Literatura Britânica

Um cântico de Natal

Um dos livros que li em dezembro passado foi “Um Cântico de Natal” (1843), de Charles Dickens. Tratou-se de uma releitura por eu já pouco me recordar da história. E que melhor altura para fazê-lo senão na época natalícia?

Neste conto, deparamo-nos com Scrooge, um velho rezingão e avarento que detesta o Natal e as suas festas. Passa as noites sozinho, a maldizer a época e os que a comemoram. Não se encontra com a família e chateia-se por ter de dar o dia 25 ao sobrinho, que trabalha no seu escritório. Contudo, na noite de Natal, recebe a visita do fantasma do ex-sócio, Marley, que morrera naquela mesma noite há uns anos, e lhe diz que não consegue descansar em paz por não ter sido bom em vida. Todavia, relembra a Scrooge que ele ainda tem hipótese de se redimir e que, para tal, receberá a visita de três fantasmas (passado, presente e futuro).

Apesar de achar a escrita de Dickens um pouco densa e difícil de penetrar, gostei de “Um cântico de Natal.” Para dizer a verdade a época natalícia também não é a minha preferida e ler sobre isso e sobre alguém que acaba por decidir dar-lhe uma nova oportunidade foi esperançoso. Na minha opinião, não faz grande sentido ler este conto noutra altura do ano, mas, no Natal, é pura e simplesmente perfeito.

Literatura Britânica · Literatura Juvenil

Um Cântico de Natal

Desde pequeninos que vamos tendo conhecimento, através da televisão, do cinema ou do chamado boca-a-boca, de histórias que se tornaram clássicos e que, por isso, todos acabamos por conhecer porque vão sendo passadas de geração em geração. O que por vezes não sabemos, é que muitas dessas histórias surgiram da imaginação de escritores dotados, com mais ou menos relevância na sua própria época, e cujos livros foram sendo reeditados ao longo dos tempos e adaptados a formatos mais modernos. É o caso de Um Cântico de Natal, de Charles Dickens.
O que eu já sabia sobre este conto, escrito em 1843, era que um velho rabugento chamado Scrooge (que mais tarde viria a emprestar o nome ao célebre Tio Patinhas [Scrooge McDuck, na versão original], também ele rabugento e somítico), não gostava do Natal e, como tal, receberia a visita de três espíritos do Natal, o do passado, o do presente e o do futuro. Contudo, depois de ler o livro fiquei a conhecer a história completa e a compreender o porquê da sua longevidade e do seu fascínio.
Um Cântico de Natal não é apenas um manifesto que nos diz que o Natal é uma época de amor, paz e harmonia e que, por isso, devemos olhar mais para os outros e tentar adoptar uma atitude fraterna para com eles. Com esta obra, Dickens diz-nos que nunca é tarde para mudar e que apesar de termos tido uma infância difícil e de a vida por vezes ser muito complicada graças aos seus obstáculos naturais que todos encontramos pelo caminho, podemos olhar para ela como algo de bom e dar à nossa família, aos nossos amigos e aos demais o amor e a amizade de que todos precisamos enquanto seres humanos.
Longe de ser um livro moralista ou puramente religioso, Um Cântico de Natal é apenas a visão de um homem sobre a natureza humana e sobre aquilo que mais nos une e nos deixa felizes: a amizade e o gosto pela vida que, segundo ele, apesar de tudo, vale a pena.