Os Interessantes
Quando vi este livro na livraria fiquei logo com vontade de o ler. Tudo me chamou a atenção: a capa colorida, o título, as frases elogiosas na contracapa, o tema refrescante. Um grupo de jovens que se conhece na adolescência durante umas férias de verão em plena década de setenta.
Apesar de ter 587 páginas na edição da Teorema, Os Interessantes (2013) é quase uma história sobre nada. O livro começa com a morte do pai da personagem principal, se é que podemos considerá-la assim, e segue com a sua ida para um campo de férias dedicado às artes, onde Jules conhece um grupo de adolescentes que muda radicalmente a sua vida. O que este romance faz é contar-nos os diferentes percursos de cada um deles até à idade adulta, e até um momento chave que culmina noutra mudança brutal para o grupo.
O que mais gostei na obra foi a descrição do crescimento das personagens, iniciado na década de setenta numa América dominada pela guerra do Vietname, passando pelos restritos anos oitenta de Reagan, pela modernidade dos noventa, e finalmente pela crise económica que assolou o mundo no final da década de 2000. Longe de ser um livro político, mas, ainda assim, influenciado pela História e pelas suas consequências, Os Interessantes é mais um romance sobre a vida pessoal destas personagens distintas e dos seus sonhos e ansiedades acerca do futuro e da vida propriamente dita.
Meg Wolitzer escreveu um belo livro. Está cá tudo: morte, amor, sucesso, amizade, diferença, doença, velhice, juventude, abandono. Trata-se de uma história bonita, realista e comovente que só se poderia passar na América dos finais do século XX. Um documento ficcional que abarca muito do que a História contempla, transportado para uma irrealidade que nos mostra como poderá ter sido a vida para milhares de americanos. Numa palavra: interessantíssimo.
