O Paraíso das Damas (1883) (no original Au Bonheur des Dames) é uma obra do escritor francês Émile Zola, conhecido como o pai do naturalismo/ realismo. Zola cortou com o romantismo, ramo literário que se encontrava em vigor quando começou a escrever.
Este livro conta a história do nascimento daqueles que podem ser considerados os primeiros grandes armazéns de Paris, nomeados precisamente como o título do livro. A mega loja é um grande sucesso junto das mulheres parisienses, contudo, traz consigo enormes preocupações económicas aos pequenos e médios comerciantes da zona, tema que Zola explora na perfeição no seu texto. De que forma a vida quotidiana de Paris se altera com a “invenção” de um super estabelecimento que vende de tudo a preços muito mais convidativos, e como é que o público em geral a vê a recebe.
Para isso, Zola utiliza Denise, uma jovem da província órfã e responsável por dois irmãos mais novos que chega a Paris para viver com familiares e fica automaticamente encanta com os armazéns. É para lá que vai trabalhar, mesmo contra a vontade do tio, comerciante arruinado por eles. A vida de Denise muda por completo, tal como a de quase todos os que conhece.
Creio que Zola tentou fazer uma alegoria com o surgimento, em 1865, do Printemps, armazéns franceses por excelência que ainda hoje existem conservando a monumentalidade de então. A sua inauguração foi todo um acontecimento e as suas consequências precisamente aquelas que o escritor descreve em Au Bohneur des Dames. O próprio nome do livro me parece uma ironia engraçada, isto é, a cidade e a vida de Paris não se importam de mudar, desde que as mulheres possam ter um sítio onde satisfazer e comprar os seus caprichos. Também a inspiração para a personagem do Barão Hartmann não me parece um acaso se pensarmos no verdadeiro Barão Haussman, responsável pela abertura dos grandes boulevards parisienses e reconstrução da cidade.
Gostei do livro. É uma história original que serve quase como documento histórico para descrever os tempos modernos que o final do século XIX trouxe à capital francesa. A partir do meio torna-se, quiçá, um pouco repetitivo, no entanto o seu contexto realista é suficiente para que se o leia.