Literatura Norte-Americana

Catch 22

É muito comum ouvirmos na língua inglesa a expressão “It’s a catch 22”, que eu traduziria pela expressão portuguesa “preso por ter cão e por não ter”. Este dito “apareceu” na gíria americana pela mão, ou pela cabeça, de Joseph Heller, autor do clássico Catch 22 (1961). 
A obra conta-nos a história do capitão Yossarian, destacado em Itália durante a II Guerra Mundial, e profundamente irritado com o artigo 22 (catch 22) que diz que um homem é doido se continuar a participar voluntariamente em perigosos voos de combate, mas se apresentar um pedido formal de dispensa para não voar, é declarado mentalmente são, pelo que esta lhe é negada. Yossarian tenta voar o número oficial de vezes, porém, este está sempre a aumentar tornando-lhe impossível cumprir o seu objetivo e regressar a casa em segurança. Sendo assim, tenta sobreviver no campo como pode, assistindo à morte de colegas e a estratagemas por parte de membros do exército para se esquivarem ao seu dever.
Confesso que a leitura deste livro foi um pouco complicada. Acho que a tradução da D. Quixote não é a melhor, e que Heller poderia ter encurtado a narrativa (inspirada na sua própria experiência, já que ele foi piloto da Força Aérea Americana e esteve destacado em Itália na II Guerra Mundial) que, pelo meio, se arrasta desnecessariamente. No entanto, reconheço que se trata de um livro hilariante, bem escrito, com passagens dignas dos Monty Python, e com uma moral muito interessante. É fácil perceber por que razão se tornou um clássico da literatura americana e como a expressão entrou tão naturalmente na linguagem dos seus habitantes.