Literatura Europeia · Literatura Portuguesa

O mundo em que vivi

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Uma das minhas irmãs mais novas teve de ler este livro no 9º ano. Disse que era muito bom e aconselhou-mo vivamente. Na altura, eu andava no secundário e tinha a minha dose de leitura para fazer, sendo da área de Humanidades. No entanto, fiquei sempre com curiosidade para ler O mundo em que vivi (1943), de Ilse Losa. Hoje, com 32 anos, matei o bichinho.

Rose, uma menina judia de tenra idade, vivia em casa dos avós no final da I Grande Guerra quando o pai vai buscá-la para que ela passe a viver com eles e os irmãos numa cidadezinha próxima, na mesma altura em que Hitler ganha as eleições alemãs e incita ao sentimento anti-semita. Pouco depois, estala a II Grande Guerra.

O mundo em que vivi foi a forma que Ilse Losa arranjou para fazer as pazes com o seu país natal. A história da infância e adolescência de Rose confude-se com a da própria autora, nascida em 1913 no seio de uma família judia alemã e obrigada a emigrar, neste caso para Portugal, para fugir ao Nazismo. Nesta história ficcional, porém autobiográfica, Rose descreve como é viver durante a transição das duas guerras e fazer parte de uma família judia que sempre foi respeitada e deixou de o ser. O relato é sempre na primeira pessoa, cru, honesto e surpreendido, mas com uma dose de bondade e empatia que nunca esmorecem.

Adorei este livro. Atrevo-me a dizer que foi uma das minhas leituras preferidas do ano. Ilse Losa escreve maravilhosamente, a história é fascinante e chega até a ser original, pois fala de um intervalo de tempo que não costuma surgir amiúde na literatura: os anos entre as guerras. A minha irmã tinha razão. E eu também o recomendo vivamente.