Literatura Britânica

Middlemarch

Sempre quis ler “Middlemarch” (1871), de George Eliot, mas o seu número de páginas (809 na tradução da Relógio d´Água) sempre me desmotivou. No entanto, após ter cumprido o meu objetivo de leituras para este ano, e ainda com dois meses livres para findar o mesmo, resolvi que chegara a altura de mergulhar naquele que é considerado o romance vitoriano por excelência.

“Middlemarch” é o nome de uma cidadezinha inglesa fictícia onde se passa a acção da história. Apesar de ter na personagem de Dorothea Brooke a heroína principal, creio que esta obra não é sobre ninguém em particular, mas sobre muitas pessoas que fazem parte do mesmo círculo social e familiar, as suas convivências e a História que se vai desenrolando em torno delas. E há de tudo. Romance, política, traição, desilusão, casamentos felizes, casamentos infelizes, crescimento pessoal, ética e moral, mortes, nascimentos. Tudo o que acontece na vida de alguém está de certa forma espelhado nas personagens de “Middlemarch”. E é aí que reside a grandeza deste livro.

Apesar de ter como contexto histórico e social a época vitoriana, George Eliot consegue o feito impressionante de retratar a vida tal como ela é. Um leitor do século XXI consegue entender, e quem sabe até identificar-se, com o que ocorre às personagens, ganhando ao mesmo tempo uma noção histórica de como era a vida naquele tempo e lugar. A escrita de Eliot é clara e direta, dando-nos em muitos instantes citações impossíveis de não reter, como, por exemplo: “Tem dó do fardo alheio, porque o seu peso errante poderá visitar-te a ti e a mim”; ou “o carácter não é uma peça de mármore… não é algo de sólido e inalterável. É algo que está vivo e se transforma, e pode adoecer, como também acontece com o corpo.”

Gostei muito deste livro. Provavelmente não achamos que nos marca assim que o terminamos, contudo, depois, reparamos que fica connosco e que nos lembramos de várias cenas e acontecimentos relevantes. E o que dizer da conclusão e, em particular, do último parágrafo? Dos melhores que já li em toda a literatura. Recomendo vivamente esta leitura. Como se costuma dizer, se se tiver de ler um romance vitoriano, não há dúvida de que tem de ser “Middlemarch”.

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Silas Marner

SilasMarner

Sempre quis ler este livro, não só porque a sua autora é George Eliot (de quem sempre ouvi falar na faculdade), mas também porque a capa é a imagem de um homem a pegar afectuosamente na mão de uma criança, o que, para uma recente mãe, é atractivo.

Silas Marner (1861) conta a história de Silas, um homem injustamente acusado de roubo, que decide mudar de cidade para começar uma vida nova. Trabalha como tecelão e consegue acumular uma pequena fortuna que conta todos os dias à noite, antes de se deitar. Certa vez, repara que foi roubado e cai numa grande depressão. Após um passeio solitário pelas redondezas, ao chegar a casa encontra uma criança de dois anos a dormir, sozinha, aos pés da sua lareira.

A história de Silas cruza-se com a de outras personagens igualmente importantes para o livro, mas ao expô-las aqui só complicariam o meu resumo. E é exatamente essa a única crítica que tenho a fazer à obra: é demasiado curta para um enredo tão cheio. Na minha opinião, o livro carece desenvolvimento. Acontece tudo demasiado depressa sem que o leitor tenha tempo de digerir o que acabou de suceder. Sem ser isso, creio que é um texto bastante bom, a escrita de Eliot é simples e agradável de ler, e a história é ternurenta com o final que eu secretamente desejava. Uma óptima opção para começar a mergulhar no trabalho desta escritora.