Literatura Britânica

Animal Farm

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O segundo livro que li nas minhas férias de Verão foi o mais pequeno que levei e o que mais me intrigava. Tinha receio de que fosse de leitura difícil, mas não, Orwell é muito claro. Muito claro.

Quando andava no secundário, a minha professora de português mostrou-nos numa aula um filme de desenhos animados chamado O Triunfo dos Porcos. Eu nunca tinha ouvido falar na obra, nem em George Orwell, mas o filme teve um grande impacto em mim. Nunca mais me esqueci dele e fiquei com vontade de ler o livro que o inspirou.

Animal Farm (1945) pretende contar a história da origem do comunismo na antiga União Soviética, através da alegoria de uma quinta. Todos os animais se juntam para expulsar o Homem opressor da propriedade e decidem ficar a governá-la sem líder e criar uma sociedade em que todos são iguais, com os mesmos direitos e deveres. A teoria é boa e todos estão de acordo com ela, o problema é que nem todos os animais são iguais, e nem todos querem ter os mesmos direitos e deveres. É aqui que os problemas começam.

Apesar de ser socialista, Orwell era um grande crítico de Estaline. Considerava-o um ditador que apreciava o culto da personalidade e governava com mão de ferro um reino de terror. O seu objetivo ao escrever esta obra foi “fundir um propósito político com um propósito artístico”. E conseguiu. Animal Farm tem pouco mais de 100 páginas mas abalou o mundo. Explica com clareza no que se pode tornar uma sociedade comunista e no que o poder pode fazer às pessoas. Faz parte de todas as listas de livros a ler e é considerado um clássico da literatura.

Para mim, foi uma boa surpresa, lembrei-me do filme que a minha professora mostrou e vi tudo com mais transparência e compreensão. Foi a minha leitura de Verão preferida. Recomendo vivamente.

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Jogo de Espelhos

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Todos os anos, no verão, leio um livro de Agatha Christie. É um hábito que tenho desde os doze/ treze anos e que dura há pelo menos dez. Não é tanto do género “Criminal” que eu gosto, embora goste bastante. É das histórias de Poirot, Miss Marple e Tommy and Tupence, que são sempre parecidas, simples e divertidas, perfeitas para ler à beira-mar. É da familiaridade da escrita de Christie.

Este ano, o eleito foi Jogo de Espelhos (1952), protagonizado por Miss Marple. Nesta aventura, uma amiga de Marple pede-lhe para fazer uma visita à irmã e conhecida de ambas, Carrie Louise, por lhe parecer que esta não se encontra bem. Ao chegar a casa dela, a “detetive” fica com a mesma impressão e tenta perceber o que há de errado no ambiente que a rodeia. À primeira vista está tudo normal, eis senão quando aparece o sócio do marido de Carrie Louise que diz saber que alguém dentro da casa está a tentar envenená-la. Passadas algumas horas, o homem é brutalmente assassinado. É a partir deste homicídio que Marple tenta desvendar se há mesmo um assassino em série no seio familiar e o que o motiva para matar…

Esta história é como todas as histórias de Christie: acessível, bem desenvolvida, bem escrita, e divertida. A escritora não dá todas as informações ao leitor para que o seu detetive possa brilhar no final, algo de que não me importo minimamente pois o desfecho em que o criminoso é exposto e apanhado dá-me muito gozo e é um dos pontos altos do livro. É incrível como quase sempre se arrependem e nunca tentam fugir. Pessoalmente gosto mais dos livros interpretados por Poirot porque acho que se trata de um personagem mais forte e bem construído, todavia, no fundo, para a narrativa acho que não faz grande diferença.

Gostei deste Jogo de Espelhos, acho que a história é interessante e revelou um pouco mais sobre a vida privada de Miss Marple. Para quem gosta de Agatha Christie, é uma obra a ler.

