O Príncipe e o Pobre
Este foi o segundo livro que li de Mark Twain, depois de A Viagem dos Inocentes. Não desapontou e até foi engraçado.
O Príncipe e o Pobre conta a história de duas crianças parecidas como gostas de água, o príncipe herdeiro ao trono inglês, Eduardo, e um rapaz pobre de Offal Court chamado Tom Canty. Desde que o Padre Andrews começou a ensinar Tom a ler e a escrever que a admiração do menino pela monarquia aumentou, talvez para fugir à sua própria realidade miserável. Certo dia, após brincar aos reis, o seu jogo preferido, Tom dirigiu-se ao Pálacio de Westmisnter onde, por acaso, viu o verdadeiro Príncipe Eduardo a ter uma aula de esgrima. Espantado por ver um membro da realeza, Tom acaba por se juntar demasiado ao gradeamento do palácio e é agredido por um guarda. Depois de ver a cena, Eduardo repreende fortemente o vigia e convida Tom a entrar para comer e descansar. Já nos aposentos reais, os dois rapazes reparam em como são parecidos e, por brincadeira, decidem trocar de roupa. Nesse momento, Eduardo, vestido como um maltrapilho, desce até ao gradeamento para, mais uma vez, repreender o guarda, contudo, este não o reconhece e acaba por expulsá-lo do Palácio sob os risos de uma multidão enorme. É aqui que começa a aventura.
A escrita de Mark Twain, apesar de um pouco datada, é simples e cativante. Percebe-se que a sua ideia de trocar de lugar dois meninos com destinos tão diferentes o divertiu imenso e lhe deu a oportunidade de criticar a corte inglesa e algumas das suas leis desumanas e incompreensíveis. Ao mesmo tempo, recuperou uma personagem histórica, Eduardo VI, que apesar de ser filho e irmão de dois dos maiores monarcas ingleses, Enrique VIII e Isabel I, respetivamente, passou completamente despercebido na História por ter sido coroado aos nove anos de idade e por ter morrido aos quinze. Twain valeu-se deste facto para fazer dele uma personagem fictícia que aprende a viver como os seus súbditos e que precisamente por isso, acaba por se tornar um rei demasiado bondoso e brando (o completo oposto do que foi na realidade o seu reinado, governado pelo Concelho de Regência devido à menoridade do rei).
Este clássico, tantas vezes adaptado ao cinema, é um livro muito bonito que certamente encantará miúdos e graúdos. Recomendo.
