Literatura Europeia · Literatura Francesa

Germinal

Émile Zola chamou-me particularmente a atenção quando li o seu maravilhoso O Paraíso das Damas (1883), há uns anos. Decidi então continuar a ler a sua obra, razão pela qual se tornou obrigatório ler aquela que é considerada a sua obra-prima.

Germinal (1885) seria escrito dois anos depois e faria parte, claro está, da série Les Rougon-Macquart, 20 livros dedicados a dois veios diferentes de uma mesma família do século XIX, um deles pertencente à classe alta, outro à classe baixa. Neste livro em particular, a personagem principal é Etienne Lantier, descendente direto da história de L’Assommoir (1887).

Etienne é um jovem mecânico do norte de França que, ao ver-se sem trabalho, decide arranjar emprego numa mina das redondezas. O que o espera é algo que o abala profundamente. Os mineiros vivem mal, num cortiço disponibilizado pela própria empresa, e têm péssimas condições de trabalho, não ganhando o suficiente para conseguirem sobreviver. Esta exploração impressiona tanto Étienne que ele decide aprofundar os seus conhecimentos sobre uma teoria recente que andava a circular pela Europa: o comunismo. Juntou-se a um emigrante russo, também ele trabalhador na mina, e com esta troca de ideias resolveu incitar os companheiros à greve. Ora, o resultado foi desastroso. Apesar de os mineiros em peso, e em desespero, terem alinhado na novidade, encontraram-se ainda em piores circunstâncias do que anteriormente por já não ganharem nem o pouco que dantes levavam para casa. Como consequência, o pior da sua humanidade veio ao de cima e foram praticados actos quase indescritíveis.

Para escrever Germinal, durante três meses Zola trabalhou numa mina e viveu perto dos mineiros de modo a conseguir descrever o que ali se passava. E como o descreve! O leitor fica com uma noção muito nítida de como era ser mineiro e pobre (para não dizer miserável) no século XIX, onde conceitos como segurança social, higiene e segurança no trabalho, horário de trabalho e de descanso, não existiam. Era uma exploração não só por dinheiro, mas também por ser simplesmente assim que as coisas se faziam naquela altura. Realidade que, gostando-se ou não, as ideias Marxistas vieram alterar.

Gostei muito de Germinal. Apesar de Zola ser um escritor demorado e levar o seu tempo a contar a história, fá-lo com muita técnica e clareza, pelo que não parece aborrecido nem maçudo. Os seus livros são extensos porque ele não quer deixar nenhum pormenor de fora, o que, na minha opinião, só enriquece a experiência de leitura. Recomendo vivamente este livro e, claro, prosseguirei com os livros do autor. O próximo da lista é Nana (1880).

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Leituras de verão

Confesso que quando o verão chega o meu sistema desacelera e já só penso nas férias grandes e nas leituras que quero fazer durante as semanas mais paradas. É verdade que desde que fui mãe os meus momentos de lazer não são tantos como eu gostaria, no entanto há sempre oportunidade de abrandar e pegar em livros mais apropriados para esta altura do ano.

Os acompanhantes do BookTube sabem que julho é o mês da autora Jane Austen, falecida a 18 de julho de 1817. Por isso, este ano decidi participar na iniciativa e ler Mansfield Park (1814). A minha relação com Jane Austen é um pouco ambígua. Na universidade estudei Orgulho e Preconceito (1813), que gostei; mais tarde li Persuasão (1817), que muito me agradou; e há um par de anos li Emma (1815), de que não gostei nada. Como pretendo ler toda a obra da autora inglesa para conhecer os seus livros, acho que agora é o momento perfeito para pegar num deles. Vamos ver como corre.

No verão gosto muito de ler policiais. As aventuras de Hercule Poirot, de Agatha Christie, são um clássico nas minhas férias, porém, este ano, decidi trocar o detetive belga por um francês: Arséne Lupin, de Maurice Leblanc. A editora Relógio d’Água publicou recentemente alguns dos livros desta série, pelo que é uma bela oportunidade de finalmente descobrir este personagem de que oiço falar há tanto tempo.

E termino o período estival com um clássico francês que tem estado na minha mira há já algum tempo: Germinal (1885), de Émile Zola. Gosto muito da literatura francesa do século XIX e de Zola só li ainda O Paraíso das Damas (1883), de que gostei bastante. Germinal é considerada a sua obra-prima, pelo que será curioso lê-la.

E eis aqui os meus planos de leitura para este verão. Um clássico inglês, um clássico francês e um policial francês. Se quiserem dizer-me nos comentários abaixo quais são os vossos planos de leitura para os próximos meses, terei todo o gosto em lê-los. Desejo-vos óptimas leituras!