Literatura Britânica

Os Luminários

TheLuminaries

Como gosto muito de clássicos dou por mim a ler escritores que fazem parte do cânone da literatura ocidental, seja portuguesa, americana, inglesa ou espanhola. Contudo, por vezes também me apetece ler autores mais contemporâneos. O problema é que não sou muito boa a julgar livros pela capa, e já me aconteceu comprar exemplares que não consigo passar do primeiro capítulo. Por isso, decidi estar atenta aos prémios de renome que galardoam obras saídas nesse ano. Um deles é o Man Booker Prize, de Inglaterra, que visa premiar o melhor livro escrito em língua inglesa. Foi assim que cheguei a este Os Luminários, vencedor no ano de 2013.

Eleanor Catton não me era uma escritora desconhecida. Li O Ensaio (2008) e devo dizer que não foi do meu agrado, mas resolvi dar-lhe outra oportunidade devido à críticas extremamente positivas que recebeu. Os Luminários (2013) tem 832 páginas e foi considerado o romance da Nova Zelândia, país originário de Catton e onde decorre a acção da obra. No século XIX, e em plena febre do ouro, o advogado Walter Moddy chega a Hokitika com a esperança de fazer fortuna. Em vez disso, dá por si a participar numa tensa “reunião” de doze homens locais num dos hotéis da cidade, onde se vê envolvido num mistério sobre a morte de um garimpeiro, o suicido mal sucedido de uma prostituta e o desaparecimento de um milionário. A partir daqui, Catton narra-nos a História dos pioneiros da Nova Zelândia, quem eram e como viviam, enquanto resolve o mistério acima referido. Para além disto (e como se fosse pouco), ainda dá ao seu romance uma aura mística ao atribuir a cada personagem um signo do zodíaco, fazendo-a comportar-se de acordo com as suas características.

É uma história longa e cheia de camadas que exige um compromisso grande da parte do leitor, mas lê-se bem e com toda a compreensão. É acima de tudo um exercício estrutural magnífico que, de tão bem feito, nem parece existir. Foi uma bela surpresa. Não só gostei do mistério e do crime, como também aprendi muito sobre a Nova Zelândia. Recomendo.

Literatura Norte-Americana

O Ensaio



O Ensaio, de Eleanor Catton, é um livro estranho. Começa com um possível assédio sexual por parte de um professor de música a uma aluna menor e as implicações que o caso tem na escola e na família dessa aluna. Ao mesmo tempo, a escola de teatro que existe ao lado da escola de música ensaia uma peça baseada no que aconteceu. 
A premissa da história até parece normal, contudo, a autora usa um método invulgar de interação entre personagens que a torna fresca e complexa. Trata-se de um livro maduro e completamente ausente de lugares comuns (um feito, visto o tema já estar bastante vulgarizado). Para além da frescura da escrita, o que mais me impressionou na narrativa foi realmente a maturidade. As personagens estão bem construídas, pensadas e humanizadas e a história discorre com naturalidade, algo que provavelmente não se espera de uma escritora de 25 anos. O caso da professora de música foi o mais enigmático para mim. No início não a compreendia bem, nem sabia o que procurava, apesar de ser o elo comum a todas as personagens e, tal como o leitor, estar a par de tudo o que acontece. No entanto, no final, fui capaz de entender a sua razão de ser e as suas motivações. É uma personagem perfeita que espelha as complexidades que todas as personagens principais deviam ter.
É através de características como esta que percebemos que estamos perante um grande livro. Apesar de não ter sido umas das minhas leituras preferidas até à data, reconheço que se trata de uma obra boa, diferente, fresca, e com um estilo muito próprio e humano. O Ensaio é a primeira publicação de Eleanor Catton, foi nomeada para vários prémios, incluindo o Orange Prize, e elevou muito a fasquia para uma autora que não desiludiu e escreveu o mais recente vencedor do Man Booker Prize: The Luminaries. Definitivamente a ler.