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Um Caso Real (A Royal Affair)

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(Spoiler Alert)
O facto de este filme dinamarquês ter sido nomeado para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro despertou-me a atenção. Ainda mais por ser um filme de época. 
Passado no século XVIII, o filme retrata o caso extraconjugal entre a rainha Carolina Matilde e o então médico da corte, e mais tarde braço direito do rei Christian VII da Dinamarca, Dr. Struensee.
Com quinze anos, a princesa inglesa Carolina Matilde chega à corte dinamarquesa para desposar o rei da Dinamarca, Christian VII. Ao perceber que não tinham nada em comum e que o rei passava grandes temporadas fora, divertindo-se com outras mulheres como se de um adolescente se tratasse, Carolina tornou-se uma pessoa reservada e voltou-se para a educação do filho que entretanto tivera e para a vida social da corte.
Certo dia, o rei fez uma série de “entrevistas de emprego” para encontrar o seu novo médico pessoal. Como sofria de epilepsia, era excêntrico por natureza e mimado por criação, Christian VII sentia muita dificuldade em adaptar-se ao papel de monarca e em lidar com os outros. Eis então que chega o Dr. Johann Struensee.
Médico, iluminista, sensato e simpático, Struensee cativou a corte desde logo. Era o único que tratava o rei infantil e esquisito com a dignidade que este merecia, o que lhe valeu um lugar cativo na consideração do monarca que o chamava constantemente para conversar ou para lhe fazer companhia. O Concelho, apercebendo-se da influência que este tinha sobre Christian, começou a temê-lo, especialmente devido às suas ideias iluministas bastante avançadas para a época religiosa e tradicional que assolava o pequeno país. A verdade é que tinham razões para isso. Aos poucos, Struensse foi inocentemente infiltrando-se na vida politica, fazendo valer os seus ideais que, por acaso, eram compartilhados com os da rainha. Foi esta “coincidência” que aproximou os dois outsiders. A rainha sentia-se só e Struensee sentia-se um estranho na corte. Começaram a falar e a entender-se, iniciando uma relação de cortesia que rapidamente passou a algo mais. 
A ligação extraconjugal fazia-os felizes e ainda durou algum tempo, culminando no nascimento de uma filha, a princesa Louise Auguste. Contudo, estes segredos são difíceis de guardar e, numa era de desenvolvimento económico e social liderada por Struensee, foram muitos os que o invejaram e não viram com bons olhos os progressos que ele fazia.
Então, numa noite de baile, a Rainha-Mãe e o membro mais religioso e tradicionalista do Concelho engendraram um plano que tinha por base o divórcio dos reis, o exilio da rainha Carolina em Celle, na região de Hannover, Alemanha, e a decapitação de Struensee. Ambos foram julgados por traição e, apesar do que fizeram pelo país e de a população reconhecer os benefícios da sua governação (que perdera o controlo nos anos finais) ninguém ficou triste nem se opôs ao desfecho do caso.
A rainha exilada ainda tentou fazer um golpe de estado sem sucesso com a ajuda do irmão, o Príncipe de Gales, contudo acabou por morrer sozinha, tendo unicamente por companhia a sua primeira dama da corte que a amparou nos primeiros anos de vida real.
O legado deste amor foi passado aos príncipes, filhos da rainha, do rei e de Struensee. Ao receberem uma carta da mãe, onde ela lhes explica como tudo aconteceu, convencem o pai a perdoar o passado e a fazer da Dinamarca um país próspero e moderno. A verdade é que o rei Christian adoptou algumas das medidas que Struensee aplicara e fez do seu país um dos mais avançados da Europa.
O filme é maravilhoso. A fotografia é boa, os actores são extraordinários e a história é cativante e está muito bem contada.
Quando acabou, a primeira coisa que me veio à cabeça foi: Como é que o Amour ganhou o Óscar??

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