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O que líamos antigamente…

Há vinte anos, a oferta de literatura infantil não era comparável à de hoje. Atualmente, a maioria das livrarias tem uma secção bastante grande de livros infantis e juvenis que às vezes até a mim dão vontade de ler. De autores portugueses a estrangeiros, de banda desenhada a romances, de mistérios a biografias… A gama é absolutamente esmagadora, apelando a um público cada vez mais difícil de cativar. 
Quando eu era criança ainda não havia computadores, telemóveis, consolas de jogos… Os gadgets que então possuíamos eram Game Boy, aparelhagens, walkmans, discmans, beeps, e pouco mais. A televisão conservava-se, assim, rainha e senhora do nosso tempo livre, e não líamos mais do que os jovens de hoje. Líamos diferente: Os Cinco, Uma Aventura…, Os Sete, os obras de Alice Vieira, A Lua de Joana, os almanaques da Turma da Mónica… Ou o mais comum: adaptações das grandes obras clássicas da literatura universal para jovens.
Uma dessas adaptações foi O Corsário Negro, de Emilio Salgari (autor de Sandokan), editado pela Verbo (hoje Babel). Este livro conta a história de um corsário que deseja vingar a morte dos três irmãos, assassinados pelo mesmo homem: o governador de Maracaibo, Duque Van Guld. Temido por todos, o Corsário Negro é uma lenda do alto-mar. Consegue sempre o que quer e segue um código de conduta que valoriza a honra e a justiça acima de tudo. Jurou há muito matar o Duque e todos os membros da sua família. No entanto, sofre o azar de se apaixonar, sem saber, pela filha do inimigo… 
O Corsário Negro é uma série clássica italiana do final do século XIX, cheia de aventura e romance que apela tanto a jovens como a adultos mais exigentes. Lê-se num ápice e deixa-nos com vontade de retroceder no tempo e brincar aos corsários. A escrita é apaixonante, com descrições lindas da selva e das primeiras cidades espanholas da América Latina. As personagens principais estão muito bem construídas, e cada uma tem um papel importantíssimo na trama, o que leva a crer que se lá não estivesse a história perderia. É, sem dúvida, um livro memorável que agrada a miúdos de ontem e a miúdos de hoje. Recomendo-o vivamente.
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Autógrafos

A 84ª Feira do Livro de Lisboa não serviu apenas para comprar livros, foi também um espaço de encontro entre leitores e escritores que puderam trocar ideias sobre livros, leituras e experiências de vida. Eu também gosto de me encontrar com autores cuja obra é importante para mim, e, neste ano, quis pedir o autógrafo a dois que claramente se destacaram no meu percurso literário de 2013.
A primeira é uma senhora que eu já encontrei várias vezes em fóruns e apresentações de livros:  Teolinda Gersão. Na minha tese de mestrado, usei o seu livro A Cidade de Ulisses como exemplo de obra a ler numa aula de PLE. Quando lhe pedi o autógrafo dei-lhe uma cópia da tese, que ela recebeu com grande surpresa e carinho. Espero que tenha gostado da análise literária que fiz ao seu livro.
O segundo é um escritor juvenil norte-americano que está muito em voga entre os jovens do nosso país: Robert Muchamore. Ficou famoso com a série CHERUB, uma sucessão de livros que contam a história de uma organização secreta que em vez de ter agentes adultos tem agentes adolescentes, pois as crianças levantam menos suspeitas quando espiam. O primeiro livro da série, O Recruta, foi o escolhido pelos alunos do 5º e 6º ano para lermos na segunda parte do Clube de Leitura do cessante ano letivo.

Gostei muito de falar com os dois escritores e de trocar impressões sobre os seus livros. É uma forma muito enriquecedora de perceber o ponto de vista de quem escreve e de o comparar com o de quem lê.

 

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84ª Feira do Livro de Lisboa

E eis a minha perdição deste ano da Feira do Livro de Lisboa. 20 obras fresquinhas e acabadinhas de chegar à minha estante, que terão de esperar um pouco até serem lidas, pois os primos foram adquiridos antes e estão à frente na fila. Alguns destes livros foram comprados sem aviso e com desconto, outros foram comprados de propósito, com um preço que fez oscilar um pouco a minha carteira, que passeou mais na minha mão do que é costume (sortuda). Contudo, são todos muito bem-vindos e todos me deixam com uma grande vontade de os ler.

