
Na minha estante tenho toda a série de Em Busca do Tempo Perdido (1913-27) para ler, mas Proust intimida um bocadinho, confesso. Enquanto não mergulho de cabeça na sua monumental obra de sete volumes, leio o que Proust tem a dizer sobre a leitura. E não é pouco.
Sobre a leitura (1987) é um ensaio escrito no início do séc. XX para servir de prefácio para as obras de John Rushkin, quem Proust muito admirava. Nos anos oitenta foi publicado pela primeira vez como um ensaio sobre o acto de ler.
Neste pequeno texto, Proust diz que a leitura é uma atividade muito prazeirosa que, quando interrompida, se torna um tormento. Diz também que “(…) a leitura, ao contrário da conversa, consiste para cada um de nós em receber comunicação de um outro pensamento (…)”; “(…) é ainda às leituras de infância que eu irei perguntar em que é que consistem (as virtudes) (…)”; e que a leitura é uma forma de introdução na vida espiritual, e a maneira de um “espírito preguiçoso” sair do seu desalento.
Interessante, não é? E há mais para ler sobre a opinião de Marcel Proust, mas não o direi para não estragar o livro, um “miminho” para todos os verdadeiros leitores que se lê em poucas horas.