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Leituras de Verão

 

Como é costume, este verão passei duas semanas fora, na praia. E, como é costume, levo sempre livros para ler. Este ano, decidi ser (demasiado) ambiciosa e por de parte cinco livros para levar. Não estava com muita fé de os ler a todos, mas… li!
O primeiro livro que comecei a ler quase não viu a luz do sol, pois foi quase todo lido em casa, só precisei do primeiro dia de férias para o terminar. Trata-se de O Jogo de Espelhos, de Agatha Christie. A autora, como já devem saber, é sempre uma das minhas companheiras de verão, se bem que este ano troquei o Poirot pela Miss Marple.
A seguir, apeteceu-me uma leitura um pouco mais “pesada” e escolhi o Animal Farm, de George Orwell. Como nunca tinha lido nada deste autor (o 1984 está na minha prateleira há alguns anos…) estava com um pouco de receio de ser demasiado lento e complicado para ser lido à beira-mar. Nada mais errado. Esta obra foi uma das grandes surpresas do ano e, consequentemente, umas das minhas leituras de verão preferidas.
Depois, para acalmar um pouco os ânimos, decidi pegar no maior livro que levei: The Lost Symbol, de Dan Brown. E foi passar do céu ao Inferno… Não gostei nada do livro. Pela primeira vez na vida saltei parágrafos porque estes não faziam falta nenhuma à história, e a vontade de lhe pegar era tanta que passei alguns dias sem ler. Regressei porque queria terminá-lo depressa para ver se o acabava e começava os outros que me faltavam. Enfim… um pesadelo.
Para ver se melhorava um pouco os meus dias, depois de uma experiência de leitura tão má e arrastada, decidi ler Wonder, de R. J. Palacio. Uma ótima decisão, pois fui ao céu outra vez. Que tesouro escondido! A escrita é fluida, muito interessante, a premissa é genial e a leitura é uma descoberta constante. Adorei este livro e acho que toda a gente o devia ler, principalmente os adolescentes.
Como término, tanto das férias, como da pilha que levei, e sentindo-me muito otimista por perceber que ia de certeza concluir o meu recto e ler todos os livros a que me propusera, peguei no que restava, Anne dos cabelos ruivos, de Lucy Maud Montgomery. Mais uma vez, não me enganei. Adorei ler este livro, não o consegui pousar. Claro que eu já conhecia a história por causa da série de desenhos animados que dava na televisão quando eu era pequena, mas foi um gosto revê-la e lembrar-me desses tempos passados.
E assim conclui as minhas leituras de verão. O balanço é muito positivo, não só porque consegui ler todos os livros que levei, como também descobri novos autores e apercebi-me de que não vale a pena insistir em géneros de que não gosto. Foram umas belas férias!
Literatura Britânica

Bom-dia, Meia-noite

Comprei este livro porque a minha mãe o comprou. Li este livro porque a minha mãe o leu. A minha mãe não ficou muito impressionada com ele, mas eu… eu adorei-o.
Bom-dia, Meia-noite (1939) é uma das obras mais conhecidas de Jean Rhys, uma autora inglesa mais famosa no Reino Unido do que no resto do mundo. Nascida em 1890 na Republica Dominicana, filha de um médico galês e de mãe crioula, Rhys volta definitivamente a Inglaterra aos 16 anos para viver com uma tia. Após a morte do pai, em 1910, Rhys torna-se promiscua e financeiramente dependente de homens. Trabalha como modelo de nus, como voluntária numa cantina de soldados durante a I Guerra Mundial e como secretária no escritório de uma pensão. Ao longo da sua vida sofre vários abortos, um quase fatal. É no rescaldo deste episódio que começa a escrever.
Acredita-se que esta obra seja a continuação de outras três por parte da autora: Quarteto (1928), Depois de deixar Mr. Mackenzie (1930) e Viagem no Escuro (1934). Conta a história de uma mulher de cerca de cinquenta anos que luta contra uma depressão e várias vulnerabilidades. É obcecada com a sua aparência, que envelhece a cada dia que passa, não consegue ultrapassar a perda de um filho e o fracasso do seu casamento, e passa o tempo em bares a beber e a namoriscar com homens na busca de alguém que lhe dê atenção e a faça feliz.
Apesar de se tratar de uma história triste, a leitura deste livro não é monótona nem deprimente, pelo contrário, o leitor sente uma empatia imediata para com esta mulher, chegando mesmo a achá-la doce e a ter pena dela. Não sei se o livro terá algo de autobiográfico, mas não me admiraria se tivesse. Está muito bem escrito e o final é o melhor da história, um murro no estômago que deixará o leitor a pensar nele durante dias. Recomendo-o vivamente.
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Peter Pan