São eles:

The GoldFinch, Donna Tartt
As Aventuras de Augie March, Saul Bellow
Nós, os afogados, Carsten Jensen
O Som e a Fúria, William Faulkner
Fúria, Salman Rushdie
Middlesex, Jeffrey Eugenides
Bem me quer, Mal me quer, Pearl S. Buck
O Sol Nasce Sempre (Fiesta), Ernest Hemingway
Triologia dos Senhores da Guerra, Bernard Cornwell
Rebelde, Bernard Cornwell
As Desventuras do Sr. Pinfold, Evelyn Waugh
A Lebre de Vatanen, Arto Paasilinna
Flush, Uma Biografia, Virginia Woolf
Histórias de Londres, Enric González
A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, Washington Irving
O livro da Selva, Rudyard Kipling
O Vento nos Salgueiros, Kenneth Grahame
O falecido Mattia Pascal, Luigi Pirandello

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Saving Mr. Banks

Mais do que um filme sobre a realização de Mary Poppins, Saving Mr. Banks é quase uma biopic sobre P. L Travers. 
P. L. Travers, neé Helen Lyndon Goff, nasceu a 9 de agosto de 1899, em Queensland, Austrália. O seu pai, um banqueiro alcoólico com dificuldade em manter um emprego estável, incutiu-lhe o gosto pelas histórias e pela aventura. Brincava com ela e as outras filhas sempre que podia e dizia-lhes para nunca crescerem, pois a vida de adulto não era divertida e estava cheia de responsabilidades. Morreu de tuberculose quando P. L. Travers ainda era criança, tendo a sua mãe chamado a irmã, Sue, para a ajudar a tomar conta da família. Sue foi a inspiração para a personagem Mary Poppins. 
Saving Mr. Banks pega na história de P. L. Travers e intercala-a com a da realização do filme de animação Mary Poppins, feito por Walt Disney (Tom Hanks). A escritora, interpretada por uma espantosa Emma Thompson, é uma pessoa amarga e embirrenta que não gosta da Disney nem do ideal de mundo perfeito que a marca patrocina. Dá-se mal com toda a gente e rejeita as ideias que os produtores têm para o filme, como a casa da família Banks, os pinguins dançantes, a banda sonora e até o ator Dick Van Dyke. A única pessoa com quem simpatiza é o motorista (Paul Giamatti) que nunca lhe dá uma resposta torta, apesar da sua antipatia, e lhe confessa que tem uma filha deficiente que adora os seus livros. 
Ao longo do filme perguntamo-nos por que razão P. L. Travers se tornou uma pessoa tão desagradável quando teve uma infância com um pai que a adorava e lhe dizia sempre para sonhar. Uma das respostas possível é o facto de ele ter morrido e ter sido “substituído” por uma tia “preceptora” que apregoava a disciplina e que, no fundo, levou a responsabilidade e as regras para o seio familiar. Parece que os sonhos de criança desvaneceram para darem lugar à realidade cruel do mundo verdadeiro. P. L. Travers desencantou-se com a vida e vestiu uma armadura para conseguir atravessá-la com mais facilidade.
Em 1933 emigrou para Inglaterra e adotou um menino irlandês, Camellius. Em 1977 recebeu a medalha da Ordem do Império Britânico. Morreu em Londres, em 1996, sem amar ninguém e sem ninguém que a amasse. 
Saving Mr. Banks é o filme sobre a sua vida, Mary Poppins e a Disney. Sobre como a infância pode moldar a nossa personalidade e mostrar o que de melhor e pior há em nós.
Recomendo vivamente. 
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Book Tag: Os 7 Pecados da Leitura

Ganância: Qual é o teu livro mais caro? E qual é o teu livro mais barato?

R: Não tenho nenhum livro que tenha sido especialmente caro, normalmente os livros mais caros que compro custam cerca de 25 ou 30 euros. Os meus livros mais baratos são da editora Europa-América ou da Penguin (Popular Classics) e custaram cerca de 2 ou 3 euros.

Ira: Com que escritor tens uma relação de amor-ódio?

R: Dan Brown. Sempre que sai um livro seu fico curiosa e leio-o, porém, acabo quase sempre por não gostar…

Gula: Que livro devoraste sem vergonha nenhuma?

R: Vários, mas o primeiro que me lembro de não conseguir pousar foi o Código da Vinci, de Dan Brown (cujo final foi um pouco decepcionante).

Orgulho: De que livro costumas falar para pareceres inteligente?
R: De nenhum, pois quando falo de livros não é para parecer inteligente, é porque gosto deles.

Preguiça: Que livro negligenciaste devido à preguiça?

R: É muito raro abandonar um livro de que não estou a gostar, tenho sempre a esperança de que melhore. No entanto, um que me deu muita luta foi o Freedom, de Jonathan Franzen.

Luxúria: Que características achas mais atraentes numa personagem?

R: Depende da personagem. Na ficção gosto de personagens boas e más, depende de como estão construídas. Por vezes há personagens muito interessantes nos livros que seriam pessoas insuportáveis na vida real.

Inveja: Que livros gostarias de receber como presente?

R: Neste momento: Mary Poppins, de P. L. Travers e The Luminaires, de Eleanor Catton. Ainda bem que faço anos daqui a um mês!
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Book Tag: The Happy Bookaholic Tag

Uma das “resoluções” que este ano gostaria de fazer no blogue tem a ver com Tags. 
Para quem possa não estar familiarizado, uma Tag é uma espécie de questionário a que várias pessoas, que se “tagam”, respondem. É uma boa maneira de ficarmos a conhecer a pessoa que responde, e de reflectirmos sobre as nossas próprias respostas. Uma Tag pode ser sobre qualquer coisa. Neste blogue, serão sobre livros, claro!
Como primeira Tag escolhi The Happy Bookaholic (O Viciado em Livros Feliz):

1. De que mais gostas quando compras livros novos?

R: Gosto do objeto novo, gosto da sensação de possuir mais um livro e da perspetiva de ler uma nova história.

