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José e Pilar

Ontem, dia 18 de Junho, fez um ano que José Saramago morreu. Para comemorar a data, a cinemateca de Lisboa apresentou o filme José e Pilar com a presença do realizador Miguel Gonçalves Mendes e da viúva do escritor, Pilar del Río. A longa-metragem foi filmada entre 2006 e 2009 e acompanhou o casal em diversas digressões mundiais e sessões de autógrafos, em especial na promoção e divulgação do mais recente livro até então, A Viagem do Elefante.
Nunca achei Saramago uma personagem particularmente simpática, parecia-me austero, soturno e um pouco arrogante (razão pela qual talvez nunca tenha lido uma obra sua), no entanto, este filme mudou a minha percepção do homem. Ao longo do documentário, vemos um Saramago simpático, humano, generoso e até cómico que, apesar da idade, de um cancro em estado avançado, e da constante presença da ideia de morte (com a qual começa e termina o filme), não descansa nem baixa os braços, trabalhando arduamente todos os dias para vencer e aproveitar o tempo que ainda lhe resta. A grande «culpada» desta sua vontade em ser produtivo é Pilar del Río, sua esposa, companheira, amiga, secretária, tradutora, cúmplice. Através das cenas, percebemos o que os une e o que os separa, e vemos duas partes autónomas e independentes a formar um todo que faz todo o sentido.
Gostei muito (muito mesmo) deste filme. Não só está extremamente bem feito e montado, com uma Lanzarote linda e cinzenta como pano de fundo e uma banda sonora magnifica a cargo de nomes como Adriana Calcanhoto, Camané ou Noiserv, como também nos mostra o outro lado (o pessoal e humano) de duas figuras públicas importantes e controversas que, indiscutivelmente, fazem parte da nossa História cultural e literária.
O DVD e o CD da banda sonora foram lançados ontem. Aconselho toda a gente a ver e a ouvi-los, quer gostem de José e Pilar, quer não.
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Barney’s Version

Esta semana vi um filme de que gostei bastante. Acabado de estrear em Portugal, Barney´s Version (A minha versão do amor) conta a história de um homem que encontra o amor da sua vida no dia do seu segundo casamento.
Barney (interpretado por um brilhante Paul Giamatti) vive meio perdido até encontrar Miriam, uma mulher bonita, inteligente e sensata que o faz divorciar-se de uma esposa chata e snobe, e ir até ao fim do mundo, se for preciso, para que ela lhe dê uma oportunidade. Os dois acabam por casar e constituir família, porém, a rotina do dia a dia, a diferença de personalidades, o problema que Barney tem com a bebida, um crime por desvendar que o persegue até ao fim e o alzheimer fazem com que a convivência em conjunto nem sempre seja fácil. No entanto, o que este filme nos mostra é que, quando verdadeiro, o amor pode superar tudo.
Deixo-vos a sugestão (se forem sensíveis, ou lamechas, como eu, não se esqueçam do pacote de lenços…) e o trailer.
Vão ver, vale mesmo a pena. Não só pela bela história, como também pela maravilhosa interpretação dos actores.
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Passar o dia a ler. Literalmente…

No outro dia acordei com uma dilema em mente: Quantos livros deve uma pessoa ler por ano?

A questão não me surgiu do nada. Há dois anos, numa estadia prolongada em Florença, vários jovens deambulavam pela ruas a pedir aos transeuntes que fizessem esta mesma reflexão. Apanhada de surpresa, não soube o que responder. Contudo, ao fazer as contas de cabeça, decidi contar por baixo e dizer «nove o dieci», o que deixou a adolescente que me fez a pergunta bastante admirada com o número gordo. Mas, seriam assim tantos? Comparando com Nina Sankovitch, nem pouco mais ou menos.
Na minha busca «internetesca» por respostas, acabei por encontrar um blogue bastante interessante sobre uma americana que decidiu passar um ano a ler. Literalmente. Read all day conta a saga de Nina Sankovitch de ler um livro por dia. 365 dias, 365 livros. Com uma média de, mais ou menos, 200 páginas, a escolha dos autores foi muito variada, indo desde nomes da literatura dita light, como Jessica Treat, Rafael Yglesias ou John Grogan, até grandes referências da literatura mundial como Albert Camus, Leo Tolstoi ou Knut Hamsun. Para além de ter passado um dia inteiro a ler, Nina fez ainda uma critica (review) a cada um dos livros que lhe passou pelas mãos.
De 28 de Outubro de 2008 a 28 de Outubro de 2009, o dia-a-dia de Sankovitch foi invadido por histórias, personagens, ideias, conceitos e imaginários que só os livros podem oferecer. Inúmeras viagens partilhadas no blogue Read all day (onde podem encontrar a lista de livros lidos, as criticas e várias fotografias de Nina a ler nas mais diversas situações e estações do ano) e também no livro que ela acaba de publicar, e que relata exactamente esta experiência diferente e enriquecedora, Tolstoy and the purple chair.
Depois disto, creio que cheguei à conclusão de que não existe um número exacto de livros que se devem ler. Para um leitor ávido, dois ou três serão certamente poucos, mas para quem não tem hábitos de leitura, um ou dois, já será um número bastante aceitável. Pessoalmente, acho que me manterei na quota dos quinze ao ano (também dependerá da minha disposição, da grossura dos livros e de outros factores externos e internos). Todavia, de uma coisa tenho a certeza, se a rapariga que me questionou em Florença tivesse ouvido falar da história de Nina, não teria acreditado.
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Liz Taylor 1932 – 2011

