Literatura Europeia

Noites Brancas

Quero muito ler Dostoievki e Tolstoi. São daqueles autores clássicos quase obrigatórios. Porem, as suas obras são extensas, pesadas e requerentes de toda a atenção. Poucas são as exceções, contudo, para nosso gáudio, Dostoievski escreveu um conto no começo da sua carreira que se pode ler e desfrutar numa tarde: Noites Brancas (1848).
Quando comecei a ler este livro, notei que a escrita não era fácil de acompanhar. Muitas são as repetições e frases longas que, por vezes, nos fazem perder o fio à meada. No entanto, após este pequeno primeiro passo, a história ganha vida própria e avança a toda a velocidade. 
A ação decorre em São Petersburgo, à noite, onde um narrador sem nome nos relata um pouco da vida da cidade entrelaçando-a com a sua própria existência bucólica. De repente vê uma rapariga, Nastenka, a ser assaltada por um transeunte. O jovem não hesita em ir em seu auxilio e a partir desse momento o casal torna-se amigo e confidente. O narrador apaixona-se por ela, mas Nastenka já está comprometida…
Podia ser uma história de amor como outra qualquer, não fosse o final surpreendente de Noites Brancas que a distingue das demais. O bom do livro é mesmo a última parte, onde o leitor é confrontado com uma possibilidade pouco óbvia e um desenlace que faz todo o sentido ao mais puro estilo romântico. 
Gostei muito deste conto. Depois de ultrapassado o início menos convencional deparamo-nos com uma história bonita e um final digno de um grande escritor. Recomendo.
Casas de Escritores · Fiódor Dostoiévski

Casa Museu Fiódor Dostoiévski

Em 2012 tive a felicidade de visitar São Petersburgo, a segunda maior cidade da Rússia. A ex-capital do país tem muitos pontos de interesse como, por exemplo, o Museu Hermitage, o rio Neva, a Catedral do Sangue Derramado ou a Avenida Nevski. No entanto, como admiradora incondicional de Dostoiévski, também quis conhecer a antiga casa do escritor que hoje é um museu aberto ao público.

Localizada num canto entre as ruas Kuznechny 5/2 e Dostoevskogo Ulitsa, o apartamento reconstruido e mobilado de acordo com as recordações da segunda mulher do autor e de amigos próximos, foi a casa de Dostoiévski durante dois períodos da sua vida. O primeiro em 1846, no início da sua carreira, e o segundo desde o final de 1878 até à sua morte. Terá sido aqui que Dostoiévski escreveu Os Demónios (1871) e Os Irmãos Karamazov (1880).

A casa está muito bem conservada e exibe objectos pessoais como cigarros, móveis, pratos, papéis, brinquedos e até um chapéu. Gostei muito de conhecer este espaço intimo de Dostoievski e da sua família, recomendando, claro está, uma visita ao local a todos os amantes dos seus livros. A sinalizar o museu está uma estátua em homenagem ao escritor na rua que também tem o seu nome.

 

 

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