Literatura Britânica

Agnes Grey

AgnesGrey

Neste meu périplo pelas obras das irmãs Brontë, decidi ler o terceiro livro que me faltava dos três que foram publicados em 1847: Agnes Grey, de Anne Brontë. Apesar de não ser tão intenso nem magnânimo como Jane Eyre ou O Monte dos Vendavais, continua a merecer (fortemente) a nossa atenção.

O que Charlotte, Emily e Anne Brontë mais desejavam era ser autoras com trabalho publicado. Para isso, decidiram escrever uma prosa que mais tarde pudessem editar numa compilação conjunta. Charlotte escreveu Jane Eyre, Emily escreveu O Monte dos Vendavais, e Anne escreveu Agnes Grey. Curiosamente, este último foi o que, à época, teve mais aceitação por parte do editor e o que mais vendeu junto de um público que não se achava preparado para entender as outras duas obras. Hoje em dia, o livro de Anne é o menos conhecido dos três, tendo sido altamente ultrapassado pelos textos das irmãs que hoje são considerados verdadeiras obras de culto.

Agnes Grey (1847) conta a história de uma jovem preceptora que decide independentizar-se para poder ajudar a família e para se sentir, de certa forma, útil à sociedade. As casas por onde passa não são propriamente um paraíso, pelo que Agnes aprende a amadurecer depressa e sozinha, acabando por encontrar um equilíbrio emocional pouco comum à sua idade. Esta foi mesmo uma das características de que mais gostei no livro: Anne Brontë, na voz de Agnes, tece vários comentários sobre a vida, sobre como viver em harmonia consigo própria, com os outros, com a natureza e os animais, sobre como educar as crianças, e até sobre o casamento e a aparência das mulheres. Achei a sua mentalidade deveras moderna e edificante, especialmente tendo em conta o pensamento do séc. XIX no início da era vitoriana. Também apreciei a sua escrita, simples e indo ao cerne da questão, se bem que se nota não estar tão desenvolvida com a das irmãs. O final do livro foi o esperado, um pouco cliché, porém satisfatório.

Por todas estas razões creio que passar ao lado de um livro como Agnes Grey é um erro. Apesar de ser o menor dos três originalmente publicados, continua a ser bom, com uma história ternurenta e cheia de lições de vida que nos fazem pensar e encarar as personagens de um modo quase estóico. Recomendo vivamente.