No outro dia acordei com uma dilema em mente: Quantos livros deve uma pessoa ler por ano?
A questão não me surgiu do nada. Há dois anos, numa estadia prolongada em Florença, vários jovens deambulavam pela ruas a pedir aos transeuntes que fizessem esta mesma reflexão. Apanhada de surpresa, não soube o que responder. Contudo, ao fazer as contas de cabeça, decidi contar por baixo e dizer «nove o dieci», o que deixou a adolescente que me fez a pergunta bastante admirada com o número gordo. Mas, seriam assim tantos? Comparando com Nina Sankovitch, nem pouco mais ou menos.
Na minha busca «internetesca» por respostas, acabei por encontrar um blogue bastante interessante sobre uma americana que decidiu passar um ano a ler. Literalmente. Read all day conta a saga de Nina Sankovitch de ler um livro por dia. 365 dias, 365 livros. Com uma média de, mais ou menos, 200 páginas, a escolha dos autores foi muito variada, indo desde nomes da literatura dita light, como Jessica Treat, Rafael Yglesias ou John Grogan, até grandes referências da literatura mundial como Albert Camus, Leo Tolstoi ou Knut Hamsun. Para além de ter passado um dia inteiro a ler, Nina fez ainda uma critica (review) a cada um dos livros que lhe passou pelas mãos.
De 28 de Outubro de 2008 a 28 de Outubro de 2009, o dia-a-dia de Sankovitch foi invadido por histórias, personagens, ideias, conceitos e imaginários que só os livros podem oferecer. Inúmeras viagens partilhadas no blogue Read all day (onde podem encontrar a lista de livros lidos, as criticas e várias fotografias de Nina a ler nas mais diversas situações e estações do ano) e também no livro que ela acaba de publicar, e que relata exactamente esta experiência diferente e enriquecedora, Tolstoy and the purple chair.
Depois disto, creio que cheguei à conclusão de que não existe um número exacto de livros que se devem ler. Para um leitor ávido, dois ou três serão certamente poucos, mas para quem não tem hábitos de leitura, um ou dois, já será um número bastante aceitável. Pessoalmente, acho que me manterei na quota dos quinze ao ano (também dependerá da minha disposição, da grossura dos livros e de outros factores externos e internos). Todavia, de uma coisa tenho a certeza, se a rapariga que me questionou em Florença tivesse ouvido falar da história de Nina, não teria acreditado.
