
O fim-de-semana passado vi o filme “A Herdeira” (1947), de William Wyler (Ben-Hur; The Children’s Hour) com os maravilhosos Olivia de Havilland e Montgomery Clift. Não sabia nada sobre a história, que é como gosto de escolher os filmes que vejo e os livros que leio, pelo que fiquei muito surpreendida ao ver que se tratava de uma adaptação da obra “Washington Square”(1888), de Henry James.
Eu já tinha lido este livro há alguns anos, mas lembrava-me pouco da história, pelo que após o visionamento do filme decidi lê-lo outra vez. “Washington Square” narra o romance entre Catherine Sloper, uma rapariga pouco atraente, desajustada e rica que vive com o pai, Dr. Sloper, médico cirurgião bem sucedido, e Morris Townsend, um jovem cavalheiro bem parecido, pobre e sem recursos. Catherine não acredita na sua sorte quando se vê alvo do interesse de Morris, e o seu pai desconfia logo do rapaz e diz à filha que ele só a quer por causa do dinheiro. A partir daqui, estas três personagens, juntamente com Mrs. Penniman, tia de Catherine e grande impulsionadora do namoro, vão confrontar-se ao longo do tempo para se defenderem umas das outras.
Enquanto no livro as razões do interesse de Morris são bastante explícitas, no filme, que é muito fiel ao texto, o espectador é deixado na penumbra. Todas as personagens dão o seu ponto de vista e são guiadas pelos seus interesses e fraquezas, e, apesar de parecer não existir personagem principal, é sem dúvida Catherine que conhece a maior transformação e que dita o desenrolar da história e o desenlace da mesma.
Gostei muito do livro e do filme. Como referi, são os dois muito parecidos e, de certa forma, complementares. Henry James escreve maravilhosamente enquanto aborda um tema diferente e mais original do que é costume, e Olivia de Havilland e Montgomery Clift são divinos no ecrã (ela inclusive ganhou o seu segundo Óscar de melhor actriz com esta longa-metragem). Recomendo.