelo que a leitura prévia deste pequenino livro se torna essencial para a compreensão da epopeia.
A escrita de Joyce, ao contrário do que imaginei, é bastante acessível. Contador de histórias nato, o escritor consegue proporcionar-nos um ambiente muito realista onde incorpora personagens muito bem descritas, senhores e senhoras da sua época. Não é de estranhar, por isso, que estes contos já tenham sido inúmeras vezes adaptados à televisão e ao cinema. Gostei de todas as histórias, não houve nenhuma que me tivesse desgostado ou aborrecido. Porém, as minhas preferidas foram: Eveline, Two Gallants, The Boarding House, A Mother.
Como referi no início, demorei muito tempo a ler este pequeno livro de 190 páginas. Não foi por causa do seu tamanho, nem da escrita de Joyce, nem tão-pouco da temática. Tudo isto me pareceu muito interessante. Terá sido, porventura, devido a uma fase na minha vida onde dei mais primazia a outros meios de entretenimento do que à leitura propriamente dita. Mesmo isso, e como já terão compreendido, recomendo-o vivamente.
Literatura Europeia

Divórcio em Buda

Sándor Márai escreveu um dos livros que mais gostei de ler: As velas ardem até ao fim (cuja critica se encontra neste blogue). Por isso, não é de estranhar que eu continue a ler a sua obra e… a gostar dela.
Divórcio em Buda (1935) fala sobre um juiz casado que recebe um caso de divórcio para resolver. Relativamente novo na sociedade húngara, o processo de separação por lei nem sempre é bem visto pelos cidadãos mais conservadores, como é o caso deste juiz austero. No entanto, quando ele se apercebe que se trata do divórcio de um dos seus amigos de infância e da mulher que ele amou na juventude, a sua perspetiva do caso, e do divórcio propriamente dito, muda radicalmente.
Tal como acontece em As velas ardem até ao fim, Divórcio em Buda apresenta-nos o reencontro de dois veteranos, ex-amigos, com muitas diferenças entre si. Encontram-se mais tarde na vida para esclarecer pequenos desentendimentos que não ficaram resolvidos na adolescência. É durante essa conversa que acabam por compreender melhor os motivos que os levaram a fazer certas escolhas na vida e a razão pela qual acabam por ter de se encontrar forçosamente.
A escrita de Sándor Márai é fluída, pensada e um pouco triste. O autor revela em ambos os livros um lado muito sentimental e introspectivo que passa para as personagens e que faz com que a narrativa seja quase sempre baseada em pensamentos em vez de diálogos. Os problemas emocionais e as incompreensíveis regras da sociedade parecem ser a base da sua obra. Estes dois livros são o mais puro exemplo disso. Recomendo-os.