Na minha humilde opinião, este é o melhor filme de Quentin Tarantino e um dos melhores elencos de actores de sempre.
Como seria se a História fosse reescrita de maneira cómica e completamente surreal? É a esta pergunta que o novo filme de Tarantino tenta dar resposta. Inglourious Basterds é sobre um restrito número de soldados americanos, auto-intitulados Basterds e comandados por um Brad Pitt digno de Óscar secundário, que tenta chegar a Hitler matando o maior número de soldados nazis possível. A honra? Cortar-lhes o escalpe. O objectivo? Matar Hitler e acabar com a II Guerra Mundial, claro está.
O percurso até Hitler é uma deliciosa aventura que vai colar o espectador ao assento da cadeira de cinema, implorando para que o filme não acabe. Inúmeras situações entre alemães, ingleses, americanos e franceses procuram revelar as diferenças culturais de uma Europa retalhada (sendo as cenas do número três e a da Língua Italiana, seguramente a melhor do filme, disso exemplo) e as igualdades humanas e espirituais de personagens que poderiam ser consideradas uma mistura entre o típico filme de guerra americano com o tradicional filme noire.
As actuações dos actores são extraordinárias, começando por Brad Pitt e acabando em Diane Kruger (aqui surpreendemente mais mázinha e confiante do que nos papeis de loura burra e girl next door que geralmente lhe atribuem). Contudo, há um actor que não posso deixar de mencionar devido à sua maravilhosa performance que, para mim, é a melhor e a alma de todo o filme: Christoph Waltz.
Este (desconhecido) actor austríaco presenteia o público com uma representação incomparável e completamente imprevisível. Lembro-me de que na primeira cena consegue criar um tal ambiente de suspense que me deixou com as mãos coladas aos olhos, totalmente convencida de que ia fuzilar o pobre agricultor. Ora, não só não fuzilou, como conseguiu dar à cena o ambiente ambivalente de dúvida e certeza, transparecendo todo o cinismo, frieza e crueldade com que caracterizamos o típico soldado nazi. Já para não falar que ao longo do filme actua em três línguas diferentes, falando-as a todas na perfeição.
Quanto à direcção e ao argumento, direi apenas que Tarantino se superou. Mesmo que não tenham gostado dos seus filmes anteriores, aconselho-vos na mesma a verem este Inglourious Basterds, pois acho que terão uma bela surpresa. Só uma nota: não se esqueçam de que é um filme de Tarantino, logo tem cenas verdadeiramente violentas. O único contra.
Para rematar: NÃO DEIXEM DE VER INGLOURIOUS BASTERDS!
E bom cinema!