Quando eu era pequena, o filme da Disney Peter Pan era um dos meus preferidos. Adorava a personagem Wendy, que achava muito bonita e madura para a idade, e as peripécias do Capitão Gancho com Mr. Smee e o crocodilo. 
Peter Pan ou o rapaz que não queria crescer, de J. M. Barrie, começou por ser uma peça de teatro, adaptada a romance pelo próprio Barrie, seis anos depois, com o nome de Peter Pan e Wendy. A personagem de Peter Pan terá sido inspirada em David, irmão do escritor que morreu enquanto fazia esqui um dia antes de cumprir os 14 anos. Barrie e a mãe sempre se recordaram dele enquanto criança pelo que Peter Pan ganhou a alcunha de rapaz que nunca cresceu. 
Na história, Peter Pan terá cerca de 11, 12 anos e fugiu de casa quando bebé para não crescer. Levou consigo os Meninos Perdidos, de quem é lider, um grupo de crianças abandonadas pelos pais após terem “caído dos carrinhos de bebé”. Peter expulsa-os da Terra do Nunca assim que eles começam a crescer, pelo que o grupo nunca é o mesmo. Na ilha, também vivem os peles vermelhas, as fadas, os piratas e os animais selvagens. A fada mais famosa é Sininho, companheira de Peter Pan, e o capitão dos piratas é Gancho, o arqui-inimigo de Peter. O rapaz cortou-lhe a mão direita e deu-a de comer ao crocodilo, que agora deseja o resto. Ainda não conseguiu comê-lo por ser sempre denunciado pelo tique-taque de um relógio que engoliu.
O mais interessante na leitura do livro é o facto de compreendermos melhor as personagens. Na obra de Barrie, os protagonistas são muito mais profundos e intensos do que, por exemplo, nas adaptações cinematográficas da Disney. Peter Pan é um menino imaturo e convencido, que não sente grande empatia pelos outros. O Capitão Gancho e os pitaras são pessoas cruéis que matam sem dó nem piedade. Wendy tem um papel preponderante, pois serve de elo de ligação entre o mundo real e o imaginário, estando sempre consciente de onde veio e de quem é, e incentivando os Meninos Perdidos a saírem da ilha e a terem uma mãe e uma vida normal. Aliás, nesta obra, as mulheres, principalmente Wendy e a mãe, Mrs. Darling, são retratadas como a voz da razão e da responsabilidade. É com elas e por causa delas que a história se resolve e todos têm um final feliz. Também é curioso que, no final, Peter regresse sempre para levar para a Terra do Nunca as filhas e nunca os filhos. Nenhuma das personagens masculinas tem boa reputação. Nem Mr. Darling, que acaba por ser apresentado como alguém snob e demasiado preocupado com a opinião dos outros.
Gostei muito deste livro. Barrie compreende perfeitamente as crianças e o mundo infantil, e consegue expô-los de uma forma divertida e direta que reflete a admiração que sentia pela família Llewelyn Davies, inspiração da sua obra. Apesar de ser, por vezes, um pouco violento, Peter Pan é um livro juvenil original e engraçado. Recomendo.
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O espião que saiu do frio

Estava um pouco reticente ao pegar neste livro porque, como escrevi aqui no blogue, não gostei do único livro que lera de John le Carré, O Espião Perfeito. Contudo, decidi dar uma segunda oportunidade ao escritor e arriscar esta obra que já estava há algum tempo na minha estante. Ainda bem que o fiz.
O espião que saiu do frio é um romance sobre a espionagem no tempo da Guerra Fria. A personagem principal, Alec Leamas, é um agente de campo britânico responsável pela espionagem da Alemanha Ocidental contratado para eliminar Mundt, líder dos Serviços Secretos da Alemanha de Leste e suspeito de ser um agente duplo britânico. 
A narrativa está muito bem desenvolvida, o leitor acompanha Leamas ao longo da história sabendo apenas o que ele sabe e vendo apenas o que ele vê, pelo que as reviravoltas são surpreendentes tanto para um como para outro. Le Carré soube criar uma atmosfera de desconfiança e suspeição que gera momentos de pura adrenalina em que por vezes senti o meu coração a bater um pouco mais depressa com a ansiedade de saber o que se passaria a seguir. O final é inesperado e absolutamente brilhante, brilhante, perfeito para uma trama frenética e bastante verosímil em que a espionagem e a contra-espionagem são rainhas. 
Como Graham Greene uma vez disse sobre O espião que saiu do frio: “O melhor romance de espionagem que alguma vez li.”
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The Monogram Murders

