A Letra Escarlate

Eu adoro quando um livro me arrebata. Adoro. E estou sempre à procura de um que me tire o fôlego e seja um murro no estômago. A Letra Escarlate foi tudo isso e muito mais.
Nathaniel Hawthorne sempre quis ser escritor e foi com A Letra Escarlate (1850) que conseguiu entrar no panteão da posteridade. Hester Prynne surge à saída da prisão com um bebé nos braços e um “A” escarlate ao peito. Perguntam-lhe quem é o pai da sua filha, mas ela recusa-se a revelar, preferindo carregar o peso da responsabilidade sozinha. Entretanto, na multidão, um homem mais velho recém-chegado à colónia de Nova Inglaterra, onde decorre a acção, olha-a nos olhos e leva o dedo aos lábios pedindo-lhe silêncio…
Esta obra fala sobre a estigmatização social e a humilhação pública das personagens que cometem um crime aos olhos dos Puritanos, regentes da colónia segundo a Lei divina. Tudo o que seja pecado, tentação ou desvirtuamento é mal visto numa sociedade que não hesita em excluir e envergonhar os que não cumprem os costumes estabelecidos pela Igreja, neste caso, Anglicana. Nathaniel Hawthorne critica, assim, os cristãos radicais, escusando-se numa narrativa ficcional a que chamou simplesmente de “Um Romance”.
Gostei muito, muito, muito deste livro. E Hester Prynne é a minha nova heroína feminina. A Letra Escarlate foi até agora foi um dos meus livros preferidos do ano e já é seguramente um dos preferidos de sempre. Recomendo vivamente.