Literatura Europeia

A Túlipa Negra

Recebi de presente o livro “A Túlipa Negra” quando fiz 10 ou 11 anos. Era uma edição juvenil baseada no original, com gravuras bonitas e texto adaptado. Na altura, eu não era leitora, pelo que o livro não me interessou e o pus de lado. Contudo, anos mais tarde, depois de ter finalmente descoberto o que os livros podem fazer por mim, lembrei-me dele e fiquei com vontade de o ler. O problema é que não o encontrava à venda. Até agora.
A Túlipa Negra (1850), de Alexandre Dumas, conta a história de Corneille de Witt e do ser amor por flores, nomeadamente túlipas. Corneille é um jovem herdeiro abastado, sobrinho dos dois “governadores” da Holanda que acabam por sofrer as represálias de um povo encantado com Guilherme de Orange e farto dos franceses. Depois de serem ambos decapitados em praça pública, as autoridades seguem no encalço de Corneille e prendem-no, afastando-o das suas queridas túlipas. Corneille, completamente alheio às movimentações políticas que ocorrem, sofre por não poder dedicar-se ao que mais gosta. Na prisão, conhece a filha do carcereiro, Rosa, que, ao vê-lo, fica imediatamente apaixonada por ele e ajuda-o na sua missão de descobrir como plantar uma túlipa negra, desafio proposto pela Sociedade Hortícula holandesa. Só que o perigo espreita de perto, e um preso e uma jovem rapariga pouco podem fazer contra ele.
Este é o mote de um livro de aventuras à la “Os Três Mosqueteiros”. Apesar de a escrita não ser propriamente fácil de ler, com muitas vírgulas, interrupções, e comentários ao leitor, a narrativa desenrola-se com ritmo e deixa-nos algumas vezes em suspense e desejosos de querer saber o que vai acontecer. O final é o esperado e, na minha opinião, podia ter sido contado de uma forma mais pormenorizada e lenta para fazer jus à obra. Seja como for, trata-se de uma leitura agradável que agora nos chega pela editora Civilização, que apresenta uma coleção de clássicos da literatura nacional e estrangeira, com lindas capa a condizer. Aconselho.