Literatura Norte-Americana

A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça e Outros Contos

Comprei o livro de Washington Irving pelo simples facto de querer ler “A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça”. Já conhecia a história devido ao filme da Disney, de 1949, e sempre a achei assustadora e cómica, ao mesmo tempo. Uma ótima forma de contar aos mais novos uma história de terror.
Ichabod Crane é o novo professor primário de uma cidadezinha norte-americana habitada sobretudo por emigrantes holandeses. A sua chegada causa um grande reboliço devido à sua fisionomia peculiar (ao longe parece um espantalho), e principalmente ao facto de parecer atrair a atenção da bela filha do homem mais rico da região, Katrina Van Tassel, disputada por todos os solteiros da zona, como o popular Brom Bones. Certa noite, numa festa organizada pelo pai de Katrina, Brom começa a perder a esperança de conquistar a rapariga. De repente, apercebe-se do ponto fraco do adversário: Ichabod tem medo de histórias de terror. Então, ele narra a lenda do Cavaleiro sem Cabeça, um antigo mito da cidade que diz que anda um cavaleiro sem cabeça à solta, à procura de uma cabeça para poder usar. Claro que ninguém leva a história a sério, só que, na manhã seguinte, o desaparecimento de Ichabod levanta muitas suspeitas. O que lhe terá acontecido?
O segundo conto do livro é “Rip Van Winckle”, e não há norte-americano que não o conheça. 
Certo dia, Rip Van Winkle, homem bondoso e mandado pela esposa, fartou-se da sua vida de trabalho e da “megera da mulher”, pegou na espingarda e foi caçar para os bosques da zona montanhosa. No final da jornada, quando se preparava para descer para a aldeia, ouviu alguém chamar por ele. Tratava-se de um homem idoso, baixo e entroncado, com um pesado barril com o que parecia ser uma bebida alcoólica. Este pediu a Rip que o ajudasse com o barril, e, apesar de desconfiado, Rip assentiu. Quanto mais subiam a montanha, mais Rip ouvia o barulho de trovões ao longe, e, chegados a um pequeno anfiteatro, depararam-se com personagens peculiares que vestiam de forma excêntrica, e jogavam à laranjinha. Começaram todos a beber a bebida do barril e, depois, adormeceram. Quando Rip acordou, percebeu que o mundo em que vivia já não era o que tinha conhecido. 
O terceiro, e último, conto é “A Lenda do Astrólogo Árabe”. Como é pequeno, não o resumirei aqui, pois estaria a estragar-vos a surpresa, contudo, direi apenas que parece uma mistura entre a lenda por detrás da construção do Taj Mahal e o conto “O Rei Vai Nu”, de Hans Christian Andersen.
Recomendo vivamente a leitura de uma das obras fundadoras da literatura e do imaginário norte-americanos. Washington Irving, para além de divertido e sinistro, relata-nos os costumes da época como se de um historiador se tratasse, dando-nos a conhecer a “América” antes da independência britânica, enquanto cria um universo fantástico que inspirou escritores como Charles Dickens, Lord Byron e Edgar Allan Poe.