A Guerra das Salamandras

Admito que não sou grande leitora de ficção cientifica, mas quando me recomendam um clássico do género, tenho dificuldade em recusar a leitura. Acho que é a minha vontade de saber e aprender mais sobre aquilo que não sei que me levou a ler A Guerra das Salamandras (1936), de Karel Capek.
Karel Capek (1890-1938) foi um prolífico escritor checo que se notabilizou no género de ficção cientifica (muitas vezes em colaboração com o seu irmão Josef). Ficou sobretudo conhecido pela peça de teatro R.U.R. (que deu origem à palavra ROBOT), e pelo romance A Guerra das Salamandras.
Este último é uma sátira ao momento e ao contexto político em que o autor vivia, no início do século XX, aquando da chegada ao poder de várias ditaduras autoritárias. Conta a história de um explorador que encontra uma salamandra no Pacífico e percebe que ela é suficientemente inteligente para seguir ordens e desenvolver-se intelectualmente. Como as salamandras se reproduzem em grandes quantidades e são ótimas trabalhadoras, muitos países as adotam para fazer os trabalhos pesados. Principalmente no que toca a ganhar território ao mar, algo em que são peritas. O problema, é que passados vários anos, as salamandras são mais numerosas do que os humanos e já não se deixam subjugar como dantes.
Mais do que um texto de ficção científica, A Guerra das Salamandras é uma crítica ao comportamento humano que pela sua ganância e ânsia de poder entra em guerras desnecessárias e destrói vidas inutilmente. Gostei muito deste livro. Realmente é diferente do que normalmente leio, mas de vez em quando é bom sairmos da nossa zona de conforto para descobrir obras que nos surpreendem e fazem pensar de uma nova forma. Recomendo.