2. Com que frequência compras livros novos?

R: Não tenho uma rotina para comprar livros. Posso comprar durante vários dias seguidos, como posso passar meses sem comprar nenhum. Depende do que encontrar nas livrarias. 

3. O que preferes – comprar online ou comprar numa livraria física?

R: Normalmente gosto mais de comprar numa livraria física porque posso manusear o objeto à vontade e fazer uma escolha mais racional. No entanto, se encontrar descontos que valham a pena ou livros estrangeiros que não encontro em mais lado nenhum, compro nas livrarias online.

4. Tens uma livraria preferida?

R: Gosto das Fnac e da livraria do El Corte Inglés. Têm uma maior variedade de livros e os clientes podem circular livremente sem serem abordados pelos lojistas.

5. Costumas pré-requisitar livros?
R: Não, nunca o fiz.

6. Tens um orçamento mensal para gastar em livros?

R: Não. Normalmente quando vejo um livro que quero muito compro-o na altura, se achar que é caro vejo na Internet se consigo arranjá-lo por um melhor preço. Se é um livro que me desperta alguma curiosidade mas que, ao mesmo tempo, me deixa com dúvidas, procuro-o na biblioteca. Se não o encontrar, não o leio na altura e espero por uma melhor oportunidade de compra.

7. Proibição de comprar livros – diz-te alguma coisa?

R: Infelizmente, sim! Neste momento estou a viver o meu segundo período de proibição de comprar livros. O ano passado tentei não comprar, mas não resisti. Este ano vou ter mesmo de me conter (à exceção da viagem que farei na Páscoa). Isto porque tenho mais de 100 livros não lidos em casa…
8. A tua lista de leituras é muito grande?
R: Bastante… Para além dos mais de 100 livros que tenho em casa, gostaria de ler muitos outros que ainda não adquiri. Porém, agora, não são uma prioridade.
9. Quais os três livros da tua lista de leitura, ou outra, que gostarias de possuir AGORA?
R: Gostaria de possuir O Príncipe e o Pobre, de Mark Twain, A Jangada, de Jules Verne e Where’d you go, Bernadette?, de Maria Semple.
10. Quem gostarias de “Tagar”?
R: Quem quiser responder a esta Tag. 🙂
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2013 Wrap Up!

Apesar de prosseguir com as críticas aos livros que li em 2013, vou fazer o meu wrap up do ano!

2013 foi um ano de leituras razoável. Li 19 livros (mais um do que no ano passado), mas só dois ou três me cativaram verdadeiramente. A maioria não teve grande impacto e provavelmente não será relida no futuro nem ficará na minha memória a longo prazo. Enfim, creio que isto significa um regresso aos clássicos!
Tenho três “resoluções” para o novo ano de 2014:

– Ler mais clássicos
– Ler cerca de 25 livros
– Não comprar mais livros
No outro dia estive a contar os meus TBR (To Be Read = livros que ainda não li). Cheguei à triste conclusão de que tenho 211 livros comprados e não lidos em casa. Como me sinto envergonhada em apresentar semelhante número, tomei logo uma decisão: este ano vou não vou comprar livros. Digo “não vou” porque o ano passado disse “tentar” e não consegui manter a promessa, pois tinha a margem de manobra que o verbo tentar sempre dá. Porém, este ano, vou ter mesmo de conseguir não comprar livros, caso contrário serei uma “hoarder” de literatura em vez de uma leitora assídua, o que não quero. Não gosto que os objetos, sejam eles quais forem, tomem conta da minha vida. O que entra em minha casa é usado, senão é apenas dinheiro gasto e espaço ocupado. 
Contudo, abrirei uma exceção: este ano vou fazer a minha viagem de sonho a Nova Iorque! Durante esses dias não vou olhar a gastos, nem a números, nem a estantes pejadas de livros para ler. Vou perder a cabeça e comprar o que quiser. Vou deliciar-me naquelas livrarias gigantes e trazer comigo os livros que me deixem curiosa e as edições mais bonitas. E isto é uma promessa! Sem ser esta exceção, não vou comprar livros.
Sem mais demora, o meu Wrap Up do ano (por ordem cronológica de leitura):
What I Loved, Siri Hustvedt
O Século XX Português, José Miguel Sardica
Alone in Berlin, Hans Fallada
O Rapaz do Pijama às Ricas, John Boyne
Blankets, Craig Thompson
Living Alone and Liking It, Barbara Feldon
Noturno Indiano, Antonio Tabucchi
A Year in the Merde, Stephen Clarke
O Isqueiro de Oiro, Dick Haskins
A Cidade de Ulisses, Teolinda Gersão
Inferno, Dan Brown
O Coelho Pedro e outras histórias, Beatrix Potter
Dead Man’s Folly, Agatha Christie
Na Síria, Agatha Christie
Os Três Imperadores, Miranda Carter
O Álibi Perfeito, Patricia Highsmith
O Caso Jane Eyre, Jasper Fforde
The Testament of Mary, Colm Toibin
Voo na Noite, Saint-Exupéry