Freedom
Foi apelidado de melhor romance americano da década pela Time e, como consequência, o seu autor, Jonathan Franzen, teve a honra de ser um dos poucos escritores a aparecer recentemente na capa desta publicação. Justo para monstros como Paul Auster e Phillip Roth?
Na minha opinião, o romance de 568 páginas poderia ter sido escrito em 300. O tema principal do livro é a relação de Patty e Walter Berglund desde que se conheceram na faculdade, até à meia-idade. A sua história é muito americana, no sentido em que retrata uma família disfuncional de classe média, tendo como um dos tempos presentes os anos de 2002/2003, ou seja, o rescaldo do 11 de Setembro. Pelo meio, Franzen ainda tem engenho para abordar temas como a ecologia, a politica ou o modo de vida moderno, criticando as posições de Bush e dando a entender que a vida nos Estados Unidos poderia ter sido outra caso Kerry ou Al Gore tivessem ganho as eleições.
O que mais gostei no livro foi o facto de Franzen ter construído personagens muito diferentes (apesar de não serem ricas ou complexas, à excepção de Patty) para dar ao leitor o ponto de vista de cada uma delas em representação de uma camada da sociedade americana. Contudo, por vezes, sentia que alguns dos problemas mencionados ou das discussões tidas (bastante realistas e fluídas) poderiam ter saído de um programa televisivo como o Dr. Phil ou The Tyra Show.
Não é que não tenha gostado de ler Freedom, por vezes, gostei, por outras, nem por isso, mas fazer dele um marco na literatura americana moderna parece-me extremamente excessivo. O que dirão então de Auster e Roth? Que são génios? Pois… se calhar, são mesmo.
