O Tigre Branco

Comprei este livro em 2008 (ano em que ganhou o Man Booker Prize) e deixei-o na estante até hoje. Não sei o que me fez pegar nele agora, mas ainda bem que o fiz. Foi um autêntico murro no estômago, justamente o que eu precisava: uma leitura com significado.
O Tigre Branco (2008) de Aravind Adiga é acima de tudo um livro sobre a Índia. A personagem principal é um homem jovem e pobre que ganha a vida como motorista de indianos ricos e influentes de Bangalore. Balram Halwai, como geralmente é chamado, tem um fundo bom e só quer trabalhar honestamente para evoluir, contudo, depara-se com inúmeras dificuldades e com um sistema completamente corrupto que não premeia o mérito nem a justiça, e se vende consoante quem paga mais. Esta sociedade suja e indecente vai fazer com que Balram abandone os seus valores e se torne um homem capaz do inimaginável para conseguir o que quer, tendo sempre a noção de que também ele teve de se “vender” para ser alguém.
Gostei muito deste livro. O que Aravind Adiga pretendeu fazer foi traçar um retrato atual da sociedade indiana ao contar-nos como se sobrevive num lugar que não considera os seus cidadãos iguais, que aceita subornos como prática aceitável e que explora as castas mais baixas sem qualquer respeito pelos direitos humanos. A leitura desta obra é um verdadeiro choque numa altura em que a cultura do zen, do yoga e do namaste está tão em voga. A certa altura recordou-me Money, de Martin Amis, embora mais interessante e com uma escrita mais clara. Uma crítica à sociedade local onde homens relativamente sãos e decorosos são arrastados para um mundo fétido e descontrolado. Não admira que tenha ganho o Man Booker Prize. Recomendo vivamente.

