Literatura Europeia

A Year in the Merde

Comecei a ler este livro há cerca de ano e meio, e parei. Parei porque não achei graça, porque me pareceu gratuito e porque simplesmente não me cativou. A personagem principal não era interessante e a trama também não era especialmente intrigante. Não pensei voltar a lê-lo, contudo, há três semanas, quando procurava a minha nova leitura, vi-o na estante, ainda com o separador a marcar a minha paragem, e pensei que não adiantava nada ele estar ali a apanhar pó e que mais valia lê-lo. Acabei-o ontem.

A Year In The Merde (2004) é o primeiro livro do autor inglês Stephen Clarke. Conta a história de Paul West, um jovem britânico que vai trabalhar para uma empresa de alimentação parisiense com o propósito de os ajudar a abrir uma cadeia de casas de chá. 
Paul percebe rapidamente que o Reino Unido e a França são muito diferentes a nivel cultural. Seja no trabalho, em discotecas/cafés ou simplesmente na vida social e politica do país, o protagonista vê que a mentalidade francesa não tem nada a ver com a forma de como ele vê o mundo. Queixa-se das contantes greves que os sindicatos fazem e que paralisam o país (farmacêuticos, policias, jornalistas, transportes públicos, etc), da corrupção, da politica, das mulheres, do trabalho, enfim… Parece que todos os defeitos dos descendentes de Asterix acabam por atingi-lo, de uma forma ou de outra.

Apesar de ser um livro onde a personagem principal se queixa constantemente das características dos gauleses, há passagens bastante cómicas que nos dão a conhecer um pouco mais, não da realidade francesa, como poderá dar a entender, mas dos círculos politicos e corruptos que assolam a França. Paul compreende que as pessoas que o rodeiam não são propriamente honestas e decide fazer-lhes frente de uma maneira não comprometedora, mas que acaba por ser vantajosa para todos.

A Year In The Merde não é espectacular, é um livro que se lê bem na praia ou nos transportes públicos, caso não estejam em greve. Tem uma linguagem acessível, situações caricatas e é pouco repetitivo.
O único aspecto de que não gostei muito foi o facto de as mulheres serem quase sempre vistas como uma potencial parceira sexual. Ou será que este britânico é que era tarado? Enfim…
Recomendo o livro a quem quiser saber um pouco mais sobre o funcionamento da sociedade francesa ou simplesmente a quem quiser ler um livro divertido e despreocupado.

Sei que entretanto Stephen Clarke já publicou algumas sequelas desta obra como Merde Actually, Merde Happens, Dial M for Merde e The Merde Factor. É caso para dizer que se espreme a laranja até ao fim. Não lerei nenhum destes exemplares porque A Year In The Merde não me marcou ao ponto de me deixar curiosa sobre os restantes livros, e porque me parece que a história ficou resolvida, não necessitando, assim, de mais intervenções.