Foi com grande tristeza que soube da morte de Elizabeth Taylor.
Para além de ser uma actriz brilhante e versátil (da sua cinematografia constam filmes como Quo Vadis, Mulherzinhas, O Gigante, Butterfield8 e Quem tem medo de Virginia Woolf?) era uma das mulheres mais bonitas e excêntricas de Hollywood.
Espírito rebelde, Elizabeth interpretava normalmente mulheres fortes ou à beira de um ataque de nervos, dispostas a tudo para levar a sua avante. Casou oito vezes (duas com o mesmo homem, Richard Burton) e diz-se ter tido um namoro fugaz com o também desaparecido Michael Jackson. Independentemente das vicissitudes da vida privada, a sua carreira esteve sempre cheia de altos, com filmes extraordinários interpretados ao lado de grandes nomes do cinema, como James Dean, Rock Hudson, Spencer Tracy, Alec Guinness, Paul Newman, Audrey Hepburn ou Katherine Hepburn. Chegou também a dar a voz a Maggie Simpson, no único episódio em que a bebé dos Simpsons fala, e a participar no filme The Flinstones, com Hale Berry.
Já afastada dos filmes, Liz dedicou-se a criar perfumes, jóias (uma das suas maiores perdições) e à sua fundação de luta contra a sida, aparecendo de vez em quando em alguns eventos sociais, debilitada e de aparência mais velha do que realmente era.
Morreu hoje, depois de uma vida preenchida e, de certeza, muito bem vivida.
Aqui vos deixo o trailer de Butterfield8, o filme que finalmente lhe valeu o Óscar de melhor actriz em 1960.
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Jane Russell

No dia 28 de Fevereiro morreu um dos ícones do cinema americano dos anos quarenta e cinquenta.
Jane Russell (1921-2011) foi descoberta pelo magnata Howard Hughes quando trabalhava como recepcionista na clínica dentária que ele frequentava. O produtor de Hollywood terá ficado arrebatado com os seios e a beleza da rapariga, e convidou-a para representar nos seus filmes.
A actriz ganhou fama imediata com o primeiro filme, The Outlaw, mas não há dúvida de que foi com Os homens preferem as loiras, onde contracenou ao lado de Marilyn Monroe, que conheceu o estrelato internacional. Filmes como A revolta de Mamie Stove e Macao mantiveram-na sob as luzes da ribalta.
Como resultado da sua carreira, Jane foi agraciada com uma estrela no passeio da fama e com a marca dos pés e das mãos, e respectiva assinatura, no Grauman´s Chinese Theatre.
No Estado do Alasca, duas montanhas foram baptizadas de The Jane Russell´s Peaks em homenagem aos seus atributos.

Literatura Europeia · Uncategorized

As Lições dos Mestres

As Lições dos Mestres, de George Steiner, é um pequeno livro de ensaio que nos dá a conhecer a visão que o professor norte-americano, de origem francesa, tem sobre o que um professor deve ser, e sobre as diferentes relações que estabelece com os alunos. A obra aborda várias relações conhecidas de mestres e aprendizes, ou simplesmente de mestres com a sua própria obra e conceito de intelectualidade. São exemplos disso os casos de Sócrates-Platão-Aristóteles; Martin Heidegger e Hannah Arendt; Franz Kafka e Max Brod.

Apesar de ser um livro com uma linguagem académica e com muitos exemplos de relações que provavelmente não serão conhecidas do grande público, é uma óptima ferramenta para reflectirmos sobre o papel do professor, a sua influência nos alunos e o que de novo e de pessoal pode imprimir às matérias que ensina. Na minha opinião, um livro obrigatório para professores, pais e alunos.