Um dos grandes sucessos infantojuvenis da atualidade é, sem dúvida, a série Cherub, do autor britânico Robert Muchamore. Com cerca de duas dezenas de livros publicados, esta coleção provou que os meninos e meninas afinal também gostam de histórias de espiões à la 007.
O primeiro livro da coleção, e provavelmente o que conheceu mais êxito, é O Recruta. Aqui conhecemos o protagonista da série, James, e a forma de como ele vai parar à Cherub, uma organização secreta que em vez de alistar espiões adultos alicia crianças por serem agentes “menos óbvios”. A história está cheia de momentos de ação, e a sua narrativa é parecida à de um filme. Enquanto pretende cativar o público-alvo com cenas divertidas e episódios tumultuosos, deseja, ao mesmo tempo, mostrar-lhe um pouco do passado recente inglês e ajudá-lo a compreender como funciona o atual mundo da política e da grandes organizações mundiais.
De forma geral, compreendo que o livro seja cativante para os mais novos porque tem cenas engraçadas que os fazem rir e fala de um miúdo da idade deles que se torna espião ao serviço do seu país, uma fantasia interessante e íntima que faz sonhar qualquer adolescente. No entanto, enquanto leitora mais experiente, devo admitir que achei o livro violento, preconceituoso para com os mais gordinhos e com uma história pouco original. Os clichés sucedem-se e as cenas acontecem tão rapidamente e de maneira tão desconcertada que por vezes não percebemos como passámos de um episódio para outro. As personagens, à exceção de James, são vazias, sem história, e acrescentam pouco à obra.
Não creio que O Recruta seja um livro que encha a vida de um adolescente nem que, muito menos, o marque nessa fase tão importante. É apenas mais um passatempo, divertido e cativante, sem dúvida, mas com pouco conteúdo e não muito memorável. Resumindo: O Corsário Negro 1 – 0 O Recruta.
