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A Infame Mentira

A razão pela qual comprei este filme foi por ter Shirley Maclaine e Audrey Hepburn como protagonistas. Não o conhecia e fiquei curiosa. Estava longe de imaginar que veria um dos filmes mais “progressistas” da História do Cinema.
Realizado em 1961 por William Wyler (um dos gigantes da época dourada de Hollywood), A Infame Mentira conta a história de duas amigas que, ao saírem da universidade, decidem abrir um colégio interno para raparigas. A vida corre-lhes bem, o estabelecimento de ensino é um sucesso e o método de educação elogiado pelos pais… Até ao dia em que uma aluna rebelde decide contar à avó uma mentira infame sobre as duas professoras de modo a não voltar à escola. A avó, relutante em acreditar em tais obscenidades, fica convencida quando os pormenores rocambolescos da neta parecem ser demasiado “reais” para saírem da cabeça de uma criança. Como boa cristã, a velhota espalha a notícia pelos outros encarregados de educação que, como bons cristãos, retiram as filhas do colégio deixando-o completamente vazio. As professoras, ao verem a sua vida virada do avesso e sem perceberem porquê, perguntam a um pai o que se passa. Este revela-lhes (sem o público ouvir) o boato e quem o espalhou. Ambas dirigem-se a casa da aluna e da avó e perguntam-lhes como puderam destruir a sua reputação daquele modo. A verdade é que elas não são lésbicas, apenas amigas. 
A partir deste momento, o filme aborda questões sobre a homossexualidade, o pecado, a rejeição por parte dos outros, a auto-rejeição e a crueldade que um boato falso é capaz de gerar numa cidade pequena cheia de preconceitos. Durante o desenrolar da história, o espectador não sabe se elas são realmente lésbicas ou não. Ou se uma delas é. Só descobre no fim. 
Trata-se de uma narração muito bem contada, sem clichés, actual e que impressiona por ser a preto e branco e por ter sido feita numa época em que Portugal ainda se encontrava sob dominio ditatorial.
Na semana em que o nosso país se tornou a quinta nação a aprovar a co-adopção por casais homossexuais, é pertinente ver uma história assim. Quanto mais não seja para assistir às interpretações magistrais de duas das maiores actrizes de todos os tempos. A meu ver, obrigatório.

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