Literatura Norte-Americana

O Último Magnate

Um dos últimos livros que li o ano passado foi “O Último Magnate” (1941), de Francis Scott Fitzgerald. Pelo prefácio desta edição, fiquei a saber que se trata de um livro inacabado e publicado postumamente. Apesar de me sentir um pouco desencorajada, a obra termina com as notas do autor que nos revelam como teria decorrido o resto da história. E que história teria sido!

A acção decorre nos anos 30 do séc. XX, no seio da indústria cinematográfica americana. Monroe Stahr é um importante executivo de Hollywood, com o toque de Midas para o negócio e para os êxitos de bilheteira. Cecelia, a filha de um produtor influente, conhece-o a bordo de um avião e apaixona-se de imediato por ele. No entanto, Stahr não consegue esquecer a sua mulher falecida, e, por um acaso do destino, ao ver no set de filmagens uma figurante bastante parecida com ela, não descansa até a encontrar e conhecer. No início, Kathleen rejeita os seus avanços, todavia, com o passar do tempo, os dois estabelecem uma bonita relação. O que desconhecem é que tanto um como outro escondem um segredo que inevitavelmente mudará tudo.

Gostei muito de “O Último Magnate”. Tal como no livro “O Grande Gatsby”(1925), a escrita de Fitzgerald é fluída, moderna e concisa, porém cheia de sentimentalismo (no bom sentido da palavra). A vida de Stahr parece perfeita, e ele tem tudo para singrar, mas o seu segredo pessoal, os dramas da profissão e um certo descontentamento que se vivia no período pós Crash da bolsa e pré II Guerra Mundial fazem com que o sonho americano seja mais difícil de concretizar. Acredita-se que a personagem foi inspirada em Irving Thalberg, um jovem e importante executivo da MGM (casado com a atriz Norma Shearer) que nos deu filmes como “Ben-Hur” ou “Revolta na Bounty”, e com quem o autor privou várias vezes.

Creio que se Fitzgerald tivesse terminado “O Último Magnate” ter-nos-ia deixado uma obra tão significativa como “O Grande Gatsby”. Foi uma pena, realmente. Contudo, fica a intenção e as notas que nos dizem como teria gostado de a escrever. Uma história bonita e dramática, ideal para quem gosta do começo hegemónico dos EUA e de Hollywood. Recomendo.

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O Grande Gatsby

Desde pequena que via a capa do DVD de O Grande Gatsby, com o Robert Redford e a Mia Farrow, poisada junto à mesinha de cabeceira da minha mãe. Sempre olhei para ela com muita curiosidade, mas nunca me atrevi a abri-la para ver o filme. Não sei se por respeito, medo, receio de não compreender a história ou de defraudar as minhas expectativas. O que sabia ao certo é que um dia leria a obra de F. Scott Fitzgerald e veria as respectivas adaptações cinematográficas. Esse dia chegou. 
O Grande Gatsby ocorre no ano de 1922 e retrata a vida social de um grupo de pessoas ricas do leste americano. O narrador, Nick Carraway, é um ex aluno de Yale e ex combatente da I Guerra Mundial que aceita um emprego numa companhia de seguros em Nova Iorque e arrenda uma pequena casa em Long Island, ao lado da mansão do misterioso e extravagante Jay Gatsby. Nick é primo de Daisy, uma bela socialite casada com o igualmente rico Tom Buchanan. Um dia, Nick é convidado para uma das inúmeras e sonantes festas de Gatsby e é a partir daí que começa uma história de traições, crime e decadência.
Esta obra é um dos símbolos dos maravilhosos anos 20 americanos que conheceram grande prosperidade após a I Grande Guerra quando os Estados Unidos registaram um enorme desenvolvimento económico graças ao progresso das indústrias do armamento, do aço, da construção, do cinema, e de outras. Socialmente também se deram muitas mudanças como a proibição do consumo de álcool, a Era do Jazz, o contrabando, o nascimento de máfias e gangues, e o avanço das crenças comunistas. Numa época em que as pessoas desejavam celebrar o fim do conflito e desfrutar das oportunidades que ele trouxera de modo a subirem na vida, os traumas de guerra e as alterações comportamentais impediam  muitas vezes que a verdade e o amor sincero se sobrepusessem a uma vida de opulência, farsa e riqueza que veria o seu fim com o Crash da Bolsa de 1929 e consequente Grande Depressão.
F. Scott Fitzgerald conseguiu transpor para o papel o estilo de vida americano de uma das décadas mais interessantes e decadentes da História. Adorei o livro. Verei os filmes.