O Amante de Lady Chatterley

Este livro foi pela primeira vez editado em 1928 e causou tanto espanto que acabou por ser censurado e proibido em Inglaterra. D. H. Lawrence quis escrever uma narrativa sobre sexo carnal não à moda do vulgaríssimo Marquês de Sade, mas num estilo erótico- realista que acabou por chocar muita gente num país ainda a recuperar dos ideais vitorianos. Hoje, é considerado uma obra-prima.
O Amante de Lady Chatterley (1928) conta a história de Connie, uma rapariga proveniente de uma família liberal, que desde cedo embarca em aventuras sexuais sem se importar com as convenções. Acaba por se apaixonar por Clifford, um aristocrata de categoria baixa ferido durante a guerra e confinado para sempre a uma cadeira de rodas. Connie não abandona o noivo, decidindo casar com ele e obter o título de Lady Chatterley, contudo, a vivência de ambos vai-se deteriorando e a intimidade inexistente começa a pesar na vida quotidiana da jovem. É neste momento de infelicidade que conhece Mellors, o guarda de caça do marido que também se revela uma pessoa frustrada e em busca de prazeres terrenos.
D. H. Lawrence soube construir uma premissa interessante e dar-lhe um toque de vulgaridade inocente que pode ter chocado os seus contemporâneos mas que creio que hoje não choca ninguém. As relações sexuais que aparecem na obra são descritas recorrendo a metáforas e caricaturas, normalmente exultando simplesmente o corpo como algo de belo e de que não se deve ter vergonha. A própria relação entre Connie e Mellors dispara para mais do que o mero carnal fazendo com que o sexo não seja apenas uma atividade física entre pessoas frustradas, mas um passo para a comunhão profunda de existências. Apesar disto, creio que a história poderia ter beneficiado de um pouco mais de vontade afetuosa de Mellors e menos de tanta teoria política e existencialista. É um clássico importante, e, por isso, recomendo a sua leitura.