Literatura Europeia

A Noite

Este foi um dos livros mais belos que já li.
Não porque fala de uma história de amor, ou de um herói que, no final, conseguiu singrar, mas porque é um testemunho real de um homem que era adolescente quando foi levado para um campo de concentração nazi.

Elie Wiesel, prémio Nobel da Paz em 1986, é um sobrevivente judeu do nazismo. Perdeu os pais e a irmã, a quem dedica esta obra, em campos de concentração, e conseguiu ultrapassar com uma coragem e uma vontade quase sobre-humanas ao terror que aconteceu durante a II Guerra Mundial.

A Noite (127 págs, Texto Editora), juntamente com o diário de Anne Frank, é um livro obrigatório para quem quiser compreender melhor o que significava ser judeu numa época em que Hitler tentava dominar a Europa, mas também para quem quiser ler um relato humano sobre amor, entre-ajuda e esperança.
Absolutamente a não perder.
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As crianças não são adultos

«As crianças não são adultos» (151 pgs.; caleidoscópio) é um livro indispensável para os pais e educadores de hoje. Não só aborda todos os temas importantes com que os pais têm de lidar, como o medo em ser pai na sociedade actual, a educação, as relações entre irmãos, ou o medo do conflito, como também é uma ferramenta preciosa para quem não se sente preparado para enfrentar os problemas de crianças mais complicadas.

Béatrice CopperRoyer é uma psicóloga e psicanalista francesa de renome, com vasta experiência clínica e obra publicada. Neste livro em particular, a doutora ajuda-nos a compreender, ou a relembrar, que as etapas da infância devem ser respeitadas, e que o conflito é normal e desejável para que a criança e o adulto encontrem o seu espaço próprio na família, sem nunca esquecer a autoridade, no bom sentido, dos mais velhos.
Muito esclarecedor.
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As Lições dos Mestres

As Lições dos Mestres, de George Steiner, é um pequeno livro de ensaio que nos dá a conhecer a visão que o professor norte-americano, de origem francesa, tem sobre o que um professor deve ser, e sobre as diferentes relações que estabelece com os alunos. A obra aborda várias relações conhecidas de mestres e aprendizes, ou simplesmente de mestres com a sua própria obra e conceito de intelectualidade. São exemplos disso os casos de Sócrates-Platão-Aristóteles; Martin Heidegger e Hannah Arendt; Franz Kafka e Max Brod.

Apesar de ser um livro com uma linguagem académica e com muitos exemplos de relações que provavelmente não serão conhecidas do grande público, é uma óptima ferramenta para reflectirmos sobre o papel do professor, a sua influência nos alunos e o que de novo e de pessoal pode imprimir às matérias que ensina. Na minha opinião, um livro obrigatório para professores, pais e alunos.
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Non ti muovere

Vou debruçar-me no romance italiano, vencedor do Prémio Strega 2002, Non ti muovere, de Margaret Mazzantini, e no respectivo filme, adaptado ao cinema pela mão do realizador (e protagonista do mesmo) Sergio Castellitto (marido da escritora na vida real).

A primeira vez que ouvi falar neste romance foi na aula de gramática italiana, em Florença, onde a professora nos aconselhou vivamente a sua leitura.

O livro começa com o acidente de viação de uma rapariga de quinze anos que, por coincidência, é transferida para o hospital onde o pai trabalha como cirurgião. Moribunda, Angela está entre a vida e a morte e depende da equipa médica que a viu nascer. Assim que Timoteo é avisado do acidente da filha, deixa tudo para assistir de perto à sua operação de risco. Durante a espera interminável, começa slenciosamente a contar-lhe a história do grande amor da sua vida, que conheceu quando ainda namorava a futura esposa, mãe de Angela. Uma prostituta chamada Itália (interpretada por uma brilhante Penélope Cruz).

Este é o apetecível e curioso mote que dá inicio a uma história de desejo e de medo. Pela mão de uma mulher vamos desvendando aos poucos tudo o que vai na mente e no coração de um homem, que não deseja outra coisa senão ser feliz ao lado daquela que ama. O problema é que essa mulher é prostituta, não tem formação, vive num bairro de lata, e não seria bem vista nem aceite na sociedade como esposa de um conceituado cirurgião. Para Timoteo é uma escolha difícil entre a harmonia e o conforto de um lar junto a uma bela e simpática Elsa, e uma vida cheia de preconceitos e com um futuro incerto junto a uma Itália que o ama incondicionalmente.
A princípio, o herói enfraquece e faz a escolha mais fácil. Depois, quando decide ganhar coragem para enfrentar o destino, é tarde demais.

