Literatura Britânica

A mulher que decidiu passar um ano na cama

Não há como negá-lo: o que me “vendeu” o livro foi o título. Não há dúvida. Quem é que muitas vezes não pensou em esquecer tudo e simplesmente passar uma temporada na cama, a dormir, a ler, a ver tv, ou a fazer outras coisas? Pois eram tantas as possibilidades de uma história diferente que devo ter elevado demasiado as minhas expectativas. 

A Mulher Que Decidiu Passar Um Ano Na Cama conta a história de Eva, uma mulher que abdicou de uma carreira para cuidar dos filhos gémeos e do marido e que, passados 18 anos, quando os rebentos vão para a universidade numa outra cidade, decide passar um ano na cama. Durante esse período acontece-lhe de tudo: descobre que o marido, que já não ama, a trai com uma colega do trabalho, que a sogra nunca gostou dela, que a mãe não a entende, e que o homem que lhe faz as obras no quarto e por quem se apaixona não está disposto a largar tudo por ela.
Este devia ser um livro trágico-cómico, com situações caricatas que nos deveriam levar às lágrimas de tanto rir. No entanto o que me pareceu é que a autora, Sue Townsend, (mãe do famoso Adrian Mole), se esforçou demasiado e não conseguiu passar para o papel as peripécias que o livro merecia. Eva está constantemente a sentir pena de si própria porque tudo de ruim lhe acontece. É um azar atrás de outro que em vez de nos produzir gargalhadas faz com sintamos pena da protagonista e não tenhamos curiosidade em saber o que lhe acontece a seguir. Não gostei de nenhuma personagem em particular porque todas me pareceram vazias e caricaturadas ao extremo. 
Apesar de eu ter ficado um pouco desiludida com o livro, admito que há algumas passagens interessantes e que a história possa agradar a muita gente. Eu é que esperava mais. E com um título destes o livro merecia seguramente bastante mais.