Literatura Britânica

Flush

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A minha mãe tentou ler Os Anos (1937), de Virginia Woolf, mas não conseguiu acabar. Talvez isso me tenha afastado um pouco da autora ao longo dos anos, contudo, a minha curiosidade por lê-la sempre foi enorme. Resolvi, por isso, começar com Flush – Uma Biografia (1933), por ser uma obra curta. E acertei em cheio.

Flush – Uma Biografia conta a história de um cão que realmente existiu, o Flush, claro, cuja dona era a poetisa inglesa Elizabeth Barrett Browning, casada com o também poeta inglês Robert Browning. Nesta história, vemos como era a vida em Londres através dos olhos de um cocker spaniel. Virginia Woolf usou o animal para expressar a sua visão filosófica e as suas emoções em relação ao mundo em que vivia. Terá também escolhido o cão de Elizabeth Barrett porque provavelmente sentia alguma empatia para com ela, por ser doente, escritora e intelectual num tempo em que o papel da mulher era ficar em casa a receber visitas. Ao não se sentir compreendida pelos mais próximos, Elizabeth começa a ganhar uma ligação emocional a Flush traduzida por actos quase telepáticos que fortalecem o sentimento de puro afecto que nutrem um pelo outro.

Gostei muito deste livro. Numa história tão básica e ternurenta, Virginia Woolf consegue fazer uma crítica à sociedade, falar dos conflitos entre classes sociais, do feminismo, da intelectualidade e, claro, de um dos amores mais verdadeiros e antigos: o de um ser humano por um cão, e vice-versa.

Talvez se a minha mãe tivesse tentado ler Flush – Uma Biografia tê-lo-ia conseguido acabar. Recomendo vivamente e estou pronta para o próximo.