Non ti muovere é um romance muito bonito que nos faz pensar sobre a natureza frágil do ser humano, e da sociedade que este constrói para se integrar e viver. Lembra-nos de que há ocasiões na vida em que devemos prestar mais atenção às nossas vontades, e magoar momentaneamente os outros, em vez de nos arriscarmos a passar o resto do tempo que nos falta a pensar como teria sido se tivéssemos optado pelo outro caminho.

Margaret Mazzantini escreveu uma história sem género, sem idade e sem preconceitos, conseguindo, ao mesmo tempo, fazer uma maravilhosa e conseguida critica à sociedade italiana ao dar o nome do país a uma personagem inocente, querida e tão imerecidamente maltratada por aqueles que dizem amá-la. Fantástica é também a interpretação de Penélope Cruz, que justifica plenamente o seu Donatello.

Apesar de ter gostado do filme em geral, acho que há um detalhe que o transforma radicalmente: o facto de não ser claro de que foi Timoteo a pedir a Itália que fizesse o aborto. Sem este pormenor, a película não foi fiel ao livro e perdeu, pelo menos, metade da sua magia e do seu interesse.

Ainda assim, tal como fez a minha professora, aconselho vivamente a leitura deste romance. Está muito bem escrito, dá que pensar, e tem o ingrediente que mais prezo nos livros que leio e nos filmes que vejo: é comovente.

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Sissi

Desde que fui a Viena, em 1999, fiquei completamente fascinada pela cidade e pela História dos seus últimos anos de realeza. Principalmente pela Imperatriz Elizabeth da Baviera, mais conhecida por Sissi. Ora, foi essa paixão (e admiração) que me levou a ler este livro.

Escrito por Catalina de Habsburgo (uma descendente directa da família da Imperatriz), esta obra promete contar a atormentada vida de Sissi. O que, a meu ver, não aconteceu a 100%. Ou seja, a obra fala-nos efectivamente da monarca e dos seus episódios mais marcantes, contudo, dá sobretudo destaque às personalidades que fizeram parte da sua vida. Senão, vejamos: a narradora é uma rapariga húngara a quem a imperatriz dá guarida e transforma em leitora de húngaro particular. Ela conta-nos tudo através de cartas que envia à irmã, freira num convento. Todos os capítulos têm como título o nome de uma pessoa próxima de Sissi e relatam a sua relação com a imperatriz e a respectiva biografia. Portanto, ao longo do livro são-nos contadas as histórias das pessoas que conviveram com a monarca em vez da sua própria história de vida. O que é pena para quem procura saber mais sobre Sissi, e interessante para quem deseja conhecer o meio envolvente em que ela se movimentava.

Quanto à escrita propriamente dita, na minha opinião, não é nada de especial. Não sei se por culpa do tradutor ou da própria autora. Ajudava saber a língua de partida da tradução ou a língua original do livro.

Algo de que gostei bastante foi das fotografias que podemos encontrar no miolo. Imensas, de Sissi, dos seus familiares, amigos, pessoas importantes da época e até dos palácios que detinham em toda a Europa. Outro pró é a cronologia e uma descrição de todas as personagens no fim do livro. O Prólogo é da autoria de Rodolfo de Habsburgo, arquiduque da Áustria e pai da autora.

Para quem gosta de História europeia e se interessa pela monarquia em especial acho que não seria uma perda de tempo ler este livro. Apesar de tudo, dá-nos uma ideia geral de como era a vida monárquica e política no centro da Europa e desvenda os princípios que levaram à Primeira Guerra Mundial. Eu gostei. Mas, se quiserem um livro que se concentre mais especificamente na vida da Imperatriz Elizabeth aconselho a leitura de outra obra, como por exemplo, A Valsa Negra – Um retrato apaixonante da Imperatriz Sissi, de Ana María Moix ou (um dos meus preferidos sobre o tema) A Valsa Inacabada, de Catherine Clément.