Para mim, o ano de 2015 foi marcado por dois grandes lançamentos literários: o segundo livro de Harper Lee, que há muito estaria escondido no cofre de um banco, e uma nova versão de uma história de Hercule Poirot, maior personagem de Agatha Christie, pelas mãos de Sophie Hannah. O primeiro deixou um pouco a desejar, o segundo foi uma vitória literária.
Como já devem ter percebido, eu sou uma grande admiradora de Agatha Christie, principalmente da sua criação fetiche, Hercule Poirot. Por isso, quando soube que ia sair um novo livro do detetive pela mão de uma escritora policial contemporânea fiquei um pouco cética. A principio não quis ler a adaptação com medo de estragar a ideia que tinha de Hercule Poirot, contudo, depois de ter visto um exemplar de bolso com uma capa irresistível e frases encorajadoras de jornais reputados foi impossível ficar indiferente. 
A ideia original não foi trazer Poirot para a atualidade, pelo contrário, foi mantê-lo no seu período de início do século XX e tentar arquitetar um mistério parecido aos da própria Agatha Christie. O resultado foi excelente: um triplo homicídio num prestigioso hotel de Londres, com vários suspeitos, motivos controversos e conspirações inexplicáveis. 
A narrativa está muito bem conseguida. Percebe-se que Sophie Hannah estudou a fundo os livros de Agatha Christie e que tentou construir o seu com uma estrutura semelhante, sem nunca esquecer, claro está, as características distintivas de Poirot, tanto a nível fisico como psicológico. A trama tem muitos volte-face, como seria de esperar num romance policial, o que faz com que o leitor se sinta sempre preso ao livro. Sophie Hannah assegura que não se perde o fio à meada ao explicar continuamente o que ocorre, algo que Agatha Christie nem sempre faz, dando mais liberdade ao receptor. 
Apesar de a versão estar bem feita, vê-se que não é igual às histórias de Agatha Christie. Os leitores ficarão agradados com o livro, no entanto, aperceber-se-ão de que este Poirot é, quiçá, um pouco mais nervoso, autoritário e menos gentil do que aquele a que estamos habituados. Pode ser o cunho pessoal de Hannah ou apenas a forma de como ela vê a personagem. Seja como for, aconselho vivamente a leitura desta tentativa bem-sucedida de engendrar um novo crime para o detetive desvendar, quanto mais não seja para vermos como um autor contemporâneo dá vida a uma personagem que merece indiscutivelmente o reconhecimento do público do século XXI. Gostei muito. 
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O retrato de Dorian Gray

Oscar Wilde é um dos escritores mais adorados e citados do mundo. Muitos reconhecem-lhe o génio, a forma cómica de apontar os defeitos sociais, e as personalidades vincadas dos seus personagens. A mais famosa, quiçá, Dorian Gray.
O retrato de Dorian Gray (1891) conta a história de um rapaz, Dorian Gray, considerado fisicamente perfeito aos olhos da sociedade britânica dos finais do século XIX. É tão bonito, jovem e inocente que um pintor da moda, Basil Hallward, decide pintá-lo na que será a sua obra-prima. Assim que termina o quadro, aparece no seu atelier um bom amigo, Lord Henry Wotton, que fica absolutamente impressionado com Gray. Basil pede-lhe que não o “polua” com as suas ideias filosóficas e modernistas, mas Henry não resiste à beleza do modelo e inicia de imediato uma relação de amizade com ele. Tece-lhe tantos elogios que Dorian deseja, diante dos companheiros e do quadro, ficar jovem para sempre, e que seja o retrato a envelhecer em vez dele. Ora, como dizem os anglo-saxónicos: “Be careful what you wish for, you may receive it”.
É interessante notar como uma simples premissa pode levar a tantas conclusões. Eu só referirei algumas. A obra joga muito com o efeito da estética e da duplicidade. Muitas vezes é aludido, principalmente através do cínico Henry Wotton, que a beleza é meramente uma ideia abstrata que apenas serve para iludir e agradar os outros. É por isso que, a dada altura, Dorian se dedica ao estudo de tudo o que é belo (jóias, tapetes, roupas, música), fazendo crer que é apenas isso que importa para a alta sociedade vitoriana. No entanto, tudo tem um preço, e o que Dorian acaba por pagar para ser eternamente belo é bem elevado. Acaba por levar uma vida dupla, ao estilo Dr. Jekyll e Mr. Hide, e transforma-se num ser mesquinho, perverso, e perdido. 
Gostei muito do livro. Embora tenha sido escrito há 124 anos continua a ser um murro no estômago para quem vive no século XXI. A temática da beleza, da sua importância extrema, e do custo que tem para quem se deixa influenciar por ela, continua a ser bastante atual. Podemos até estabelecer um paralelismo entre os dândis da época vitoriana (Oscar Wilde era um deles) e as celebridades dos dias de hoje. Até que ponto estão dispostos a sacrificar o seu bem-estar para serem considerados modelos de beleza a seguir? Tudo, diriam muitos. Dorian sacrificou até a alma. 
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O Assassinato de Roger Ackroyd

