Literatura Norte-Americana

The Lost Symbol

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O terceiro livro que li nas férias foi o maior que levei. Tinha 528 páginas e era em inglês. Fiquei com medo de que me atrasasse a leitura e que, por isso, não me permitisse terminar o desafio a tempo. O que quase aconteceu. Quase…

Quando surgiu o The Da Vinci Code (2003) comprei-o para ver por que razão toda a gente o lia, e se era tão bom, ou tão mau, como diziam. A verdade é que gostei tanto da trama que o devorei em três dias. Apesar de não ter conseguido parar de o ler, reconheci que o estilo de Dan Brown não é dos melhores. A sua escrita é básica, com frases curtas e vocabulário escasso, demasiadas descrições e constatações de factos absolutamente escusados que não abonam em favor da história e tomam o leitor como pouco perspicaz. 

No entanto, como tinha gostado do livro, resolvi comprar o Anjos e Demónios (2000) que foi editado em Portugal logo depois. Sinceramente, não me lembro da história. Sei que se passa em Roma, que tem a ver com o Vaticano, mas não me consigo lembrar da trama, nem se gostei do livro ou não (o que é revelador). Só me recordo de ter pedido o seguinte obra de Dan Brown, The Lost Symbol como prenda de Natal no ano em que saiu, e de o ter guardado na estante até hoje. Não tinha vontade de lhe pegar, apesar de ser uma edição bonita e de se tratar de uma leitura pouco exigente. 

Contudo, em 2013, saiu Inferno e Dan Brown regressou à ribalta. Comprei o livro porque a história se passava em Florença, cidade onde passei dois dos melhores meses da minha vida, e que conheço como a palma da mão. Li-o no Verão, em inglês, e detestei. Detestei por causa do estilo de Brown e da sua excessiva descrição da cidade e de tudo o que ocorre. A premissa era boa, tinha a ver com Dante Alighieri e com a sua obra maior Inferno, precisamente, mas o autor não conseguiu fazer jus à ideia e transformou-a num livro de acção digno de um guião de Hollywood, demasiado longo e muitas vezes confuso e repetitivo.

Foi exactamente isso que senti com The Lost Symbol. Uma premissa boa, com informações interessantes sobre a maçonaria norte-americana, um vilão prometedor e, claro, Tom Hanks, que é como quem diz, Robert Langdon. Mas não singrou. De todo. Os mesmos problemas dos outros livros. Dan Brown tem boas ideias, mas é um escritor medíocre (para ser simpática), que não leva os seus leitores a sério. Como o livro era mau, não me apetecia lê-lo, mas tinha de o fazer para cumprir o meu desafio. Confesso que, pela primeira vez na vida, saltei parágrafos completamente desnecessários para me ver livre da leitura. Enfim. Mau por mau, mais vale ver as adaptações cinematográficas. Não recomendo. 

