Literatura Britânica

Robinson Crusoe

Robinson Crusoe (1719), de Daniel Defoe, era um dos livros mais antigos da minha TBR. Apesar de ser uma história que eu sempre quis ler, acho que nunca lhe tinha pegado por temer a complexidade da sua escrita possivelmente antiquada e de difícil compreensão. Para minha grande surpresa, não podia estar mais enganada.

Creio que a premissa do livro é conhecida: Crusoe, um jovem sem grandes perspectivas na sua Inglaterra natal e cheio de vontade de se fazer ao mar, parte de Hull num navio rumo a Londres, contra a vontade dos pais. Apesar de sofrer uma tempestade a bordo e de jurar nunca mais entrar num barco, parte novamente desta feita para “os Brasis”, onde compra uma porção de terra e se estabelece como rico fazendeiro. Passado um par de anos, fazendeiros seus conhecidos propõem pagar-lhe uma viagem a África para que ele compre escravos de modo a trabalharem nas suas terras. No entanto, o navio não chega ao destino e Crusoe, sendo o único sobrevivente, fica sozinho numa ilha deserta durante vinte e oito anos, dois meses e dezanove dias.

Este livro é incrível. Defoe consegue criar uma narrativa de um só homem onde o relato da sua superação, força e autodeterminação é o que nos prende às páginas. Crusoe parece nascer de novo num lugar inóspito e estranho, tendo de reaprender tudo outra vez: a comer, a vestir-se, a proteger-se, a confiar e a desconfiar. É a sua força de vontade em continuar vivo e a esperança de um dia sair dali que faz com que ele nunca perca o controlo nem a capacidade de olhar para o futuro, sem se concentrar apenas no presente.

Gostei muito desta obra. Defoe escreve maravilhosamente. As suas descrições são minuciosas, humorísticas e nunca aborrecidas. É impressionante que tenha escrito esta aventura (baseada na vida de Alexander Selkirk) aos 60 anos e cunhado aquele que é considerado o primeiro romance realista inglês. Recomendo-o vivamente. É caso para dizer que já tenho encontro marcado com Moll Flanders (1722). Antes tarde que nunca.

Literatura Britânica

The Man Who Was Thursday

TheManWhoWasThursday

Gosto muito da coleção Penguin English Library, tendo já comprado vários dos seus exemplares. Tratam-se de clássicos britânicos que qualquer amante da cultura inglesa gostaria de ler. Para além disso, as capas são artísticas, o tamanho é perfeito para ter nas mãos, a maior parte dos livros é leve e fácil de transportar e o papel é agradável ao tato. O (enorme) bónus é o facto de as lombadas serem muito coloridas e ficarem perfeitas numa estante. Por isso, quando vi esta obra de G. K. Chesterton e li a contracapa que dizia tratar-se de um livro de espiões, não hesitei e adquiri-a de imediato.

The Man Who Was Thursday (1908) passa-se em Londres num período em que a ameaça anarquista paira no ar e amedronta a população com o constante prenúncio terrorista. Syme, um homem que não acredita neste movimento, é abordado por um polícia que o convence a assistir a uma reunião anárquica (sob o pseudónimo de Thursday) e a tentar decifrar o que lá ocorre sob a chefia do temível Sunday. Nessa reunião, Syme acaba por descobrir que um dos objetivos do grupo é bombardear um encontro entre duas personalidades em França, e também se apercebe que, para além dele, todos os outros participantes são policias disfarçados, à exceção de Sunday.

Esta narrativa foi muitas vezes descrita como um thriller metafísico em que nada parece fazer sentido. O início é relativamente normal, mas a meio a história ganha contornos fantásticos que parecem não ter nexo. No final ficamos um pouco confusos e não percebemos bem o que acabámos de ler, quando nos damos conta de que o subtítulo do livro é O Pesadelo e nos apercebemos de que tudo não passa de um sonho decorrido numa realidade que não é a nossa. Se virmos a obra desta maneira ela acaba por ter alguma coerência. Pelo menos foi o que aconteceu comigo. De qualquer forma, é uma história estranha. Para quem espera um romance de espiões, desengane-se, este livro não o é. Para quem gosta de algo mais alternativo ao estilo de Alice no País das Maravilhas, acho que ficará maravilhado com Chesterton. Seja como for, até agora, foi o livro da Penguin English Library de que menos gostei. Não é mau, só não é para mim.