Só tenho uma palavra para descrever este livro: incrível.

Se seguem o meu blogue com alguma frequência, já perceberam que sou fã incondicional de Agatha Christie. Conheço bem a sua obra e não passa um ano sem que leia um livro seu. Contudo, nunca tinha posto as mãos no que é hoje considerado o clássico da literatura policial por excelência, e o seu melhor trabalho: O Assassinato de Roger Ackroyd (1926).

Tudo começa com o homicídio de Mrs. Ferrars, viúva de um dos homens mais importantes de King’s Abbott. O outro homem rico da aldeia é Roger Ackroyd, que ultimamente sente uma certa apreensão pela sua vida, sem que ninguém perceba muito bem porquê. A verdade é que ele tem motivos para estar preocupado e acaba mesmo por ser assassinado. É neste momento que Poirot entra em cena e o enredo se desenrola ao mais puro estilo Christie. 
A narrativa é-nos contada pelo Dr. Sheppard, o médico de King’s Abbott que analisou primeiramente os dois cadáveres. Poirot junta-se a ele numa espécie de dupla que imita a que manteve em muitos livros com o Capitão Hastings, na esperança de lhe ser mais fácil obter informações para resolver o caso, pois, como o próprio diz, encontra-se reformado e as celulazinhas cinzentas já não são o que eram. 
Para não variar, a história está muito bem escrita e descrita, com todos os pormenores que nos apaixonam em Agatha Christie. É fácil de seguir, um deleite de ler, e (muito) difícil de poisar. Apesar de, pela primeira vez, eu ter descoberto o/a responsável pelos crimes, recomendo vivamente a leitura deste livro e compreendo por que razão é considerado o ex-libris da literatura policial. Tem tudo. Trama, intriga, paixão, suspense, medo, morte, inteligência. 
Se é o melhor que Agatha Christie nos deixou, não sei, pois, dos que já li, gosto especialmente de As Dez Figuras Negras (1939) e de Poirot e o Jogo Macábro (1946). Na minha opinião, é tão bom quanto estes. No entanto, ao contrário dos dois, está presente em inúmeras listas de livros a ler antes de morrer. Eu já me adiantei e adorei! 
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Um Espião Perfeito

Dois meses! Demorei dois meses a ler este livro! A que devia ter sido a minha última leitura de 2014 acabou por ser a primeira de 2015.
O Espião Perfeito (1986) é considerada a obra prima de John Le Carré, escritor britânico de romances policiais e ex-espião do MI5 e MI6, cujos livros são muitas vezes adaptados ao cinema. Este, em particular, conta a história de vida de Magnus Pym, um oficial britânico e agente duplo que trabalha ao mesmo tempo para a Inglaterra e Checoslováquia, no tempo da guerra fria. A história é contada de forma não linear, alternando entre o presente (Pym fugitivo por se ter descoberto que é traidor), e o passado, o crescimento com um pai corrupto e vigarista que nutre pelo filho um amor incondicional e para o qual tem grandes expectativas. 
A escrita do autor não é fácil, razão pela qual demorei mais tempo a ler o livro do que gostaria (e a verdade é que a tradução portuguesa que li também não ajudou). Penso que, apesar de brilhante, a história não prende o leitor e torna-se, por vezes, confusa. Ainda assim, nunca me passou pela cabeça abandonar a leitura. Sempre reconheci o valor da narrativa e quis saber o final, o estilo é que não me conquistou.
Seja como for, aconselho O Espião Perfeito, de John Le Carré, por ser diferente, por ser um clássico policial, e pelo final (que vale o esforço).