Literatura Norte-Americana

Inferno

O primeiro livro que li de Dan Brown foi o Código Da Vinci. Vi-o na estante de uma pequena loja da Fnac que existia ao pé da minha casa antes de começar a histeria mundial pela obra. Pensei comprá-lo, sentindo-me atraída pelo título e pela capa, contudo, como tinha em casa muitos livros para ler, fui-me embora sem ele. Rendi-me finalmente quando chegou um ponto em que parecia que não se falava de outra coisa no mundo. Devorei-o em três dias, sem vergonha. Não consegui poisá-lo. As revelações (verdadeiras ou não) eram demasiado polémicas para lhes ficar indiferente e a forma como a história estava contada era suficientemente empolgante para não desviar a minha atenção. 
Depois de o Código Da Vinci li o Anjos e Demónios. Escrito previamente, mas publicado no nosso país depois da loucura do Código, foi um livro que deixou um pouco a desejar. A acção centrava-se novamente no Vaticano, onde vários bispos estavam a ser assassinados e Robert Langdon tinha de desvendar mais um mistério relacionado com a igreja. N\ao achei tanta graça e a minha curiosidade pelos livros de Brown parou aí.
Até que chegou Dante.
Subitamente, o mundo viu-se outra vez obcecado com um best-seller de Dan Brown. As livrarias ficaram cheias com cópias do livro, o Youtube não falava de outra coisa e a praia deixou ver quantas pessoas quiseram descer ao Inferno.
Decidi lê-lo por uma única razão: a história passa-se em Florença, cidade onde vivi durante dois meses e se tornou um dos meus lugares preferidos. A minha curiosidade prendia-se essencialmente com o facto de ver como Dan Brown a tratara. 
Não há dúvida de que a estudou e conheceu muito bem. As descrições são muito exactas e realistas, fazendo com que estabeleçamos um mapa mental e nos sintamos a resolver os enigmas com as personagens. No entanto, creio que ao longo dos capítulos se vão tornando enfadonhas e um tanto pesadas. Não é necessário descrever uma avenida inteira só para dizer que os protagonistas vão entrar num certo edifício, nem descrever exaustivamente uma praça irrelevante para a acção, mas importante para o turismo. Se para uma pessoa que conhece bem o lugar as descrições se tornam enfadonhas, imagino como será para outra que nunca tenha lá estado.
A história propriamente dita é mais do mesmo: muita acção e enigmas. Achei que, comparado com os livros anteriores de Dan Brown, este tem demasiadas perseguições. Os protagonistas estão sempre a fugir de alguém; chegam a um sítio e fogem, chegam a outro e voltam a fugir. A dada altura só me apetecia que se mantivessem num lugar qualquer e não fugissem. 
As personagens não são ricas e num livro de Dan Brown não precisam de ser (já sabemos ao que vamos). Contudo, uma delas, Vayentha, era a cópia descarada de Lisbeth, protagonista da trilogia de Stieg Larsson. Achei de mau gosto porque a apropriação não foi subtil e porque um autor como Brown não precisa de se apossar de personagens de outros autores. Para mim, Robert Langdon será sempre o Tom Hanks e não percebi bem a personalidade de Sienna (esquizofrénica? sobredotada? carente?), nem o nome espanhol (Marta Alvarez) da empregada de museu que, ao que tudo indicou, era italiana.
De uma forma geral, o Inferno de Dan Brown é um livro razoável. Gostei que tivesse como subtema a sobrepopulação do mundo (por ser pouco abordado) e que se centrasse em Florença. De resto, é apenas um livro leve que não muda a nossa vida, mas nos entretém na praia. 
E, por vezes, também são precisos livros assim. 
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Anjos e Demónios


Gostei muito de O Código da Vinci e, apesar de Anjos e Demónios ter sido escrito antes do best-seller, não lhe fica muito atrás na imprevisibilidade, nem no suspense.
A história é simples, Robert Langdon, o famoso professor de História em Harvard que faz de «detective» nos livros de Dan Brown, é contactado pelo director de um laboratório suíço para desvendar um crime macabro que lá ocorreu. No cadáver encontrado, foi inscrita a palavra Illuminatti e é a partir dela que a trama começa.
O autor situa a história no coração de Roma, mais precisamente no Vaticano, e, como fez com O Código da Vinci, põe a sua personagem a desvendar crimes de carácter religioso, recorrendo aos arquivos da instituição e aos seus estudos e conhecimentos prévios.
O livro cumpre, sem pretensões, o seu propósito. É uma boa narrativa de aventuras, com uma linguagem fluída e informal, que prende a atenção do leitor até ao fim. Para além disso, dá-nos a conhecer curiosidades que provavelmente só os historiadores ou os mais interessados na matéria sabem, como, por exemplo, quem eram os membros da maçonaria ou de que se tratava a secreta Illuminatti.
Já mais para o final da obra, o diálogo dá a entender o fim, que perde o suspense e o interesse que adquiriu no inicio, e o último capítulo trata a relação de Lagdon com a personagem feminina, Vittoria Vetra, como se fosse uma cena à «James Bond». Creio que estes factores diminuem a história dando-lhe a marca de romance light ou guião de cinema que, ao longo do livro, não estava assim tão patente.
Anjos e Demónios não é nenhuma obra prima. É um bom livro de aventuras, quiçá mais adequado ao público adolescente, que entretém e desanuvia a mente do leitor adepto de clássicos ou de uma literatura mais exigente.
Ainda assim, é uma boa sugestão de Verão ou para um período em que não estejamos obrigados a reflectir realmente sobre o que lemos.